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Mensagem do Graal

“Na Luz da Verdade – Mensagem do Graal” é uma obra escrita em três volumes pelo escritor Oskar Ernst Bernhardt sob o nome literário Abdruschin.

Mensagem do Graal

“Na Luz da Verdade – Mensagem do Graal” é uma obra escrita em três volumes pelo escritor Oskar Ernst Bernhardt sob o nome literário Abdruschin.

Cristo falou...!

Pateticamente se ouve hoje, milhares de vezes, essa expressão. Cristo falou! Com essa introdução deve ser tornada sem efeito, de início, qualquer contradição. Todavia, quem assim fala quer com isso afastar de si também a própria responsabilidade. No entanto, em vez disso, assume dessa forma uma colossal responsabilidade… perante Deus!

Contudo, não pensa sobre isso, até que role sobre ele com um ímpeto que terá de emudecê-lo para sempre! A hora se aproxima, já estão rolando as pedras da ação retroativa! A maior de todas, contudo, originou-se, para muitos espíritos humanos, nas palavras introdutórias: Cristo falou!

A essas palavras segue-se então alguma sentença das “sagradas escrituras”, que deve servir para consoladora tranquilização, para estímulo, também para advertência e até para ameaça ou defesa e para a luta. É aplicada como bálsamo e como espada, como escudo e também como suave almofada de descanso!

Tudo isso seria belo e grande, seria até mesmo o certo, se as palavras citadas ainda vivessem no mesmo sentido com que Cristo as pronunciou realmente!

 

Mas não é assim! As criaturas humanas formaram muitas dessas palavras por si mesmas, na mais deficiente recordação, e aí não puderam reproduzir o mesmo sentido das palavras de Cristo.

Precisais, pois, apenas ver como é hoje. Quem desejar esclarecer com palavras próprias ou escritos, apenas de memória, algo da Mensagem do Graal, que aliás está impressa e que por mim foi escrita, este já hoje não o transmite assim como corresponde ao verdadeiro sentido. Passando por uma segunda boca, por uma segunda pena, surgem sempre alterações; com novas palavras o verdadeiro sentido é torcido, às vezes até deformado, na melhor boa vontade de intervir a favor dela. Nunca é aquela palavra que eu falei.

E tanto pior outrora, uma vez que do próprio Filho de Deus, pois, não existem escritos de sua Palavra e tudo pôde ser transmitido a essa posteridade apenas através de segundas e terceiras pessoas. Somente muito depois da época em que Cristo havia deixado a matéria grosseira! Tudo surgiu somente da falha memória humana; os escritos, narrativas e todas as palavras, às quais se acostumou agora a antepor sempre com certeza: Cristo falou!

 

Já naquela época a obra de Lúcifer, elevando o raciocínio humano a ídolo, tinha feito os preparativos, em seu nefasto desenvolvimento, para que as palavras de Cristo não pudessem encontrar aquele solo, que torna possível uma compreensão acertada. Foi um artifício sem par das trevas. Pois a compreensão certa de todas as palavras que não falam da matéria grosseira só é possível pela colaboração, não enfraquecida, de um cérebro de intuição, mas que no tempo de Cristo já se achava bastante descuidado em todas as criaturas humanas, e com isso atrofiado, não podendo cumprir toda sua função. Com isso Lúcifer também tinha a humanidade terrena em seu poder! E essa era a sua arma contra a Luz!

Conservar recordações de modo inalterado só consegue o cérebro humano de intuição, isto é, o cérebro posterior, não porém o raciocínio do cérebro anterior!

Aí o pecado hereditário da humanidade se vingou de modo profundamente incisivo nela própria, que levianamente deixou atrofiar tanto o cérebro posterior, o único capaz de gravar todos os acontecimentos e vivências como tais, em imagens e intuições, de tal forma que em qualquer tempo também ressurgiam com exatidão, como realmente foram, de modo inalterado, até sem enfraquecimento.

 

O cérebro anterior não consegue isso, por estar mais ligado ao conceito de espaço e tempo de matéria grosseira, e não haver sido criado para a receção, mas sim para a emissão no terrenal.

Dessa maneira, pois, também surgiu a retransmissão das descrições daquilo que foi vivenciado e ouvido durante o tempo terreno de Cristo, misturado exclusivamente com as conceções terreno-humanas, provenientes da memória, moldado terrenalmente de maneira completamente inconsciente, não porém com aquela pureza que um vigoroso cérebro de intuição teria mantido e avistado. As garras dos vassalos de Lúcifer já haviam aberto seus sulcos bem profundamente, mantendo presos firmemente seus escravos do raciocínio, de modo que estes não mais puderam compreender ou segurar direito o maior tesouro, a Mensagem de Deus, sua única possibilidade de salvação, tendo que deixá-la passar sem proveito.

Aprofundai-vos no pensar; não custa muito esforço orientar-se nisso. Muitas pessoas se aproximavam de Cristo, fazendo-lhe perguntas, pedindo-lhe este ou aquele conselho, que ele de bom grado sempre lhes dava, em seu grande Amor, que nunca falhava, pois ele era o Amor vivo e ainda o é hoje.

 

Ele deu, portanto, orientação aos que perguntavam e pediam, conforme eles necessitavam. Tomemos um exemplo.

O daquele jovem rico, que estava ansioso por saber qual o caminho que poderia conduzi-lo ao reino do céu! O Filho de Deus aconselhou-o a repartir os seus bens entre os pobres e depois segui-lo.

Seguir Cristo não significa outra coisa senão viver exatamente de acordo com suas palavras.

As pessoas presentes tomaram imediatamente conhecimento desse episódio, assim como de tantos outros, para retransmiti-lo segundo a maneira como cada um por si, de modo humano, havia entendido. E isso correspondia apenas raramente ou nunca ao verdadeiro sentido das palavras originais de Cristo. Pois poucas palavras sob forma diferente já conseguem alterar todo o sentido.

Os primeiros divulgadores contentavam-se, no entanto, em fazer narrativas, simples relatos. Mais tarde, porém, esses conselhos individuais foram instituídos como leis básicas para toda a humanidade! Isso, contudo, foi feito então pela humanidade, não pelo próprio Cristo, o Filho de Deus!

 

E essa humanidade também se atreveu a afirmar mui simplesmente: Cristo falou! Põe-lhe na boca aquilo que as próprias criaturas humanas, apenas de memória e de conceções erradas, exprimem em formas e palavras, as quais hoje, pois, devem permanecer determinantes e intocáveis para os cristãos, como sendo a Palavra de Deus.

Nisso há milhares de vezes assassínio da verdadeira Palavra do Filho de Deus!

Cada pessoa sabe muito bem que é incapaz, após semanas ou meses, de relatar fielmente aquilo que vivenciou anteriormente e o que ouviu! Nunca consegue repeti-lo textualmente com absoluta exatidão. E quando são duas, três, quatro ou dez pessoas, que ouviram ou enxergaram simultaneamente a mesma coisa, receber-se-ão então outras tantas diversidades nas descrições. Desse facto ninguém mais tem dúvida hoje em dia.

Aí, finalmente se evidencia, portanto, que com esse reconhecimento havereis de tirar conclusões retrospetivas! Conclusões que são categóricas, intocáveis.

Pois também não foi diferente na época terrena do Filho de Deus!

[…]

Imperdoável, porém, é que mais tarde as criaturas humanas simplesmente, como sendo certo, ousassem afirmar: Cristo falou! E com isso elas atribuem ao Filho de Deus as erróneas aceções humanas, os produtos da falha capacidade de memória humana, sem mais nem menos, com segurança, apenas para assim fundar e manter uma estruturação doutrinária, com empenhos egoísticos, cujas lacunas, já desde o início, tinham de mostrar a construção toda frágil e quebradiça a qualquer vigoroso sentimento intuitivo, de modo que apenas na exigência de fé cega havia a possibilidade de que as inúmeras falhas na construção não pudessem ser vistas de imediato!

Mantiveram-se e mantêm-se ainda hoje apenas com a exigência rígida de uma fé cega e com as palavras incisivas: Cristo falou!

 

E essa frase, essa afirmativa calculista há-de tornar-se para eles um terrível juízo! Pois é tão falsa como a ousadia de dizer que a crucificação de Cristo fora desejada por Deus a fim de redimir, com aquele sacrifício, todos os pecados dessas criaturas terrenas! O que há em tudo isso, de deformar de tal modo o assassínio do Filho de Deus, com tão incrível presunção humana; que ousada injúria está ligada a isso, o futuro ensinará a reconhecer, a humanidade experimentá-lo-á em si.

Ai das criaturas humanas que outrora assassinaram o Filho de Deus na cruz! Mas cem vezes ai de vós, que depois disso milhares de vezes o tendes crucificado em sua Palavra! E que ainda hoje o assassinais dia a dia, hora a hora, sempre de novo! Cairá sobre vós um pesado juízo!

 

Abdruschin

 

Excerto da Dissertação 11 “Cristo falou…!” da obra “Na Luz da Verdade - Mensagem do Graal”, volume III

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