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Mensagem do Graal

“Na Luz da Verdade – Mensagem do Graal” é uma obra escrita em três volumes pelo escritor Oskar Ernst Bernhardt sob o nome literário Abdruschin.

Mensagem do Graal

“Na Luz da Verdade – Mensagem do Graal” é uma obra escrita em três volumes pelo escritor Oskar Ernst Bernhardt sob o nome literário Abdruschin.

Lançai sobre Ele toda a culpa

Esta frase tão frequentemente empregada é um dos principais calmantes de todos quantos se denominam de fiéis cristãos. Todavia, o calmante é um veneno que produz embriaguez. Como tantos outros tóxicos que são utilizados em dadas doenças apenas para entorpecer, por ocasião de dores físicas, acarretando assim tranquilidade aparente, semelhantemente ocorre em relação espiritual com as palavras: “Lançai sobre ele toda a culpa, pois, ele nos libertou e através de suas feridas estamos curados!”

Já que isso é considerado pelos fiéis como uma das colunas básicas das doutrinas eclesiásticas cristãs, atua entre eles tanto mais nocivamente. Edificam sobre isso toda a sua disposição interior.

Com isso, porém, entram num enleio mortal de uma crença cega, no qual conseguem ver tudo o mais apenas ainda fortemente turvado, até que por fim toda a imagem se altera, descendo sobre a Verdade um véu cinzento, de modo que só podem encontrar ainda um apoio numa construção artificial de teorias desfiguradoras que terão de ruir junto com eles, no dia do reconhecimento.

“Lançai sobre ele toda a culpa!”

 

Tola ilusão! A Verdade luminosa passará como fogo pelas legiões dos doutrinadores falsos e dos fiéis indolentes, incendiando e queimando todo o inverídico! Comodamente, as massas ainda hoje se comprazem na crença de que tudo quanto o Salvador fez e sofreu foi em proveito delas. Na indolência de seu pensar ousado, denominam de coisa injuriosa, por parte de cada pessoa, presumir que deve também contribuir pessoalmente com algo para poder entrar no céu. A tal respeito muitos apresentam admirável modéstia e humildade, que em outros aspetos neles se procura em vão.

Segundo a sua opinião, equivaleria a uma blasfémia pensar, mesmo muito por alto e superficialmente, que a descida do Salvador à Terra e os sofrimentos, mais a morte, que assim tomou a si, ainda não podiam bastar para apagar os pecados de todos aqueles seres humanos que não mais duvidam da sua existência terrena de outrora.

 

“Lançai sobre Ele toda a culpa… “, pensam eles com fervorosa devoção, sem saber o que realmente fazem. Dormem, mas seu despertar um dia será horrível! Sua crença aparentemente humilde nada mais é senão vaidade e ilimitado orgulho, ao suporem que um Filho de Deus desça a fim de lhes preparar servilmente o caminho, no qual então poderão trotar como broncos, diretamente para o reino do céu.

Na realidade, qualquer um devia reconhecer imediatamente e sem mais delongas tal vacuidade. Só pode ter surgido do mais indescritível comodismo e leviandade, a não ser que a astúcia a tenha criado como engodo para finalidades de vantagens terrenas!

A humanidade perdeu-se em milhares de labirintos, iludindo-se com sua crença tola. Que aviltamento de Deus há nisso! O que é o ser humano para ousar esperar que um Deus mandasse seu Filho Unigénito, isto é, uma parte de Sua própria vida inenteal, para que os seres humanos lhe pudessem atirar o lastro de seus pecados, somente para que eles próprios não precisassem se esforçar em lavar suas vestes sujas e remir o fardo escuro com que se sobrecarregaram.

 

Ai dos que tiverem que prestar contas um dia por tais pensamentos! É a mais atrevida conspurcação à sublime Divindade! A missão de Cristo não foi de modo assim banal, mas sim elevada, apontando de modo exigente para o Pai.

Já uma vez me referi à grande obra de salvação do Filho de Deus. (*) Sua grande obra de amor se difundiu no Aquém e no Além, tendo trazido frutos de toda a espécie. Nesse ínterim, porém, pessoas apenas com investidura humana procuravam muitas vezes passar por convocados de Deus, pegando com mãos profanas as doutrinas puras e, obscurecendo, arrastavam-nas em sua direção, para baixo.

 

A humanidade que neles confiava, sem examinar seriamente a palavra que ensinavam, tombou junto. O núcleo sublime da Verdade Divina foi envolvido pelas estreitezas terrenas, a ponto que a forma realmente se conservou, porém, todo o fulgor sucumbiu na ânsia pelo poder e vantagens terrenas. Apenas um pálido crepúsculo reina ali onde podia existir o mais claro resplendor de vida espiritual. Da humanidade suplicante fora roubada a joia que Cristo Jesus trouxe para todos quantos almejam por isso. Desfigurados pelos envoltórios de desejos egoísticos, aos que procuram é apontado um caminho errado, o qual não apenas faz com que eles percam tempo precioso, mas os impele muitas vezes até para as garras das trevas.

 

Rapidamente doutrinas erradas cresceram. Vicejaram por cima da singeleza, da Verdade, cobrindo-a com um manto cintilante de cuja pujança de cores, porém, emanam perigos como nas plantas venenosas, entorpecendo tudo que se lhes aproxime, pelo que a vigilância dos fiéis sobre si próprios enfraquece, acabando por apagar-se. Com isso morre, outrossim, cada possibilidade de ascensão para a verdadeira Luz!

Uma vez mais o grande brado da Verdade ressoará por todos os países. Então virá o ajuste de contas para cada um, pelo destino que teceu para si próprio. Os seres humanos finalmente receberão aquilo que até aí defenderam com persistência. Terão que vivenciar todos os erros que estabeleceram em seus desejos ou pensamentos atrevidos, ou aos quais procuraram seguir. Para muitos a consequência será um uivar selvagem e um bater de dentes causado pelo medo, pela raiva e pelo desespero.

 

Os atingidos pesadamente pelo mal e os condenados sentirão então de chofre intuitivamente como sendo injustiça e dureza, tão logo sejam empurrados para aquela realidade, a qual eles, em sua vida terrena, até agora queriam reconhecer como sendo a única verdadeira, com que também continuamente presenteavam seus semelhantes. Aí Deus, a Quem eles enfrentavam com ilimitada arrogância, ainda deve ajudar! Implorar-Lhe-ão, clamarão por Ele, esperando que Ele, em Sua Divindade, perdoe facilmente também as piores coisas aos homúnculos “ignorantes”. Ele, de repente, será demasiadamente “grande”, segundo sua suposição, para poder ter rancor de tal coisa. Ele a Quem até agora tanto aviltaram!

Contudo, Ele não lhes dará ouvidos, não mais os ajudará, porque antes não quiseram ouvir a Sua Palavra, que Ele lhes enviara! E nisso há Justiça, que nunca pode ser separada de Seu grande Amor.

Ressoar-lhes-á retumbantemente: “Não quisestes! Por isso sereis exterminados e riscados do Livro da Vida!”

 

Abdruschin

                        

Dissertação 24 “Lançai sobre Ele toda a culpa” da obra “Na Luz da Verdade - Mensagem do Graal”, volume II

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