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Mensagem do Graal

“Na Luz da Verdade – Mensagem do Graal” é uma obra escrita em três volumes pelo escritor Oskar Ernst Bernhardt sob o nome literário Abdruschin.

Mensagem do Graal

“Na Luz da Verdade – Mensagem do Graal” é uma obra escrita em três volumes pelo escritor Oskar Ernst Bernhardt sob o nome literário Abdruschin.

A força sexual em sua significação para a ascensão espiritual

Eu indico mais uma vez que toda a vida na Criação consiste de duas categorias: o consciente e o inconsciente. Somente ao tornar-se consciente, forma-se também a imagem do Criador, que compreendemos como sendo a forma humana. O amoldamento processa-se uniforme e concomitantemente com a conscientização.

Na primeira Criação propriamente, pois, que por estar mais próxima do Espírito Criador, também só pode ser espiritual, encontra-se ao lado do consciente ser humano espiritual, criado por primeiro, também o espiritual ainda inconsciente. Nesse inconsciente, com as mesmas propriedades do consciente, reside naturalmente o impulso para o desenvolvimento progressivo. Este só se pode dar, porém, pelo aumento progressivo da conscientização.

Quando, portanto, no espírito inconsciente esse impulso para a conscientização tiver aumentado até certo grau, dar-se-á um fenómeno no desenvolvimento mais natural, que equivale a um nascimento terreno. Precisamos apenas prestar atenção ao nosso ambiente. Aqui, o corpo de matéria grosseira expele automaticamente cada fruto amadurecido. No animal e na criatura humana. Também cada árvore expele seus frutos. O fenómeno é a repetição de um desenvolvimento progressivo cujos fundamentos se acham na primeira Criação.

De igual modo sucede também lá, num determinado amadurecimento do inconsciente que anseia pela conscientização, um repelimento automático, uma separação, também denominada expulsão, da outra parte do inconsciente que ainda não anseia por isso.

 

Essas partículas espirituais inconscientes, assim expelidas, formam então os germes espirituais de futuros seres humanos!

Esse fenómeno tem de acontecer, porque no inconsciente se encontra a irresponsabilidade, ao passo que com a conscientização amadurece concomitantemente a responsabilidade.

A separação do inconsciente em amadurecimento é portanto indispensável para o espiritual, que por impulso natural quer desenvolver-se para o consciente. É um progresso, nenhum retrocesso!

Como esses germes vivos não podem ser expelidos para cima, para a perfeição, resta-lhes então o único caminho para baixo. Mas aí penetram no reino enteal de mais peso, o qual nada contém de espiritual.

 Assim, o germe espiritual que anseia pela conscientização fica de súbito num ambiente a ele heterogéneo, portanto estranho, e com isso praticamente descoberto. Como espírito ele se sente descoberto e nu, na entealidade mais densa. Se quer permanecer aí ou prosseguir, torna-se-lhe uma necessidade natural cobrir-se com um invólucro enteal, que tenha a mesma espécie do seu ambiente. De outra maneira não consegue agir aí, nem se manter também. Portanto, não sente apenas a necessidade de cobrir sua nudez no caminho para o reconhecimento, conforme figuradamente a Bíblia descreve, mas também se trata aqui de um processo evolutivo indispensável.

O germe do espírito humano em desenvolvimento é, pois, conduzido progressivamente à matéria, por caminhos naturais!

E aqui então o envolve mais uma vez um necessário invólucro, da mesma estruturação do seu novo âmbito material.

Encontra-se ele então na orla extrema da matéria fina.

Mas a Terra é aquele ponto de matéria grosseira onde se reúne tudo quanto existe na Criação. Confluem aqui todos os setores, os quais de outro modo se achariam categoricamente separados, devido às suas características específicas. Todos os fios, todos os caminhos convergem para a Terra como que se concentrando um ponto de encontro. Ligando-se aqui e gerando novos efeitos, são arremessadas para o Universo correntes de energia em poderosas chamas! De tal modo, como de nenhum outro lugar da matéria.

 

Sobre esta Terra processa-se o mais intenso vivenciar através da conglomeração de todas as espécies da Criação, para o que a materialidade contribui. No entanto, somente a conglomeração de todas as espécies da Criação, nada de Divinal, nada do Espírito Santo, que pairam acima e fora da Criação.

As últimas manifestações desse vivenciar na Terra afluem, pois, ao encontro do germe espiritual, tão logo ele entre na matéria fina. É envolto por esses efeitos. São ele que o atraem, ajudando-o porém a despertar com isso sua conscientização, e levá-lo ao desenvolvimento.

Sem ligação ainda, portanto sem culpa, nesse limiar de toda a matéria, sente ele intuitivamente as manifestações das vibrações de fortes experiências vivenciais, que se desenrolam na evolução e na decomposição de tudo quanto é material.

Aí lhe advém então o anseio dum melhor conhecimento. Mas tão logo forme nisso um desejo, sintoniza-se, ao formular esse desejo, voluntariamente com qualquer vibração, seja ela boa ou má. E imediatamente, devido à atuante lei da força de atração da igual espécie, será atraído por uma espécie igual, que é mais forte do que a sua. É impelido para um ponto onde a espécie almejada é venerada de modo mais veemente do que era seu próprio desejo.

 

Com tal anseio íntimo, o seu invólucro de matéria fina condensa-se logo de modo correspondente a esse anseio, e a lei da gravidade o deixa afundar ainda mais.

O verdadeiro vivenciar, porém, do anseio nele latente, só lhe oferece por fim a Terra de matéria grosseira! Sente-se, por isso, impelido a prosseguir, até o nascimento terreno, porque quer passar do petiscar ao saborear. Quanto mais intensos se tornam os desejos pelos prazeres terrenos do espírito que desperta no petiscar, tanto mais espesso se forma também o invólucro de matéria fina que traz consigo. Com isso vai adquirindo também mais peso e afunda vagarosamente em direção ao plano terrestre, onde se acha a oportunidade para a realização de desejos. Uma vez chegado até esse plano terrestre, tornou-se com isso também amadurecido para o nascimento terreno.

 

Nisso a lei da força de atração da igual espécie manifesta-se mais nitidamente ainda. Cada um dos espíritos imaturos é atraído como que magneticamente, exatamente de acordo com o desejo ou pendor que traz em si, por um ponto onde o conteúdo do seu desejo chega à realização através de seres humanos terrenos. Se tiver, por exemplo, o desejo de dominar, não nascerá acaso num ambiente onde ele próprio então possa viver na realização de seu desejo; ao contrário, será atraído por uma pessoa com acentuada tendência para dominar, que, portanto, sente intuitivamente como ele, e assim por diante. Expia dessa forma o errado, em parte, ou acha a felicidade no certo. Pelo menos tem ensejo para tanto.

Devido a esse fenómeno supõe-se, pois, erroneamente, transmissão hereditária de propriedades ou de faculdades espirituais! Externamente, contudo, pode aparentar assim. Na realidade, porém, uma criatura humana não pode transmitir aos filhos nada de seu espirito vivo.

Não existe nenhuma hereditariedade espiritual!

 

Pessoa alguma encontra-se em condições de ceder sequer uma reduzidíssima partícula de seu espirito vivo!

Nesse ponto criou-se um erro que lança suas sombras estorvantes e perturbadoras sobre muita coisa. Nenhum filho pode ser grato aos pais por qualquer faculdade espiritual, tampouco censura-los por defeitos! Seria erróneo e uma injustiça!

Jamais esta maravilhosa obra da Criação seria tão falha e imperfeita, a ponto de permitir atos arbitrários ou casuais de hereditariedade espiritual!

Essa força de atração de todas as espécies iguais, tão importante no nascimento, pode partir do pai, bem como da mãe, assim como de cada um que esteja na proximidade da futura mãe. Por isso uma futura mãe devia ser cautelosa em relação àqueles que ela permite ficar em sua proximidade. Cumpre ponderar aí que a força interior reside predominantemente nas fraquezas e não acaso no caráter exterior. As fraquezas trazem momentos culminantes de vivenciar interior, que resultam em vigorosa força de atração.

 

A vinda terrena do ser humano compõe-se, pois, de geração, encarnação e nascimento. A encarnação, isto é, a entrada da alma, ocorre no meio do período da gravidez. O crescente e mútuo estado de maturação, tanto da futura mãe, como da alma em vias de encarnação, conduz a uma especial ligação ainda mais terrena. Essa é uma irradiação provocada pelo mútuo estado de maturação, e por fenómeno natural buscam-se reciprocamente de modo irresistível. Tal irradiação se vai tornando cada vez mais intensa, prendendo uma à outra, a alma e a futura mãe, cada vez mais forte e de maneira exigente, até que por fim a alma é literalmente absorvida pelo corpo em desenvolvimento no ventre materno.

Esse momento de ingresso ou de absorção acarreta também, naturalmente, os primeiros abalos do pequeno corpo, o que se manifesta por contrações que são chamadas os primeiros movimentos da criança. Com isso se processa na futura mãe, muitas vezes, uma transformação de seus sentimentos intuitivos. De modo bem-aventurado ou opressor, conforme a espécie da alma humana que ingressa.

 

A alma humana, até tal ponto desenvolvida, veste com o pequeno corpo o manto de matéria grosseira, que é necessário a fim de experimentar vivencialmente tudo, de modo pleno, na matéria grosseira, ouvir, ver e sentir, o que só se torna possível através dum invólucro ou dum instrumento da mesma matéria, da mesma espécie. Só então poderá passar do petiscar para o saborear propriamente e, com isso, para o discernimento. É compreensível que a alma tenha que aprender primeiro a se servir desse novo corpo como instrumento, e a dominá-lo.

Eis resumidamente o processo evolutivo do ser humano até o seu primeiro nascimento terreno.

[…]

O ser humano de hoje parece-se com um homem a quem foi dado um reino e que prefere malbaratar seu tempo com brinquedos de criança.

Evidente é, e nem se pode esperar de outro modo, que as forças poderosas outorgadas ao ser humano terão de destroçá-lo, se não souber dirigi-las.

Também a força sexual terá de destruir o ser humano individual, povos inteiros, lá onde se abusar de sua finalidade principal! A finalidade da geração só vem em segundo lugar.

E que meios de auxílio oferece a força sexual a cada pessoa, a fim de que reconheça a finalidade principal e a vivencie!

Pense-se no sentimento intuitivo do pudor corporal! Desperta simultaneamente com a força sexual, é dado para proteção.

Como em toda a Criação há também aqui um trítono, e no descer reconhece-se igualmente um desenvolvimento cada vez mais grosseiro. O sentimento intuitivo do pudor, como a primeira consequência da força sexual, deve constituir o obstáculo quanto à transição para o instinto sexual, a fim de que o ser humano em seu alto nível não se entregue à prática sexual animalescamente.

Ai do povo que não der atenção a isso!

 

Um forte sentimento intuitivo de pudor cuida para que o ser humano jamais possa sucumbir a uma embriaguez sensual! Protege contra paixões, pois devido a fenómeno completamente natural, jamais permitirá oportunidades para se esquecer durante uma fração de um momento sequer.

Somente com muita força consegue o ser humano afastar, mediante sua vontade, essa maravilhosa dádiva, para então comportar-se animalescamente! Tal violenta intromissão na ordem universal do Criador terá, porém, de tornar-se maldição para ele, pois, a força do instinto sexual corpóreo assim libertada não lhe é mais natural em seu desencadeamento.

Faltando sentimento intuitivo do pudor, o ser humano transforma-se de senhor em servo, arrancado de seu degrau humano, e colocado ainda abaixo do animal.

Pondere o ser humano, somente acentuado pudor impede a oportunidade de queda. Com isso lhe é dada a mais vigorosa defesa.

 

Quanto maior for o pudor, tanto mais nobre será o instinto, e tanto mais alto espiritualmente estará o ser humano. É essa a melhor medida do seu valor espiritual interior! Essa medida é infalível e facilmente reconhecível por qualquer pessoa. Com o estrangulamento ou afastamento do sentimento exterior do pudor, ficam também, concomitantemente, sempre asfixiadas as propriedades anímicas mais finas e mais valiosas e, com isso, desvalorizado o ser humano interior.

É um sinal infalível de profunda queda e decadência certa quando a humanidade, com a mentira do progresso, começa a querer se “elevar” acima da joia do sentimento do pudor, em todos os sentidos beneficiadora! Seja, pois, sob o manto do exporte, da higiene, da moda, da educação infantil ou sob tantos outros pretextos de bom grado acolhidos. Então não se poderá impedir mais a decadência e a queda, e somente um pavor da pior espécie poderá ainda levar alguns ao despertar.

 

E, todavia, é facilitado ao ser humano terreno enveredar pelo caminho das alturas.

Basta que se torne somente “mais natural”. Ser natural, porém, não significa andar seminu por aí, ou perambular descalço, com trajes extravagantes! Ser natural significa atender cuidadosamente aos íntimos sentimentos intuitivos e não eximir-se veementemente das admoestações dos mesmos!

Infelizmente, porém, mais da metade das criaturas humanas já chegaram hoje a tal ponto, que se tornaram demasiado broncas para ainda compreenderem os sentimentos intuitivos naturais. Para tanto já se restringiram excessivamente! Um grito de pavor e de horror será o fim disso!

Feliz daquele que então puder vivificar novamente o sentimento do pudor! Tornar-se-lhe-á escudo e apoio, quando tudo o mais se destroçar.

 

Abdruschin

                        

Excerto da Dissertação 51 “A força sexual em sua significação para a ascensão espiritual” da obra “Na Luz da Verdade - Mensagem do Graal”, volume II

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