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Mensagem do Graal

“Na Luz da Verdade – Mensagem do Graal” é uma obra escrita em três volumes pelo escritor Oskar Ernst Bernhardt sob o nome literário Abdruschin.

Mensagem do Graal

“Na Luz da Verdade – Mensagem do Graal” é uma obra escrita em três volumes pelo escritor Oskar Ernst Bernhardt sob o nome literário Abdruschin.

Despertai

Despertai, ó seres humanos, desse sono de chumbo! Reconhecei o fardo indigno que carregais e que pesa com uma indizível e tenaz pressão sobre milhões de criaturas. Atirai-o fora! Acaso merece ser carregado? Nem sequer um único segundo!

Que encerra ele? Debulho vazio que se desvanece temeroso ao sopro da verdade. Desperdiçastes tempo e força em vão. Arrebentai portanto as cadeias que vos prendem em baixo, tornai-vos livres, afinal!

0 ser humano que permanece acorrentado interiormente será um eterno escravo, mesmo que seja um rei.

Vós vos atais com tudo o que vos esforçais por aprender. Ponderai: com a aprendizagem vos comprimis em formas alheias que outros conceberam, associando-vos de bom grado a convicções alheias, assimilando somente aquilo que outros vivenciaram em si, para si.

 

Considerai: uma coisa não é para todos! O que é útil para um pode prejudicar a outrem. Cada qual tem de percorrer por si seu próprio caminho para o aperfeiçoamento. Seu equipamento para isso são as faculdades que trazem em si. De acordo com elas é que tem de se orientar, e sobre elas edificar! Se não o fizer, permanecerá um estranho dentro de si mesmo, e se encontrará sempre ao lado daquilo que estudou, e que nunca pode tornar-se vivo dentro dele. Assim, cada proveito para ele está fora de cogitação. Vegeta, e se torna impossível um progresso.

Notai bem, ó vós que vos esforçais com sinceridade pela Luz e pela Verdade:

O caminho para a Luz deve cada qual vivenciar dentro de si, descobri-lo pessoalmente, se desejar percorrê-lo com segurança. Somente aquilo que o ser humano vivencia e sente intuitivamente com todas as mutações é que compreendeu plenamente!

 

A dor e também a alegria nos batem continuamente à porta, animando-nos, sacudindo-nos, para que acordemos espiritualmente. Durante segundos fica então o ser humano muitas vezes libertado das futilidades da vida quotidiana e pressente, tanto na felicidade como na dor, ligação com o espírito que perpassa tudo o que é vivo.

E tudo é deveras vida, nada está morto! Bem-aventurado aquele que compreende e retém tais momentos de ligação, erguendo-se nisso para cima. Para tanto, não se deve deter em formas rígidas, procurando, pelo contrário, cada um se desenvolver por si próprio, partindo de seu íntimo.

Não vos preocupeis com zombadores que ainda desconhecem a vida espiritual. Como bêbedos e como doentes se encontram perante a imponente obra da Criação, que tanto nos oferece. Como cegos que tateiam através da existência terrena, e não veem todo o esplendor que os rodeia!

 

Estão confusos, dormem, pois como pode um ser humano, por exemplo, ainda afirmar que só existe aquilo que ele vê? Que acolá, onde ele com seus olhos nada consegue distinguir, não haja vida nenhuma? Que, com a morte de seu corpo, também ele deixa de existir, somente porque até agora, em sua cegueira, não se pôde convencer com seus olhos do contrário? Não sabe ele agora, já por muitas coisas, como é restrita a capacidade do olho? Não sabe ele ainda que ela está ligada às capacidades de seu cérebro que, por sua vez, são adstritas ao tempo e ao espaço? E que, por essa razão, tudo quanto está acima do espaço e do tempo ele não pode reconhecer com seus olhos? Nenhum desses zombadores compreendeu ainda tal fundamentação lógica do raciocínio? A vida espiritual, chamemo-la também o Além, é contudo somente algo que se acha inteiramente acima do conceito terreno de espaço e de tempo e que necessita, portanto, de um caminho idêntico para ser reconhecido.

 

Contudo, nosso olho nem vê mesmo aquilo que se deixa classificar no tempo e no espaço. Considere-se a gota d’água, cuja incondicional pureza cada olho testemunha e que, observada através dum microscópio, encerra milhares de seres vivos que dentro dela sem compaixão lutam e se destroem. Não há, às vezes, bacilos na água, no ar, que possuem forças para destruir corpos humanos, e que não são percebidos pelos olhos? Todavia se tornam visíveis através de instrumentos aperfeiçoados.

Quem ousará ainda depois de isso afirmar que não encontrareis coisas novas até agora desconhecidas, tão logo aperfeiçoardes melhor tais instrumentos? Aperfeiçoai-vos mil vezes, milhões de vezes, mesmo assim a visão não terá fim; pelo contrário, diante de vós se desvendarão sempre de novo mundos que antes não podíeis ver nem sentir e que todavia aí já existam.

O pensamento lógico leva a idênticas conclusões sobre tudo o mais que as ciências até agora conseguiram colecionar. Dá-se a expetativa de permanente desenvolvimento e nunca, porém, de um fim.

 

Que é então Além? Muitos se confundem com essa palavra. O Além é simplesmente tudo aquilo que não se deixa reconhecer com meios terrenos. Meios terrenos, contudo, são os olhos, o cérebro, e tudo o mais do corpo, bem como os instrumentos que ajudam essas partes a exercer melhor e com mais nitidez suas atividade, ampliando-as.

Poder-se-ia dizer, portanto: o Além é o que encontra além das faculdades de reconhecimento dos nossos olhos corpóreos. Uma separação, porém, entre este mundo e o Além não existe! E também nenhum abismo! Tudo é uno, como a Criação toda. Uma força percorre tanto o Aquém como o Além e tudo vive e atua a partir dessa única corrente da vida e por isso é completa e indissoluvelmente ligado. Disso, pois, se torna compreensível o seguinte:

Quando uma parte desse todo adoece, deve o efeito se fazer sentir na outra parte, como num corpo. Partículas doentes dessa outra parte fluem então para a que adoeceu, mediante a atração da espécie igual, reforçando assim mais a doença. Se tal doença se tornar incurável, surge então a indispensável contingência de amputar o membro doente, a fim de que o conjunto não sofra permanentemente.

 

Por esse motivo modificai-vos. Não existe o Aquém e o Além, mas sim uma existência una! A noção de separação foi inventada apenas pelo ser humano, por não poder ver tudo e se considerar o ponto central e principal do âmbito que lhe é visível. Mas o círculo de sua atividade é maior. Com o conceito erróneo de separação, ele apenas se restringe, violentamente, impedindo seu progresso, e dá ensejo a fantasias desenfreadas, originando imagens disformes.

Que há de surpreendente, pois, se, como consequência, muitos apenas têm um sorriso incrédulo, outros uma adoração doentia que degenera em escravidão ou fanatismo? Quem pode ainda se espantar com o medo, sim, aflição e pavor que se desenvolveram em muitos seres humanos?

 

Fora com tudo isso! Por que esse tormento? Derrubai essa barreira que o erro dos seres humanos procurou levantar, e que todavia nunca existiu! A orientação errónea de até agora vos dá também uma base falsa sobre a qual vos esforçais inutilmente em erigir sem fim a verdadeira fé, isto é, a convicção interior. Esbarrais por isso em pontos, rochedos que vos tornam vacilantes ou hesitantes, ou obrigam a destruir de novo o edifício todo propriamente, para, em seguida, Talvez abandonar tudo com desalento ou rancor.

Somente vós sofreis o prejuízo, pois para vós não existe progresso, mas sim apenas parada ou retrocesso. O caminho que ainda tendes de percorrer torna-se desta forma ainda mais comprido.

 

Quando tiverdes finalmente compreendido a Criação como um todo, que ela é, quando não fizerdes nenhuma separação entre o Aquém e o Além, então tereis o caminho reto, o alvo verdadeiro estará mais próximo, e a ascensão vos causará alegria e satisfação. Podereis então sentir e compreender muito melhor os efeitos da reciprocidade que pulsam, cheios de vida, através de todo o conjunto uniforme, pois toda a atuação é impulsionada e mantida por essa força única. A luz da Verdade irromperá assim para vós!

 

Reconhecereis em breve que para muitos só a comodidade e a preguiça é a causa de zombarias, somente porque custaria esforços para derrubar o que foi aprendido e considerado até agora, e construir coisa nova. E a outros isso vem alterar a habitual rotina, e por isso se lhes torna incómodo.

Deixai esses tais, não discuti; contudo, sede prestimoso com o vosso saber para com aqueles que não estiverem contentes com os prazeres passageiros e que procuram algo mais na existência terrena, não sendo como os animais, que só procuram satisfazer o corpo, pois com o dar, reciprocamente, torna-se mais rico e forte o vosso saber.

No Universo age uma lei eterna: dando pode-se também receber, quando se trata de valores permanentes! Isso penetra tão fundo, traspassa a Criação toda, como um legado sacrossanto do seu Criador. Dar desinteressadamente, ajudar onde for necessário, ter compreensão pelo sofrimento do próximo, bem como por suas fraquezas, chama-se receber, pois esse é o caminho reto e verdadeiro para o Altíssimo!

[…]

Crer sem compreender é apenas preguiça e apatia mental! Isso não eleva o espírito, pelo contrário, oprime-o. Por conseguinte, levantemos o olhar, devemos pesquisar e analisar. Não é à toa que existe dentro de nós o impulso para isso.

O tempo! Passará deveras? Qual a razão de se encontrarem obstáculos referentes a esse princípio, quando aí se quer prosseguir no pensar? Muito simples, porque o pensamento básico é falso, pois o tempo permanece parado! Nós, sim, é que marchamos ao seu encontro! Investimos pelo tempo adentro, que é eterno, procurando dentro dele a Verdade!

O tempo permanece parado. Continua o mesmo hoje, ontem, durante mil anos! Somente as formas é que variam. Mergulhamos no tempo, para colher no regaço de suas anotações, a fim de fomentar nosso saber com as coleções que ele encerra! Pois nada se perdeu, tudo ele preservou. Não mudou, porque é eterno.

Tu também ó ser humano, és sempre apenas o mesmo, quer pareças jovem ou já velho! Permaneces aquele que és! Tu próprio já não o percebeste? Não notas nitidamente uma diferença entre a forma e o teu “eu”? Entre o corpo, que é sujeito a alterações, e tu, o espírito, que é eterno?

 

Vós procurais a Verdade! Que é a Verdade? O que hoje admitis como Verdade patentear-se-vos-á amanhã já como erros, para mais tarde verificardes outra vez que nesses erros se encontram grãos de Verdade! Pois também as revelações modificam suas formas. Assim vos sucede nas ininterruptas pesquisas, mas nas modificações madurecereis!

A Verdade, contudo, permanece sempre a mesma, não muda, pois é eterna! E sendo eterna, nunca poderá, mediante os sentidos materiais que só distinguem mutações de formas, ser compreendida real e limpidamente!

Por isso, espiritualizai-vos! Livre de todos os pensamentos terrenos possuireis a Verdade, estareis na Verdade, a fim de banhar-vos na Luz límpida que ela irradia constantemente, pois vos rodeia totalmente. Nadareis nela, tão logo vos espiritualizardes.

 

Não tereis mais necessidade de aprender arduamente as ciências nem de recear quaisquer erros, mas sim tereis para cada pergunta a resposta já na própria Verdade; mais ainda, não tereis então mais perguntas, pois, sem que pensais, sabereis tudo, abrangereis tudo, porque vosso espírito vive na Luz límpida, na Verdade!

Por conseguinte, tornai-vos livres espiritualmente! Arrebentai todas as cadeias que vos oprimem! Se com isso se apresentarem estorvos, arremessai-vos jubilosos contra eles, pois eles significam que estais no caminho para a liberdade e força! Considerai-os como uma dádiva, donde surgem proveitos para vós e, brincando, os transporeis.

Ou eles são colocados à vossa frente para que aprendais com isso e vos desenvolvais, com o que aumentais vossos recursos para a ascensão, ou são efeitos retroativos de alguma culpa, que com isso redimireis e da qual vos podeis libertar. Em ambos os casos vos levarão para diante. Assim, ide em frente, é para vossa salvação!

 

É tolice falar de golpes do destino ou provações. Cada luta e cada sofrimento é progresso. Com isso o ser humano terá ensejo de anular sombras de culpas anteriores, pois nenhum centavo pode ser perdoado para cada um, porque o circular de leis eternas no Universo é também aqui inexorável, leis nas quais se revela a Vontade criadora do Pai, que assim nos perdoa e desfaz todas as trevas.

O menor desvio a isso reduziria o mundo em escombros, tão bem disposto e sabiamente ordenado se acha tudo.

Quem todavia tiver muita coisa a liquidar, não deverá tal pessoa desanimar então, apavorando-se diante do resgate de suas culpas?

Pode dar início a isso confiante e alegre, livre de quaisquer preocupações, logo que queira com sinceridade! Pois uma compensação pode ser criada através da corrente contrária duma força de boa vontade que no espiritual se torna viva como as demais formas de pensamento e se torna uma arma eficiente, capaz de livrar cada lastro de trevas, cada pesadume, e conduzir o “eu” para a Luz!

 

Força de vontade! Um poder não pressentido por tantas pessoas que, como um imã que nunca falha, atrai as forças iguais, fazendo-as crescer como avalanches, e unida a outros poderes espirituais semelhantes, atua retroativamente, atinge novamente o ponto de partida, portanto a origem, ou melhor ainda, o gerador, e o eleva para a Luz ou o arremessa mais profundamente ainda na lama e na sujeira! Conforme a espécie que o próprio autor desejou anteriormente.

Quem conhece essa ação recíproca permanente e infalível, existente em toda a Criação, que nela se desencadeia e desabrocha com inamovível certeza, esse sabe utilizá-la, tem amá-la, tem de temê-la! Para esse torna-se vivo gradualmente o mundo invisível que o rodeia, pois sente seus efeitos com tal nitidez, que liquida cada dúvida.

 

Tem de intuir as fortes ondas de atividade infatigável que agem sobre ele, proveniente do grande Universo, tão logo atente um pouco, sentindo finalmente que ele é o foco de fortes correntes, qual uma lente que faz convergir os raios solares sobre um ponto e acolá gera uma força que atua inflamando, podendo queimar e destruir, bem como curar e vivificar, trazer bênçãos, e também provocar um fogo abrasador!

E tais lentes sois também vós, capazes de, mediante vossa vontade, concentrar essas correntes invisíveis de força que vos atingem, emitindo-as reunidas num potencial para finalidades benéficas ou malévolas, conduzindo bênçãos ou destruições à humanidade. Fogo abrasador, sim, que podeis e deveis, com isso, acender nas almas: o fogo do entusiasmo para o bem, para o que é nobre e para a perfeição!

 

Para isso se faz mister apenas uma força de vontade que torna o ser humano de certa maneira o senhor da Criação, determinando seu próprio destino. Sua própria vontade lhe acarreta a destruição ou a salvação! Cria-lhe, com inexorável certeza, a recompensa ou o castigo.

Não temais, pois, que tal saber vos afaste do Criador ou vos enfraqueça a fé que nutristes até agora. Pelo contrário! O conhecimento dessas leis eternas, que podeis utilizar, deixa a obra da Criação parecer ainda mais sublime para vós, e obriga o pesquisador sincero a se prostrar de joelhos, absorto diante de tal grandeza!

E então jamais o ser humano quererá o mal. Agarrar-se-á com alegria ao melhor apoio que existe para ele: ao Amor! Amor por toda a Criação maravilhosa, Amor pelo próximo, a fim de também conduzi-lo à magnificência dessa usufruição, à consciência dessa força.

 

Abdruschin

 

Excerto da Dissertação 05 “Despertai” da obra “Mensagem do Graal” Na Luz da Verdade, volume I

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