Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

Mensagem do Graal

“Na Luz da Verdade – Mensagem do Graal” é uma obra escrita em três volumes pelo escritor Oskar Ernst Bernhardt sob o nome literário Abdruschin.

Mensagem do Graal

“Na Luz da Verdade – Mensagem do Graal” é uma obra escrita em três volumes pelo escritor Oskar Ernst Bernhardt sob o nome literário Abdruschin.

Enrijecimento

Na Criação tudo é movimento. O movimento, originado através da pressão da Luz, completamente de acordo com a lei, produz calor e permite o surgimento de formas. Sem Luz não poderia, portanto, haver movimento e assim pode o ser humano imaginar que o movimento seja muito mais rápido e mais forte na proximidade da Luz do que em distâncias longínquas.

Realmente será também o movimento mais lento e mais vagaroso pela distância da Luz, podendo isso levar com o tempo ao Enrijecimento de todas as formas já constituídas por um movimento anterior mais intenso.

Sob a expressão “Luz” não se deve naturalmente compreender neste caso a Luz de algum astro, e sim a Luz Primordial, que é a própria vida, portanto, Deus!

 

Em complemento ao quadro dado, apresentando uma visão ampla sobre os processos na Criação, quero hoje dirigir a atenção para a Terra, que atualmente descreve seu círculo numa distância muito mais afastada da Luz Primordial do que sucedia há muitos milhões de anos, porque ela cada vez mais foi abandonada ao pesadume das trevas por meio dos seres humanos que se afastaram de Deus por presunção ridícula, num cultivo excessivo e unilateral do raciocínio, que só é dirigido para baixo, para a matéria grosseira, e aí permanecerá sempre, pois para isso foi dado, mas na suposição duma límpida capacidade recetiva de todas as irradiações e impressões do alto, dos páramos luminosos.

Ao cérebro anterior (*) cabe todo o trabalho do raciocínio para atividades exteriores nas camadas mais grosseiras, isto é, na matéria, cabendo todavia ao cérebro posterior a receção e transmissão, para elaborar as impressões de cima, que são mais leves e mais luminosas do que a matéria grosseira.

 

Essa ação conjunta e harmónica dos dois cérebros, dada aos seres humanos para seu benefício, foi perturbada pela propensão humana só para as coisas terrenas, isto é, para a atuação na matéria grosseira e, com o tempo, completamente suprimida, e a bem dizer quase estrangulada, porque o cérebro anterior, devido a ocupações mais intensas, acabou com o tempo se desenvolvendo mais em relação ao cérebro posterior, que permaneceu desprezado e se tornou por conseguinte mais enfraquecido e menos recetível. Com isso formou-se há milénios o mal hereditário através da reprodução na matéria grosseira, pois já as crianças traziam ao nascer o cérebro anterior muito mais desenvolvido que o cérebro posterior, donde se originou o perigo do despertar do pecado hereditário que consiste no pensar obrigatório, de antemão condicionado, exclusivamente para o que é terreno, portanto, para o que é desviado de Deus.

 

Isso será compreensível sem mais nem menos para qualquer ser humano de vontade sincera; além disso, eu o expliquei minuciosamente em minha Mensagem.

Todo o mal na Terra originou-se daí, pelo facto de o ser humano, devido à sua origem espiritual, ter podido fazer, com a sua vontade, pressão sobre tudo o mais existente na Terra, ao passo que exatamente ele, devido a essa origem espiritual, poderia e deveria ter agido, elevando, pois essa foi e é a sua verdadeira missão na Criação posterior, onde naturalmente tudo quanto é espiritual atua guiando. Mas pode guiar para cima, como seria natural, bem como também para baixo, quando a vontade do espiritual anseia predominantemente apenas para as coisas terrenas, como é o caso do ser humano terreno.

 

No saber da Criação já dado por mim em minha Mensagem, e nos esclarecimentos a isso ligados, do funcionamento automático das leis atuantes na Criação, que também podem ser chamadas leis da natureza, mostra-se sem lacunas todo o tecer da Criação, deixando reconhecer claramente todos os fenómenos e com isso a razão de toda a existência humana, desenrolando também em intangível sequência, de onde vem e para onde vai, dando por essa razão resposta a cada pergunta, assim que o ser humano procure seriamente por isso.

Neste ponto devem se conter até mesmo os adversários mais malévolos, pois com todas as suas astúcias não são suficientes para penetrar de forma destrutiva nos fundamentos perfeitos do que ficou dito, a fim de tirarem também este auxílio dos seres humanos.

 

Falei que o movimento na Criação tem de se tornar cada vez mais lento, quanto mais distante se encontrar da Luz Primordial, que é o ponto original da pressão, que traz como consequência o movimento.

Assim acontece atualmente com a Terra. Seus círculos afastam-se cada vez mais, devido à culpa da humanidade terrena, com isso as movimentações tornam-se mais lentas, cada vez mais indolentes e devido a isso muita coisa já se encontra próximo do estado inicial de enrijecimento.

Também o enrijecimento tem muitos degraus, e no começo não é fácil ser reconhecido. Mesmo durante seu progresso torna-se impossível o reconhecimento, a não ser que um vislumbre de Luz estimule uma observação mais aguda.

 

Já por isso é difícil, porque tudo quanto vive no círculo das movimentações, que vão se tornando cada vez mais vagarosas, acaba proporcionalmente sendo puxado para a crescente condensação que leva ao enrijecimento. Aliás, não somente o corpo da criatura humana, mas tudo, inclusive seu pensar. Isso acontece mesmo nas coisas mínimas. Todas as noções modificam-se e deslocam-se impercetivelmente, inclusive o próprio sentido do idioma.

O ser humano não poderá notá-lo em seu próximo, uma vez que ele mesmo está sendo arrastado em idêntico movimento lerdo, se não procurar, lutando, levantar-se espiritualmente ainda uma vez, com a máxima vontade e com tenacidade, a fim de conseguir tornar a aproximar-se um pouco mais da Luz, com o que seu espírito gradualmente se torna mais ágil e assim mais leve, mais luminoso, e influencia no reconhecimento terreno.

 

Então, tomado de espanto, verá, ou pelo menos intuirá com horripilante pavor, até que ponto as distorções de todos os conceitos já se foram enrijecendo nesta Terra. Falta a visão ampla do essencial, porque tudo está comprimido entre fronteiras estreitas e inabrangíveis, que já se tornaram intransponíveis e que em determinado tempo sufocarão tudo quanto englobam.

Já assinalei muitas vezes os conceitos torcidos, mas agora estes lentamente se dirigem caminho abaixo, para o enrijecimento, na distância contínua da Luz.

Não é necessário dar exemplos isolados, tais esclarecimentos já não seriam mais levados em conta, ou tidos como inoportuno jogo de palavras, porque as pessoas estão demasiado enrijecidas ou indolentes para desejar pensar nisso mais profundamente.

 

Já me referi também suficientemente ao poder da palavra, ao mistério que mesmo a palavra humana pode temporariamente construir ou destruir no âmbito da Terra, na atuação da Criação, pois pelo timbre, pelo tom e pela composição duma palavra são postas em movimento forças da Criação, que não agem segundo o sentido dado por quem fala, e sim segundo a significação específica da palavra.

A significação, porém, foi dada outrora através das forças que a palavra põe em movimento e as quais devido a isso estão exatamente sintonizadas com o sentido verto ou, pelo contrário, não segundo a vontade de quem fala. Sentido e palavra surgiram do correspondente movimento de forças, por isso formam uma só coisa inseparável!

O pensar do ser humano põe em movimento, por sua vez, outras correntes de força, que correspondem ao sentido do pensamento. Por isso os seres humanos deveriam esforçar-se por escolher palavras certas para a expressão de seu pensamento, portanto, intuir mais claro e certo.

 

Suponhamos que uma pessoa seja interrogada a respeito duma coisa que ouviu e talvez mesmo de que pôde ver uma parte. Interrogada, ela afirmaria imediatamente que a sabe!

Segundo a opinião de muitas pessoas superficiais, essa resposta seria certa, todavia é em verdade errada e condenável, pois “saber” quer dizer poder dar informação exata sobre tudo, desde o começo até o fim, com todas as particularidades, sem lacunas, e de experiência vivencial própria. Só então pode uma pessoa falar que a sabe.

Reside uma grande responsabilidade na expressão “saber” e na noção que lhe está ligada!

Já acentuei também uma vez a grande diferença entre o “saber” e o “aprendido”. A erudição ainda está muito longe do verdadeiro saber, que só pode ser algo próprio individual, ao passo que o aprendido é a aceitação de alguma coisa fora do âmbito pessoal.

Ouvir algo e em parte talvez também ver ainda está longe do próprio saber! O ser humano não deve afirmar: eu sei isto, mas poderá no máximo dizer: vi ou ouvi falar daquilo; mas se ele quiser agir direito, de acordo com a verdade, será obrigado a dizer: eu não sei!

 

Será em qualquer circunstância um procedimento mais acertado do que narrar algo com que absolutamente não tem nada a ver, o que, portanto, também não pode ser um saber real, ao passo que, com um relato parcial, só pode lançar suspeitas ou fazer carga sobre outras pessoas, talvez até mesmo desnecessariamente lançá-las na desgraça, sem conhecer as verdadeiras conexões. Por conseguinte, pesai meticulosamente com vossa intuição cada palavra que quiserdes empregar.

Quem pensa mais profundamente, não se contentando com conceitos já enrijecidos, que servem de autodesculpa para tagarelas presunçosos e para a má vontade, esse compreenderá facilmente as explicações e aprenderá a examinar serenamente e com visão mais ampla tudo quanto tiver que falar.

Já inúmeros de tais conceitos restritos, com suas consequências nocivas entre os seres humanos terrenos, se tornaram costume, sendo avidamente agarrados e nutridos pelos escravos do raciocínio, como os instrumentos mais espontâneos das influências luciferianas das trevas mais pesadas.

 

Aprendei a observar atentamente as correntezas nesta Criação e a utilizá-las direito, pois trazem em si a Vontade de Deus e com ela a Justiça de Deus em forma pura. E então tornareis a encontrar também vossa legítima condição humana, que fora arrebatada de vós.

Quanto sofrimento será evitado assim, e a quantas pessoas desejosas de fazer o mal entre as criaturas humanas será tirada também a possibilidade de ação!

A esse mal se deve atribuir também o facto de a descrição da existência terrena de Jesus, o Filho de Deus, não ser concorde em todos os pontos com os factos, razão pela qual no decorrer do tempo até hoje surgiu no pensar das criaturas humanas um quadro inteiramente falso. De idêntico modo foram distorcidas as palavras dadas por ele, como aconteceu com todos os ensinamentos que foram elevados a religião e que deviam trazer ao ser humano elevação e aperfeiçoamento do espírito.

 

E nisso reside também a grande confusão entre todos os seres humanos, que cada vez podem se entender menos, reciprocamente, o que faz crescer e florescer o descontentamento, a desconfiança, a calúnia, a inveja e o ódio.

Tudo isso são sinais infalíveis do progressivo enrijecimento na Terra!

Erguei vosso espírito, principiai a pensar e falar com visão ampla e total! Isto condiciona naturalmente também que trabalheis não somente com o raciocínio, que faz parte da matéria mais grosseira, como também que deis novamente a vosso espírito as possibilidades de guiar vosso raciocínio, que deve servi-lo, conforme as determinações de vosso Criador, que desde o início vos deixou surgir sem mácula aqui na Terra.

 

São tantas as coisas que já se acham na primeira fase do enrijecimento, que breve poderá ser tomado todo o vosso pensar, devendo seguir canais inflexíveis e férreos que só vos trarão ainda mal-estar, sofrimento sobre sofrimento, e que acabarão reduzindo vossa condição humana ao estado de máquina sem conteúdo, servindo apenas às trevas, distanciada de toda a Luz.

 

Abdruschin

 

(*) Nota de tradução: como cérebro anterior devemos entender o cérebro propriamente dito, e como cérebro posterior devemos entender o cerebelo.

 

Dissertação 09 “Enrijecimento” da obra “Na Luz da Verdade-Mensagem do Graal”, volume I

Arquivo

  1. 2015
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D

Mensagens