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Mensagem do Graal

“Na Luz da Verdade – Mensagem do Graal” é uma obra escrita em três volumes pelo escritor Oskar Ernst Bernhardt sob o nome literário Abdruschin.

Mensagem do Graal

“Na Luz da Verdade – Mensagem do Graal” é uma obra escrita em três volumes pelo escritor Oskar Ernst Bernhardt sob o nome literário Abdruschin.

O crime da hipnose

Esquisito! Outrora combatia-se a afirmação de que a hipnose pudesse realmente existir, encontrando-se à frente desses muitos médicos. Chegavam ao ponto de chamar a hipnose de trapaça e fraude, conforme poucos antes já haviam feito com o magnetismo terapêutico, que hoje se tornou numa fonte de bênçãos para muitos. Os que o praticavam eram atacados violentamente, sendo chamados de charlatães e trapaceiros.

 

Hoje, por sua vez, são justamente os médicos que em grande parte se apropriaram da hipnose. Aquilo que outrora acusavam com as mais violentas expressões, hoje em dia defendem.

Isto pode ser julgado por dois lados. Quem examinar de modo objetivo a luta encarniçada daquele tempo, não poderá deixar hoje de reprimir naturalmente um sorriso, quando novamente tem de observar como os fervorosos adversários de outrora procuram, agora, com maior fervor ainda, aplicar a hipnose por eles tão desdenhada. Por outro lado, tem de ser reconhecido, por sua vez, que tal reviravolta, grotesca, ainda assim merece apreço. Necessária é certa coragem para se expor ao perigo do ridículo, que justamente neste caso está bem próximo.

Deve-se reconhecer nisso a sinceridade, que realmente deseja ser útil à humanidade e, por esse motivo, não recua assustada, mesmo se expondo a tal perigo.

 

Lamentável é apenas que não se aproveitasse a lição para o futuro, tornando-se todos mais precavidos no critério e - digamos tranquilamente - nas hostilizações, quando se trata de coisas que pertencem ao mesmo campo em que a hipnose se encontra. Infelizmente se procede novamente hoje, em muitos outros setores desse mesmo domínio, de modo idêntico, apesar de todas as experiências, e quase ainda pior.

Não obstante, o mesmo espetáculo terá por fim que se repetir, que sem transição e com fervor repentinamente se lute por algo que até então se procurava negar tão tenazmente. Mais ainda, que se procure ter somente nas próprias mãos, para execução, tantas coisas e por todos os meios, inescrupulosamente, cujas pesquisas e descobertas foram, inicialmente, de modo cauteloso e sob contínuo combate, deixadas para os outros, na maioria aos assim chamados “leigos”.

Se isso então ainda pode ser designado como um mérito ou uma ação corajosa, resta saber. É muito mais provável, pelo contrário, que essas eternas repetições também possam colocar sob um outro aspeto as ações já mencionadas como mérito. Até aí, o resultado de uma análise superficial.

 

Muito mais crítico, contudo, torna-se quando se conhecem direito os efeitos das aplicações da hipnose. Que a existência da hipnose, finalmente, tenha encontrado reconhecimento e confirmação, cessando assim os ataques cheios de loquacidade da ciência que, segundo a experiência atual, revelam apenas ignorância, é bom. Mas que, com isso, sob a proteção favorecedora dos adversários de até então, que se tornaram repentinamente cientes, também as aplicações tenham encontrado tão ampla propagação, prova que os tais entendidos se acham muito mais longe do legitimo reconhecimento, do que os tão difamados leigos, que inicialmente pesquisavam.

 […]

Cada atamento do espírito, seja qual for a finalidade de sua realização, constitui um embargo absoluto na possibilidade do progresso indispensável. Sem levar em consideração que um tal atamento acarreta muito mais perigos do que vantagens. Um espírito assim atado se acha não só acessível à influência do hipnotizador, mas sim, até certo ponto, não obstante uma eventual proibição por parte do hipnotizador, fica também exposto indefeso a outras influências da matéria fina, visto lhe faltar, devido ao atamento, a proteção tão necessária, a qual, unicamente, pode oferecer a liberdade absoluta de ação.

O facto dos seres humanos nada notarem dessas lutas contínuas, dos ataques e da própria defesa, eficientes ou vãs, não exclui a vitalidade do mundo da matéria fina e a cooperação deles mesmos.

 

Cada um que seja submetido a uma hipnose eficiente ficou, portanto, impedido mais ou menos fortemente no progresso real de seu núcleo mais profundo. As circunstâncias exteriores, tenham elas se apresentado mais desfavoráveis ainda, ou aparente e passageiramente benéficas, só representam um papel secundário, portanto, não devem também ser determinantes para um julgamento. Em todo caso o espírito tem que permanecer livre, porque afinal de contas se trata única e exclusivamente dele!

Supondo-se que sobreveio uma melhora exterior, reconhecível, no que se apoiam sobremaneira quantos praticam a hipnose, nem com isso a pessoa em questão lucrou algo realmente. Seu espírito atado não consegue agir com a mesma vitalidade criadora no mundo da matéria fina, como um espírito inteiramente livre. As criações de matéria fina originadas de sua vontade tolhida ou forçada são fracas, por serem formadas de segunda mão e logo murcham no mundo de matéria fina. Por essa razão sua vontade tornada melhor não lhe pode trazer aquele efeito na reciprocidade, que infalivelmente é de se esperar nos atos criadores do espírito livre.

 

De modo idêntico, naturalmente, também ocorre quando um espírito atado deseja e executa males a mando de seu hipnotizador. Estes, pela fragilidade das ações criadoras de matéria fina, desaparecerão logo, apesar das más ações de matéria grosseira, ou serão absorvidos por outras espécies iguais, de maneira que uma reciprocidade de matéria fina nem se pode dar, do que resulta, de facto, para a pessoa assim forçada, uma responsabilidade terrena, não porém uma responsabilidade espiritual. Identicamente é o processo, tratando-se de loucos.

Através disso vemos mais uma vez a Justiça sem lacunas do Criador, que se efetua no mundo da matéria fina através das leis vivas, inatingíveis em Sua perfeição. Uma pessoa assim forçada, apesar das más práticas à vontade alheia, não poderá ser atingida por nenhuma culpa, tampouco por qualquer bênção, porque seus melhores feitos foram executados mercê da vontade de outrem, nos quais ela não participa como “Eu” autónomo.

 

Acontece, porém, algo diferente: o atamento forçado do espírito por meio da hipnose prende, concomitantemente, o hipnotizador à sua vitima como que com cadeias fortíssimas. E não o libertam, enquanto não tiver auxiliado a pessoa, violentamente embargada em seu próprio desenvolvimento, a progredir ao ponto que devia ter alcançado, se ele não tivesse realizado aquele atamento. Terá de ir, depois de sua morte terrena, até lá onde for o espírito por ele atado, mesmo que seja até às profundezas mais baixas.

 

O que, portanto, espera tais seres humanos, que muito se ocupam com a prática da hipnose, é fácil de se imaginar. Quando após a morte terrena, despertando, chegam à lucidez, verificarão aterrorizados quantos atamentos os prendem a pessoas já falecidas anteriormente, bem como a outras que ainda peregrinam na Terra. Nenhum deles lhes poderá ser perdoado. Ele por elo, o ser humano terá de desfazer, mesmo que com isso perca até milénios.

É provável, porém, que com isso não chegue mais até o fim, mas acabe sendo arrastado à decomposição que destrói a sua personalidade, o próprio “Eu”, pois pecou gravemente contra o espírito!

 

Abdruschin

                        

Excerto da Dissertação 25 “O crime da hipnose” da obra “Na Luz da Verdade - Mensagem do Graal”, volume II

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