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Mensagem do Graal

“Na Luz da Verdade – Mensagem do Graal” é uma obra escrita em três volumes pelo escritor Oskar Ernst Bernhardt sob o nome literário Abdruschin.

Mensagem do Graal

“Na Luz da Verdade – Mensagem do Graal” é uma obra escrita em três volumes pelo escritor Oskar Ernst Bernhardt sob o nome literário Abdruschin.

O clamor pelo guia

Observemos, mais de perto, todos os seres humanos que hoje em dia procuram com particular insistência um guia espiritual e que o esperam com grande entusiasmo interior. Julgam-se já perfeitamente preparados espiritualmente para reconhecê-lo e para ouvir sua palavra!

O que observamos numa contemplação serena são muitíssimas cisões. A missão de Cristo, por exemplo, atuou de maneira esquisita, sobre muitas pessoas. Criaram para si uma falsa imagem. Como de hábito, a causa para tanto foi a autoavaliação incorreta, a arrogância.

Em lugar do temor de outrora e da conservação de uma distância natural e uma delimitação nítida com relação ao seu Deus, apenas se formaram de um lado súplicas lamurientas dos que só querem receber, mas nada fazer a qualquer preço. A expressão “Ora” eles aceitaram, mas o restante “e trabalha”, “trabalha em ti mesmo”, que a isso se liga, ignoraram.

 

De outro lado, novamente, acreditam ser tão autónomos, tão independentes, que tudo poderão fazer e, com algum esforço, até mesmo se tornarem Divinos.

Há também muitos seres humanos que só exigem e esperam que Deus corra atrás deles. Já que lhes tenha mandado Seu Filho uma vez, deu com isso prova do quanto Ele se interessa que a humanidade se aproxime Dele, sim, que Ele, talvez, até precise dela!

Para onde se olhar, só se encontrará em tudo arrogância, e nenhuma humildade. Falta a autoavaliação correta.

Antes de mais nada, é preciso que o ser humano desça da sua altitude artificial, a fim de poder se tornar verdadeiramente ser humano, para, como tal, iniciar sua ascensão.

Acha-se hoje sentado no sopé da montanha, em cima de uma árvore, todo enfatuado espiritualmente, em vez de estar com ambos os pés seguro e firme no solo. Assim nunca poderá escalar a montanha, a não ser que desça antes de cima da árvore ou de lá despenque.

Enquanto isso, provavelmente todos quantos trilharam calma e sensatamente seu caminho, sob sua árvore, e para os quais ele olhava com arrogância, já chegaram ao cume.

 

Mas os acontecimentos virão em seu auxílio, pois a árvore cairá em pouco tempo. Talvez o ser humano se conscientize melhor quando lá da altura vacilante cair rudemente no chão. E então estará mais do que em tempo, não devendo desperdiçar uma hora sequer.

Ainda agora muitos julgam que podem continuar na rotina, como nos passados milénios. Acomodados e confortáveis, estão sentados em suas cadeiras, esperando um guia forte.

Mas que ideia fazem desse auxiliador! Chega a causar dó.

Em primeiro lugar, esperam dele, ou, digamos melhor, exigem dele, que ele prepare o caminho para cada um, rumo à Luz! Tem ele que se esforçar para construir pontes para o caminho da Verdade aos adeptos de todas as confissões. Tem ele que tornar tudo tão fácil e compreensível, que cada qual possa compreender sem esforço… Suas palavras têm de ser escolhidas de tal modo, que os grandes e os pequenos de todas as camadas sociais se tornem convictos de sua exatidão, sem mais nem menos.

 

Tão logo as próprias criaturas humanas precisarem esforçar-se e refletir, então não é um guia certo. Pois se foi escolhido para mostrar o caminho certo como condutor, através de sua palavra, terá naturalmente que se esforçar em prol das criaturas humanas. Sua tarefa é convencê-las, despertá-las! Pois Cristo também deu sua vida.

Os que hoje assim pensam, e essas são muitos, nem precisam se esforçar, pois se assemelham às virgens tolas indo de encontro ao que é “tarde demais”!

O guia com certeza não os despertará, pelo contrário, deixará que continuem dormindo tranquilamente, até que a porta seja fechada e eles já não possam achar entrada para a Luz, visto não poderem se libertar em tempo certo do âmbito da matéria, para o que a palavra do guia lhes indicou o caminho.

Pois o ser humano não é tão preciso quanto imagina. Deus não precisa dele, ele, sim, é que necessita de Deus!

 

Já quer a humanidade com seu chamado progresso hoje não sabe mais o que realmente quer, ver-se-á finalmente obrigada a saber o que deve!

Essa espécie de gente passará buscando e também criticando com superioridade, da mesma forma que tantos outrora passaram por Aquele, cuja vinda já fora preparada pelas revelações.

Como se pode imaginar um guia espiritual de tal maneira!

Não dará à humanidade nenhum palmo de qualquer concessão e exigirá em toda a parte onde se esperava que ele desse!

Aquele ser humano, porém, capaz de raciocinar de modo sério, logo reconhecerá que exatamente na exigência irrestrita, severa, de um atento pensar, repousa a melhor ajuda de que a humanidade, assaz emaranhada em sua indolência espiritual, necessita para sua salvação! Exatamente pelo facto de um guia exigir desde logo, para compreensão de suas palavras, vivacidade espiritual, vontade séria, auto-esforço, separa brincando, já no início, o joio do trigo. Existe aí uma atuação automática, como só se dá nas leis Divinas. E assim sucederá aos seres humanos, também nisso, como eles realmente querem.

 

Há, entretanto, mais outra espécie de criaturas humanas que se têm na conta de especialmente ativas.

Essas pessoas formaram uma ideia muito diferente do guia, conforme se pode ler em relatórios. Isso não é menos grotesco, pois esperavam nisso um… acrobata espiritual!

Em todo caso, milhares já estão convencidos de que a clarividência, a superaudição, a hipersensibilidade etc., constituam grande progresso, quando na realidade assim não é. Tais coisas, por mais que aprendidas e cultivadas, ou mesmo sendo dotes já trazidos, nunca podem erguer-se acima do pesadume terrestre, movimentam-se apenas em limites inferiores, limites esses que jamais poderão pretender níveis elevados, sendo, por essa razão, desprovidos de valor.

Pretender-se-á com isso ajudar a humanidade a subir, mostrando-lhes coisas da matéria fina do mesmo nível, ou ensinando-lhe a ouvi-las e vê-las?

Isso nada tem a ver com a real ascensão do espírito. Do mesmo modo que é inútil para os fenómenos terrenos! São acrobatas espirituais, nada mais, interessante para as pessoas individualmente, mas sem nenhuma espécie de valor para a humanidade em geral!

Que todos esses desejem um guia dessa espécie, que de facto saiba mais do que eles, é facilmente compreensível.

 

Todavia existe um número maior que deseja ir ainda mais longe, às raias do ridículo. E que, apesar disso, tomam isso muito a sério.

Para eles, por exemplo, vale como condição básica para a capacitação de guiar, que um guia… não possa resfriar-se! Caso se resfrie, está destituído, pois isso não corresponde segundo sua opinião a guia ideal. Um forte tem de em todos os casos e antes de mais nada ser superior a todas essas ninharias com o seu espírito.

Isso talvez soe um pouco forçado e ridículo; trata-se, porém, de factos colhidos, e significa uma repetição fraca da antiga exclamação: “Se és o Filho de Deus, então ajuda a ti mesmo e desce da cruz”. Isso bradam já hoje, antes mesmo de aparecer tal guia!

Pobres ignorantes seres humanos! Aquele que disciplina seu corpo de forma tão unilateral, que este se torne insensível temporariamente, sob a força do espírito, esse, de modo algum, é um vulto eminente! Os que o admiram parecem-se com a criançada de séculos passados que seguia de boca aberta e olhos arregalados os malabaristas que passavam contorcendo-se, e queria tanto poder imitá-los.

 

E tal qual a criançada daqueles tempos, nesse campo totalmente terreno, não mais progrediram muitos dos assim chamados buscadores do espírito e de Deus do tempo atual, no campo espiritual!

Prossigamos considerando: os saltimbancos dos velhos tempos, de que acabei de falar, desenvolveram-se cada vez mais, tornando-se acrobatas de circos e locais congéneres. Conseguiram alcançar proporções extraordinárias e ainda atualmente, dia após dia, milhares de espetadores exigentes assistem com pasmo, sempre de novo, e muitas vezes com calafrios a tais representações.

Porventura ganharam para si, com isso alguma coisa? Que lucro lhes advém de tais horas? Apesar de que muitos acrobatas também arriscam suas vidas nessas exibições. E sem o mínimo proveito, porque mesmo tendo alcançado tamanha perfeição, têm que continuar sempre apenas nos teatros de variedades e circos. Servirão sempre só para entretenimento, e nunca para qualquer vantagem da humanidade.

Uma acrobacia idêntica, no plano espiritual, é o que se procura agora como padrão para o grande guia!

Deixai tais criaturas humanas com esses acrobatas espirituais! Em breve experimentarão vivencialmente até onde isso as conduzirá! Ignoram também o que realmente querem conquistar com isso. Elas imaginam: Grande é apenas aquele cujo espírito domina o corpo, a ponto de não mais conhecer doença!

 

Todo esse aprendizado é unilateral, e a unilateralidade traz consigo mal-estar e doença! Com tais coisas não fortalecem o espírito, só conseguem enfraquecer o corpo! O indispensável equilíbrio para uma harmonia sadia entre o corpo e o espírito fica deslocado, e o fim é que o espírito acaba se desligando prematuramente do corpo assim maltratado, sem dispor mais da necessária ressonância sadia e vigorosa para a experiência vivencial na Terra. Mas o espírito sente essa falta e chega então imaturo ao Além. Será obrigado mais uma vez a fazer um estágio na Terra.

Trata-se tão-somente de artifícios espirituais que se processam à custa do corpo terreno, o qual, na realidade, deve auxiliar o espírito. O corpo pertence a uma fase do desenvolvimento do espírito. Caso seja enfraquecido e oprimido, não poderá ser útil ao espírito, pois suas irradiações serão fracas demais, para produzirem na matéria a energia total de que necessita.

 

Se um ser humano quer subjugar uma doença, tem que provocar espiritualmente a pressão de um êxtase sobre o corpo, da mesma forma como ocorre em escala pequena quando o medo pelo dentista possa afastar as dores. Tais elevados estados de agitação um corpo suporta certamente sem perigo uma vez, talvez mais vezes, mas não por períodos prolongados, sem sofrer sérios danos.

E quando um guia faz ou propõe isso, não merece ser tomado na conta de guia, pois com sua atuação está em contravenção com as leis naturais da Criação.

O ser humano terreno tem que preservar seu corpo, como um bem que lhe foi confiado, e procurar manter a harmonia sadia entre ele e o espírito. Caso esta seja perturbada mediante opressão unilateral, então deixará de ser progresso, ascensão; pelo contrário, será um estorvo incisivo para a realização de sua tarefa na Terra, bem como, aliás, na matéria. A força plena do espírito aí se perde com referência a seu efeito na matéria, porque ele necessita para isso, de qualquer modo, da força de um corpo terreno não subjugado, mas sim, que se harmonize com o espírito!

 

Aquele que, baseando-se em tais coisas, é chamado de mestre vale menos do que um aprendiz que desconhece de todo as incumbências do espírito humano e as necessidades de sua evolução! É até mesmo nocivo ao espírito.

Não tardarão a reconhecer dolorosamente sua tolice.

Cada falso guia, porém, terá que passar por experiências amargas! Sua ascensão no Além só principiará quando o último dos que ele transviou ou deteve com suas brincadeiras espirituais já tiver alcançado o reconhecimento. Enquanto seus livros, seus escritos tiverem influência aqui na Terra, ele permanecerá detido no Além, mesmo que nesse ínterim ali chegue a noções melhores.

Quem aconselhar práticas ocultas dá aos seres humanos pedra em lugar de pão, mostrando com isso que nem sequer possui uma ideia dos verdadeiros fenómenos no Além, e menos ainda de toda a engrenagem Universal.

 

Abdruschin

 

Dissertação 02 “O Clamor pelo Guia” da obra “Na Luz da Verdade-Mensagem do Graal”, volume I

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