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Mensagem do Graal

“Na Luz da Verdade – Mensagem do Graal” é uma obra escrita em três volumes pelo escritor Oskar Ernst Bernhardt sob o nome literário Abdruschin.

Mensagem do Graal

“Na Luz da Verdade – Mensagem do Graal” é uma obra escrita em três volumes pelo escritor Oskar Ernst Bernhardt sob o nome literário Abdruschin.

A imaculada conceção e o nascimento do Filho de Deus

A imaculada conceção não deve ser tomada apenas no sentido corpóreo, mas acima de tudo, como tanta coisa na Bíblia, em sentido puramente espiritual. Somente quem reconhece e sente intuitivamente o mundo espiritual como existindo deveras e atuando de modo vivo, consegue encontrar a chave para a compreensão da Bíblia, o que, unicamente, é capaz de tornar viva a Palavra. Para todos os outros permanecerá sempre um livro fechado a sete selos.

Imaculada conceção, no sentido corpóreo, é cada conceção oriunda dum amor puro, em profundo erguer dos olhos para o Criador, onde os instintos sensuais não constituem a base, mas sim permanecem apenas como forças coparticipantes.

Esse fenómeno é na realidade tão raro, que foi justificado o seu destaque especial. A garantia da postergação de instintos sensuais foi dada mediante a anunciação, que por esse motivo é mencionada especialmente, pois do contrário faltaria um elo na cadeia dos fenómenos naturais e da firme colaboração com o mundo espiritual.

 

A virgem Maria já de antemão provida de todos os dotes necessários para poder cumprir sua alta missão, entrou em tempo certo através da condução espiritual em contato com pessoas profundamente compenetradas das revelações e profecias referentes ao Messias em vias de chegar. Foi esse o primeiro preparativo na Terra que impulsionou Maria no rumo de sua verdadeira finalidade, deixando-a a par de tudo aquilo em que ela então deveria representar um papel tão importante, sem que naquela época já se soubesse disso.

A venda dos escolhidos afrouxa-se sempre de modo cauteloso e pouco a pouco, para não precipitar o desenvolvimento indispensável, pois todos os estágios intermediários devem ser vivenciados seriamente, de modo a possibilitar finalmente uma realização. Conhecimento demasiado prematuro da própria missão deixaria lacunas no desenvolvimento, dificultando mais tarde a realização.

Olhando constantemente para a meta final, surge o perigo de um avançar demasiadamente rápido, pelo que muita coisa passa despercebida ou é apreendida apenas superficialmente, o que, para o preenchimento da própria destinação, tem de ser vivenciado seriamente de modo absoluto. Mas o ser humano só pode vivenciar seriamente aquilo que de cada vez considerar como a verdadeira missão de sua vida. Assim também com Maria.

 

Quando então chegou o dia em que se encontrava interna e externamente preparada, ela tornou-se, num momento de completo repouso e equilíbrio psíquico, clarividente e clariaudiente, isto é, seu íntimo se abriu ao mundo de outra matéria, experimentando vivencialmente a anunciação descrita na Bíblia. Caiu-lhe assim a venda, e ela entrou conscientemente na sua missão.

A anunciação foi para Maria uma vivência espiritual tão poderosa e abaladora, que preencheu por completo, dessa hora em diante, toda sua vida anímica. Daí por diante ficou sintonizada unicamente numa direção, a de poder esperar uma elevada graça Divina. Esse estado de alma era desejado pela Luz através da anunciação, a fim de assim postergar, de antemão e para longe, manifestações de instintos inferiores e preparar o solo onde um puro recetáculo terreno (o corpo infantil) pudesse surgir para a imaculada conceção espiritual. Com essa extraordinariamente forte sintonização anímica de Maria, tornou-se “imaculada” a conceção corpórea, correspondente às leis naturais.

Que Maria já trouxera todos os dotes para a sua missão, portanto que era pré-natalmente destinada para tornar-se a mãe terrena do vindouro portador da Verdade, Jesus, não é difícil de ser compreendido por quem disponha de certa noção do mundo espiritual e de sua respetiva atividade amplamente ramificada que, preparando todos os grandes acontecimentos, passa como que brincando por cima de milénios.

 

Com esse corpo de criança em formação, que sob tais contingências se desenvolveu de maneira a se tornar um recetáculo puríssimo, foram dadas as condições terrenas para uma “imaculada conceção espiritual”, a encarnação que se realiza no meio da gravidez.

Aí não se trata de uma das almas ou centelhas espirituais, inúmeras vezes aguardando encarnação, as quais querem ou têm de percorrer uma vida terrena para o desenvolvimento, cujo corpo de matéria fina (ou invólucro) é mais ou menos turvo, isto é, maculado, com o que a ligação direta com a Luz fica obscurecida e por momentos completamente cortada.

Veio a ser um processo de irradiação proveniente de Deus, outorgado por amor à humanidade perdida nas trevas, suficientemente forte para não deixar que se interrompesse jamais a ligação direta com a Luz Primordial.

Resultou aí, nesse facto, uma íntima ligação entre a Divindade e a humanidade, assemelhando-se a uma coluna luminosa de força e pureza jamais esgotável, da qual tudo quanto é inferior havia de resvalar. Assim surgiu também a possibilidade para a transmissão sem turvação da Verdade, haurida da Luz, bem como da força para as ações que pareciam milagres.

 

A narrativa das tentações no deserto mostra como caíram os esforços das correntezas escuras para manchar a pureza do sentimento intuitivo, sem poder causar danos.

Após a imaculada conceção corpórea de Maria, pôde advir com tal vigor a encarnação proveniente da Luz, o que se dá no meio da gestação, que não permitiu qualquer turvação nos estágios intermediários entre a Luz e o corpo materno, resultando assim também “uma imaculada conceção espiritual”.

Portanto, é perfeitamente certo falar-se em imaculada conceção, a qual se deu corporal e espiritualmente, sem que tivesse sido qualquer lei da Criação contornada, alterada ou necessariamente criada para esse caso especial.

O ser humano não deve pensar que haja nisso uma contradição, porque fora prometido que o Salvador haveria de ser gerado por uma virgem.

A contradição advém apenas da interpretação errónea da palavra “virgem” na profecia. Se essa fala de uma virgem, não se refere a um conceito mais restrito, muito menos ainda à opinião de um Estado, mas pode tratar-se tão-só de um amplo conceito da humanidade.

 

Uma opinião mais restrita teria de verificar que uma gravidez e o parto em si, sem falar na geração, já excluem a virgindade em sentido comum. A profecia, porém, não se refere a tais coisas. Diz-se com isso que Cristo viria a nascer imprescindivelmente como o primeiro filho duma virgem, isto é, duma mulher que ainda não tivesse sido mãe. Nela todos os órgãos necessários ao desenvolvimento do corpo humano estão virgens, isto é, ainda não funcionaram nesse sentido, desse corpo ainda não saiu nenhum filho. Com relação a cada primeiro filho, os órgãos no corpo materno têm, pois, que ser ainda virgens. Somente isso podia entrar em consideração em profecia tão ampla, porque cada promessa só se realiza na absoluta lógica das atuantes leis da Criação, sendo também dada com essa previsão inabalável!

A promessa refere-se portanto “ao primeiro filho”, por isso é que foi feita a distinção entre virgem e mãe. Outra diferença não entra em consideração, visto que os conceitos de virgem e de mulher originaram-se apenas das instituições puramente estatais ou sociais do matrimónio, que de modo algum foram consideradas em tal promessa.

 

Devido à perfeição da Criação, como obra de Deus, o ato da geração é absolutamente necessário, pois a Onisciência do Criador desde os primórdios ordenou tudo de tal maneira, que nada é demais ou supérfluo. Quem nutre tal pensamento está dizendo concomitantemente que a obra do Criador não é perfeita. O mesmo vale quanto aos que afirmam que o nascimento de Cristo ocorreu sem a geração prescrita pelo Criador à humanidade. Tinha que haver ocorrido uma geração normal, mediante uma pessoa de carne e sangue! Inclusive nesse caso.

Cada criatura humana consciente disso de modo certo, louva assim ainda mais o Criador e Senhor, do que aquelas que queiram admitir outras possibilidades. As primeiras dão prova de confiança inabalável na perfeição de seu Deus, porque segundo sua convicção uma exceção ou alteração é de todo impossível nas leis por Ele condicionadas. E essa é a maior fé! Ademais, todos os outros acontecimentos falam categoricamente a favor disso. Cristo tornou-se ser humano terreno. Com essa decisão teve que se sujeitar também às leis determinadas por Deus, referentes à reprodução de matéria grosseira, uma vez que a perfeição de Deus condiciona isso.

 

Se a esse respeito se deva dizer que “junto a Deus coisa alguma é impossível”, tal declaração assim velada não satisfaz, pois nessa expressão reside um sentido muito diferente do que muitas pessoas imaginam, devido ao seu comodismo. Bastará que se diga ser impossível haver em Deus imperfeição, falta de lógica, injustiça, arbitrariedade e outras tantas, para contradizer o teor das palavras dessa frase, segundo o conceito comum.

Poder-se-ia afirmar também que, se nesse sentido junto a Deus coisa alguma é impossível, Ele também poderia por um único ato de vontade tornar fiéis todos os seres humanos da Terra! Assim não precisaria expor Seu Filho às vicissitudes terrenas e à morte na cruz pela encarnação. Ter-se-ia evitado esse imenso sacrifício.

Mas o facto de que assim ocorreu, constituiu um testemunho da inflexibilidade das leis Divinas atuantes desde os primórdios da Criação, nas quais uma violação forçada para qualquer alteração é impossível devido a sua perfeição.

Em relação a isso, por sua vez, poderia ser replicado por aqueles que disputam tenaz e cegamente, que assim como aconteceu era da Vontade de Deus. Isso é dito de modo certo, mas não é absolutamente uma contraprova, ao contrário, na realidade um concordar da afirmativa anterior, em se abandonando a conceção mais ingénua e seguindo os esclarecimentos mais profundos, o que todos os ditos de natureza espiritual exigem categoricamente.

 

Era da Vontade de Deus! Isso, contudo, nada tem a ver com uma arbitrariedade, mas pelo contrário nada mais significa do que a confirmação das leis estatuídas por Deus na Criação, portadoras da Sua Vontade, e o incondicional enquadramento nelas a isso ligado, as quais não admitem uma exceção ou contorno. Exatamente na necessidade de cumprir comprova-se e efetua-se, sim, a Vontade de Deus. Do contrário Jesus nem precisaria ter nascido de uma mulher terrena, mas simplesmente poderia ter surgido de repente.

Por isso Cristo, para o desempenho de Sua missão, teve que se sujeitar, inevitavelmente, também a todas as leis da natureza, isto é, à Vontade de seu Pai. Que Cristo tenha feito tudo isso, comprova-o toda a sua vida. O nascimento normal, o crescimento, a fome que nele também se manifestava e o cansaço, os sofrimentos e por fim a morte na cruz. Também ele estava sujeito a tudo quanto um corpo humano está sujeito. Por que, então, única e exclusivamente a geração teria que ser de outra maneira, sem que houvesse absolutamente necessidade para isso. Justamente na naturalidade torna-se a missão do Salvador maior ainda, de modo algum diminuída! Igualmente Maria, por esse motivo, não foi menos agraciada em tão alta missão.

 

Abdruschin

                        

Dissertação 44 “A imaculada conceção e o nascimento do Filho de Deus” da obra “Na Luz da Verdade - Mensagem do Graal”, volume II

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