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Mensagem do Graal

“Na Luz da Verdade – Mensagem do Graal” é uma obra escrita em três volumes pelo escritor Oskar Ernst Bernhardt sob o nome literário Abdruschin.

Mensagem do Graal

“Na Luz da Verdade – Mensagem do Graal” é uma obra escrita em três volumes pelo escritor Oskar Ernst Bernhardt sob o nome literário Abdruschin.

Moralidade

Sobre a humanidade paira como que uma escura nuvem de tempestade. Sufocante está a atmosfera. De modo apático, sob pressão abafada, trabalha a capacidade de intuição de cada um. Somente os nervos se encontram excessivamente tensos, atuando sobre a sensibilidade e os instintos do corpo. Estimulados artificialmente pelos erros de uma educação falsa, duma conceção errónea e autoilusão.

O ser humano de hoje não é a tal respeito um ser normal, mas sim, traz consigo um instinto sexual doentio, muito aumentado, que procura exaltar, adorando-o por centenas de formas e maneiras, o que acarretará a perdição da humanidade inteira.

 

Sendo tudo isso contagioso e transmissível como um hálito pestífero, acabará com o tempo atuando também sobre aqueles que procuram prender-se ainda angustiosamente a um ideal, cujos vislumbres ainda enxergam no esconderijo da semiconsciência. Estendem, sim, ansiosos os braços para isso, mas desesperados acabam tornando a baixá-los, suspirando sem esperança, quando voltam o olhar para o que os cerca.

Veem apavorados e impotentes com que velocidade se vai toldando a visão clara em relação à moralidade e imoralidade, perdendo a faculdade de discernimento, modificando a pauta dos conceitos nisso e, de tal modo, que muito daquilo que não faz muito tempo causava repugnância e desprezo rapidamente passa a ser admitido como inteiramente natural, já não escandalizando mais.

Mas o cálice em breve estará cheio até às bordas. Há-de sobrevir um terrível despertar.

 

Mesmo agora já se nota às vezes entre essas massas fustigadas pelos instintos um repentino e tímido encolhimento, inteiramente inconsciente e irrefletido. A incerteza se apodera por um instante de mais de um coração, não ocorre um despertar, uma noção nítida de sua atuação indigna. Acode então um zelo redobrado para jogar fora ou então abafar tais “fraquezas” ou “últimos resquícios” de conceitos antiquados.

Progresso a todo o custo! Mas progredir é possível em duas direções. Para cima ou para baixo. Conforme a escolha feita. E conforme a situação presente, conduz com velocidade sinistra para baixo. O choque terá de arrebentar os que assim embarafustam para baixo, quando soar a hora em que eles se batem contra uma resistência forte.

 

A nuvem de tempestade se condensa cada vez mais sinistramente nesse ambiente abafadiço. A qualquer momento é de se esperar o primeiro relâmpago, que rasga e clareia a escuridão, que ilumina flamejantemente o que está mais escondido, com uma inexorabilidade e agudeza que traz em si libertação para aqueles que anseiam pela Luz e clareza, trazendo, porém, destruição para aqueles que não mais têm anseio pela Luz.

Quanto mais tempo dispuser essa nuvem para densificar sua escuridão e pesadume, tanto mais penetrante e apavorante será o raio produzido por ela. Desaparecerá a atmosfera frouxa e branda que esconde nas dobras de sua indolência cobiças viscosas, pois seguir-se-á ao primeiro relâmpago naturalmente uma corrente de ar fresco e sadio, trazendo vida nova. Na claridade fria da Luz tronar-se-ão nítidas, de chofre, diante dos olhares da humanidade horrorizada, todas as monstruosidades da fantasia mórbida de suas mentiras de falso brilho.

 

Como o abalo de um poderoso trovão será o despertar nas almas, de modo que o manancial de água vivificante da Verdade Pura possa jorrar bramante sobre o solo assim preparado. O dia da liberdade desponta. Libertação do jugo de imoralidade que desde milénios existiu e agora à máxima florescência.

Olhai em torno de vós! Observai as leituras, as danças, as roupas! A época atual esforça-se, mais do que nunca, para destruir todas as barreiras entre os dois sexos, turvar sistematicamente a pureza da intuição, deforma-la com essa turvação, colocando-lhe máscaras enganadoras e fazendo o possível para finalmente asfixiá-la.

As reflexões que surgem os seres sufocam com palavras sonantes, as quais, porém, examinadas nitidamente, apenas provêm do trémulo instinto sexual, a fim de dar sempre nova nutrição às cobiças, de incontáveis maneiras hábeis e inábeis, de modo escondido e não escondido.

 

Falam de um início de uma humanidade livre e autónoma, de um desenvolvimento da estabilização interior, de cultura física, beleza da nudez, de esporte enobrecido, e da educação para a vivificação do lema: “Aos puros, tudo é puro!” Em suma: o soerguimento do género humano por meio da extinção de todo o “pudor”, de maneira a assim ser criado o ser humano livre e nobre que deve dominar no futuro! Ai daquele que ousar falar algo em contrário! Um tal atrevido será imediatamente apedrejado, sob grande vozerio, com insultos parecidos com afirmações, de que somente pensamentos impuros poderiam movê-lo a “achar algo nisso”!

Um furioso redemoinho de águas podres, das quais se evola uma emanação entorpecedora e venenosa que, como embriaguez de morfina, desencadeia ilusões mórbidas aos sentidos, nas quais se deixam deslizar permanentemente milhares e milhares de pessoas, até sucumbir enfraquecidas nisso.

 

O irmão procura ensinar a irmã; os filhos seus pais. Como um dilúvio, isso passa sobre todos os seres humanos, e furioso embate de ondas surge onde quer que alguns criteriosos reajam tomados de náusea, isolados como os recifes no mar. A esses se agarram muitos que no turbilhão percebem que as forças lhes estão faltando. Apraz ver esses pequenos grupos que são com os oásis no deserto. Do mesmo modo refrescante como aqueles, convidando para repouso e descanso o viajante que, lutando penosamente, conseguiu atravessar a terrível tempestade de areia.

Tudo quanto hoje em dia está sendo pregado sob os lindos mantos do progresso, outra coisa não é senão um disfarçado incremento do descaramento, o envenenamento de todos os sentimentos intuitivos mais elevados do ser humano. A maior epidemia que jamais se abateu sobre a humanidade. E esquisito: é como se muitos apenas tivessem aguardado que um pretexto cabível lhes fosse dado para se rebaixarem. Para incontáveis pessoas isso é mais do que bem-vindo!

Entretanto, quem conhece as leis espirituais que atuam no Universo afastar-se-á com repugnância dessas tendências atuais. Tomemos por exemplo apenas um desses “inofensivos” divertimentos: “Os banhos em conjunto”.

 

“Para o puro, tudo é puro!” Isso soa tão bem, que sob a proteção desse acorde muita coisa acaba sendo permitida. Analisemos, contudo, os mais simples fenómenos com referência à matéria fina durante um desses tais banhos. Admitamos que ali estejam trinta pessoas de ambos os sexos, e que dessas, vinte e nove sejam realmente em todos os sentidos puras. Uma suposição que de antemão já é de todo impossível, pois o contrário é que seria mais certo, conquanto ainda raro. Todavia suponhamos tal coisa.

Esse um, o trigésimo, incentivado pelo que está vendo, tem pensamentos impuros, muito embora aparentemente talvez se comporte corretamente. Tais pensamentos tomam forma imediatamente na esfera da matéria fina, dirigem-se para o objeto de sua contemplação e aí se prendem. Isso é uma conspurcação, quer se objetive em manifestações e factos quer não!

A pessoa assim atingida sairá dali levando consigo essa conspurcação, que poderá atrair formas de pensamentos semelhantes que vagueiam em torno. Dessa maneira torna-se cada vez mais denso em torno dessa pessoa, podendo finalmente influenciá-la e envenena-la, do mesmo modo que a trepadeira envolvente muitas vezes consegue matar a mais sadia árvore.

 

Eis os fenómenos relativos à matéria fina, nos chamados “inofensivos” banhos em conjunto, jogos de sociedade, danças e tantos outros divertimentos.

Ponderemos, outrossim, que tais banhos e divertimentos, duma ou de outra forma, só são frequentados por aqueles que conscientemente procuram algo para incentivar especialmente seus pensamentos e sentimentos, mediante tais contemplações! Não é, pois, difícil de explicar que sujeira com isso é cultivada, sem que exteriormente se note algo na esfera de matéria grosseira.

Da mesma forma se torna compreensível que essa nuvem sempre crescente e condensante de formas de pensamentos voluptuoso tem que, gradualmente, atuar sobre um número incontável de pessoas que por si não procuram tais coisas. Nelas vão surgindo primeiro de modo fraco, depois mais forte e mais vivo, pensamentos análogos, que vão sendo alimentados constantemente por muitas formas do assim chamado “progresso” do seu ambiente, e assim um após outro desliza para dentro da corrente escura e viscosa, onde as normas da autêntica pureza e o conceito de moralidade cada vez se vão toldando mais, até arrastarem tudo às profundidades da escuridão completa.

 

Esses ensejos e estímulos para tais excrescências proliferantes devem ser eliminados antes de mais nada! Não passam de incubadoras onde os vermes pestíferos de seres humanos imorais podem lançar seus pensamentos que, a seguir, vicejando, crescem e devastadoramente se alastram sobre toda a humanidade, criando sempre novos focos de proliferação e constituindo por fim apenas um campo enorme de excrescências asquerosas, das quais emana um halo venenoso que sufoca até mesmo o que é bom.

Libertai-vos desse torpor que, qual entorpecente, só aparenta um fortalecimento, mas que na verdade só consegue atuar enfraquecendo e destruindo.

É evidente, conquanto também entristecedor, que seja exatamente o sexo feminino que em primeira linha exagera tudo ao máximo, rebaixando-se, sem escrúpulos em seus vestuários, à condição devassa de mulher de rua.

Isso só prova, porém, a exatidão do que ficou esclarecido a propósito dos fenómenos da matéria fina. É exatamente a mulher que, primeiro e mais amplamente, por uma maior capacidade de intuição, recebe e colhe esse veneno do pestífero mundo de formas de pensamentos de matéria fina, sem mesmo se dar conta disso. Ela se acha mais exposta a esses perigos, e por isso é arrastada primeiro e se deixa levar com incompreensível rapidez, ultrapassando quaisquer limites.

 

Não é em vão que se diz: “ A mulher, quando ruim, é pior do que o homem!” Isso se patenteia em tudo, seja na crueldade, no ódio ou no amor! O procedimento da mulher será sempre o resultado do mundo de matéria fina que a envolve. Nisso, naturalmente, existem exceções. Por essa razão também ela não está isenta de responsabilidade, pois consegue perceber as influências que investem sobre ela e dirigir sua vontade e seu atuar conforme seu arbítrio se… ela quiser! Que isso, infelizmente, não aconteça com a maioria é uma falta do sexo feminino, que decorre em virtude da ignorância sobre tais coisas.

O pior para os tempos atuais é que na realidade a mulher também tem o futuro do povo em suas mãos. E isso se dá por serem suas condições mais decisivas do que as dos homens, sobre os descendentes. Que decadência, consequentemente, trará o futuro! Inevitável! Não poderá ser detida pelas armas, pelo dinheiro, nem pelos inventos. Também não pela bondade, nem pelas manobras politicas. Aí devem vir meios mais incisivos.

 

Mas não cabe somente à mulher essa culpa enorme. Ela será sempre apenas a imagem fiel daquele mundo de formas de pensamentos que paira sobre o seu povo. Isso não deve ser esquecido. Respeitai e honrai a mulher, como tal e ela se formará por esse padrão, tornar-se-á aquilo que virdes nela, e com isso soerguereis todo o vosso povo!

Antes, todavia, cumpre que as mulheres passem por um grande processo de transformação. Conforme elas são atualmente, um restabelecimento só poderá ocorrer por meio de uma operação radical, por um corte implacável e violento que retire todas as excrescências com facas afiadas, e as atire no fogo! Do contrário, ela ainda destruirá todas as partes sadias.

Para essa intervenção necessária na humanidade inteira, marcha o tempo atual sem detença, depressa, cada vez mais depressa, desencadeando-a finalmente por si mesmo! Será doloroso e terrível, mas o fim será a cura. Só então terá chegado o tempo para se falar em moralidade. Hoje isto perder-se-ia como palavras jogadas na tempestade.

 

Depois de passada a hora, quando a Babel dos pecados tiver que sucumbir, desmoronando devido à sua podridão, observai então o sexo feminino! Sua conduta e seu procedimento mostrar-vos-ão sempre conforme sois, porque a mulher, devido à sua intuição mais fina, vive aquilo que as formas de pensamentos desejam.

Este facto nos dá também a certeza de que, com a pureza dos pensamentos e das intuições, a feminilidade será a primeira a se elevar com rapidez àquele modelo que consideramos um ser humano nobre. Então a moralidade aparecerá com todo o brilho de sua pureza!

 

Abdruschin

 

Dissertação 04 “Moralidade” da obra “Na Luz da Verdade-Mensagem do Graal”, volume I

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