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Mensagem do Graal

“Na Luz da Verdade – Mensagem do Graal” é uma obra escrita em três volumes pelo escritor Oskar Ernst Bernhardt sob o nome literário Abdruschin.

Mensagem do Graal

“Na Luz da Verdade – Mensagem do Graal” é uma obra escrita em três volumes pelo escritor Oskar Ernst Bernhardt sob o nome literário Abdruschin.

Fenómeno universal

Não há perigo maior para uma coisa do que deixar uma lacuna, cuja necessidade de preenchimento muitas vezes se sente de modo intuitivo. Nada adianta querer passar por cima disso, porque tal lacuna impede cada progresso, e um dia deixará ruir uma construção que sobre isso for erigida, mesmo que seja executada com a maior habilidade e com material deveras bom.

Assim se apresentam hoje as diversas comunidades religiosas cristãs. Com tenaz energia fecham os olhos e ouvidos ante muitos trechos de suas doutrinas que deixam perceber uma falta de lógica. Com palavras ocas procuram passar por cima disso, em lugar de realmente se ocuparem com isso de modo sério.

Intuitivamente sentem, sim, o perigo de que as pontes, provisoriamente estendidas sobre tais abismos, mediante uma doutrina de fé cega, poderão um dia não mais ser suficientes, temendo o momento em que essa construção frágil se tornará reconhecível pela elucidação. Sabem igualmente que então ninguém mais será induzido a tomar caminho tão falso, com o que, evidentemente, a sólida construção progressiva que então novamente continua e o caminho deverão igualmente ficar vazios. E sabem, do mesmo modo, que uma única rajada de verdade refrescante afastará tais configurações artificiais.

 

Contudo, na falta de algo melhor, procuram, não obstante todos os perigos, segurar-se no pranchão oscilante. Estão até mesmo decididos, antes de mais nada, a defendê-lo por todos os meios e a eliminar quem quer que ouse oferecer uma passagem mais sólida pela própria Verdade. Tentariam repetir sem hesitar o mesmo processo que se desenrolou há quase dois mil anos passados nesta Terra, que ainda lança sua sombra até os dias de hoje, e o qual, no entanto, eles mesmos transformaram no foco principal de suas doutrinas e de suas crenças, como grande acusação contra a cegueira e a teimosia prejudicial das criaturas humanas.

Foram os representantes de religiões e os eruditos daqueles tempos que, por sua estreiteza dogmática e por sua presunção que demonstra fraqueza, não puderam reconhecer a Verdade nem o Filho de Deus, mantendo-se também fechados diante disso e ainda odiando-o e perseguindo-o, bem como a seus adeptos, levados pelo medo e pela inveja, ao passo que outras pessoas se abriam com mais facilidade ao reconhecimento e sentiam intuitivamente mais depressa a Verdade da Palavra.

Apesar dos atuais representantes das comunidades religiosas cristãs fazerem alarde sobre a vida de sofrimentos do Filho de Deus, não chegaram a aprender nada desse facto, nem proveito algum tiraram disso. Justamente os atuais dirigentes dessas comunidades, fundamentadas nos ensinamentos de Cristo, bem como os dos movimentos mais recentes, também hoje tentariam novamente eliminar cada um que através da própria Verdade pusesse em perigo as passagens inseguras estendidas sobre lacunas ou abismos periclitantes de seus ensinamentos e interpretações. Persegui-los-iam com seu ódio nascido do medo e bem mais ainda oriundo da vaidade, tal qual uma vez já ocorreu.

Faltar-lhes-ia a grandeza de suportar que seu saber não seria suficiente para reconhecer a própria Verdade e preencher as lacunas, afim de, com isso, aplainar o caminho dos seres humanos, para mais fácil compreensão e perfeito entendimento.

E não obstante, para a humanidade só é possível uma ascensão através do pleno reconhecimento, jamais pela crença cega e ignorante!

 

Uma tal lacuna transmitida por falsas tradições vem a ser o conceito relativo ao “Filho do Homem”. Agarram-se doentiamente a isso, semelhante aos fariseus que não quiseram se abrir à Verdade através do Filho de Deus, colocada à frente de suas tradicionais e rígidas doutrinas.

Cristo se referiu a si apenas como o Filho de Deus. Longe estava de possuir a falta de lógica de se cognominar ao mesmo tempo como Filho do Homem.

Se, devido às próprias dúvidas, se tiver tentado esclarecer com a maior capacidade e habilidade em todas as direções essa contradição patente entre o Filho de Deus e o Filho do Homem, sentida intuitivamente por toda pessoa que reflita sensatamente, então não pode ser afirmado, apesar de todos os esforços, que tenha sido encontrada uma unificação.

 

A melhor de todas as interpretações sempre tem que mostrar de novo uma natureza dupla, permanecendo uma ao lado da outra, jamais, porém, podiam se apresentar como uma coisa só.

Isso também se encontra inteiramente na natureza da questão. O Filho de Deus não pode se tornar o Filho do Homem apenas por que teve que nascer dum corpo humano para poder caminhar pela Terra.

De cada cristão é sabido que o Filho de Deus veio explicitamente em missão espiritual e que todas as suas palavras se referiam ao reino espiritual, isto é, diziam respeito ao espiritual. Por conseguinte também não se deve de antemão entender de modo diferente a sua repetida indicação ao Filho do Homem! Porque deve haver aqui uma exceção? Espiritualmente, porém, Cristo foi e sempre permaneceu somente o Filho de Deus!

 

Quando falava do Filho do Homem, por conseguinte, não podia se referir a si mesmo. Há em tudo isso algo muito mais grandioso do que transmitem as atuais interpretações das religiões cristãs. A contradição declarada já devia desde muito ter estimulado meditações mais sérias, se as restrições dogmáticas não obscurecessem tudo. Ao invés disso agarraram-se com toda a força às palavras transmitidas, sem a mais séria análise, absolutamente indispensável em assuntos tão incisivos e colocaram desse modo antolhos, impedindo a visão livre.

[…]

Errada é cada tradição que afirma haver Jesus, o Filho de Deus, se designado como sendo simultaneamente também o Filho do Homem. Tal falta de lógica não se encontra nas leis Divinas, nem pode ser atribuída ao Filho de Deus, como conhecedor e portador dessas leis.

Os discípulos não tinham conhecimento disso, conforme se depreende de suas próprias perguntas. É só deles que surgiu o erro, que até hoje tem perdurado. Supunham que o Filho de Deus se designava si mesmo com a expressão Filho do Homem, e nessa suposição propagaram o erro também à posteridade, a qual, da mesma forma que os discípulos, não se ocupou mais seriamente com a falta de lógica aí inerente, mas simplesmente passou por cima disso, em parte por temor, em parte por comodidade, apesar de que na retificação o Amor universal do Criador ainda sobressai mais nítido e mais poderoso.

 

Seguindo as pegadas do Filho de Deus, isto é, tomando e prosseguindo sua missão, o Filho do Homem como enviado de Deus-Pai irá de encontro à humanidade, a fim de arrancá-la de volta, pela anunciação da Verdade, do trajeto de até então e, de voluntária decisão, levá-la a uma outra sintonização, que desvie dos focos de destruição que agora a aguardam.

 

Filho de Deus - Filho do Homem! Que nisso deva haver uma diferença, evidentemente não é tão difícil concluir. Cada uma dessas palavras tem seu sentido nitidamente delimitado e estritamente expresso, que uma mistura e fusão em uma só coisa tem que ser taxada diretamente de preguiça do pensar. Ouvintes e leitores das dissertações certamente terão consciência do desenvolvimento natural que, partindo da Luz primordial, Deus-Pai, se estende para baixo, até o corpo do mundo de matéria grosseira. O Filho de Deus veio do Divino-inenteal, atravessando depressa todos os planos, para se encarnar no mundo de matéria grosseira. Um fenómeno de irradiação. Por isso deve com todo o direito ser chamado o Filho de Deus feito carne. A rapidez com que atravessou o espirito-enteal, donde se origina o espirito humano, não deixou que ele se detivesse lá o suficiente, bem como na subsequente parte da matéria fina da Criação, para que seu núcleo Divino-inenteal pudesse levar consigo fortes invólucros protetores dessas diversas espécies, mas sim estes invólucros, normalmente servindo de couraça, permaneceram ténues.

 

Isso trouxe a vantagem de que a essência Divina irradiasse mais fácil e mais fortemente, portanto irrompesse, mas também a desvantagem de que nos planos inferiores da Terra, hostis à Luz, pudesse ser tanto mais rapidamente combatida e furiosamente agredida devido ao destaque. O poderoso Divinal, apenas tenuemente coberto no invólucro de matéria grosso-terrenal, teve que ficar estranho entre as criaturas humanas por estar demasiadamente distante.

Expresso figuradamente, poder-se-ia dizer, portanto, que seu núcleo Divino não se achava suficientemente preparado e armado para o terrenal inferior de matéria grosseira, devido à carência de agregação proveniente do espirito-enteal e da matéria fina. O abismo entre o Divinal e o terrenal ficou apenas fracamente transposto.

Uma vez que os seres humanos não deram apreço nem preservaram essa dádiva do Amor Divino, mas sim, devido ao impulso natural de tudo quanto é das trevas, enfrentaram o luminoso Filho de Deus com hostilidades e ódio, assim tinha que vir um segundo emissário no Filho do Homem, mais fortemente armado para o mundo de matéria grosseira.

 

Também o Filho do Homem é um enviado de Deus, proveniente do Divino-inenteal. Igualmente um processo de irradiações. Antes, porém, de seu envio ao mundo de matéria grosseira, foi inserido no eterno espírito-primordial-enteal, isto é, estreitamente ligado com a essência espiritual, donde promana a semente do espírito humano! Com isso o núcleo Divino-inenteal desse segundo enviado se aproxima bem mais do espírito humano em sua origem, pelo que ganha ele também maior proteção e imediata força contra este.

Somente daí deu-se então o seu envio ao mundo de matéria grosseira, numa época em que ele, em hora determinada, possa entrar no campo de luta, a fim de poder apontar, aos que buscam Deus com sinceridade, pedindo por condução espiritual, o caminho certo ao Reino do Pai, e ao mesmo tempo conceder proteção contra os ataques dos que propendem para baixo e lhes são hostis.

Velai, portanto, a fim de o reconhecerdes, assim que tenha chegado a hora dele, pois ele também vos fará chegar a hora!

 

Abdruschin

                        

Excerto da Dissertação 38 “Fenómeno Universal” da obra “Na Luz da Verdade - Mensagem do Graal”, volume II

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