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Mensagem do Graal

“Na Luz da Verdade – Mensagem do Graal” é uma obra escrita em três volumes pelo escritor Oskar Ernst Bernhardt sob o nome literário Abdruschin.

Mensagem do Graal

“Na Luz da Verdade – Mensagem do Graal” é uma obra escrita em três volumes pelo escritor Oskar Ernst Bernhardt sob o nome literário Abdruschin.

O mistério Lúcifer

Um véu cinzento paira sobre tudo que se relaciona com Lúcifer. É como se tudo recuasse assustadamente ao soerguer a ponta desse véu.

O recuar assustado é na realidade apenas a incapacidade de penetrar no reino das trevas. A incapacidade jaz, por sua vez, na natureza da coisa, porque também nesse caso o espírito humano não consegue penetrar tão longe, por lhe ser posta uma limitação, devido à sua constituição. Assim como não consegue ir até às alturas máximas, da mesma forma também não pode penetrar até às mais baixas profundezas, aliás, jamais o conseguirá.

Assim, a fantasia criou substitutivos para o que faltava, isto é, seres de várias formas. Fala-se do diabo sob as formas mais extravagantes, do arcanjo decaído e expulso, da corporificação do princípio do mal, e o que existe mais ainda. Da verdadeira natureza de Lúcifer nada se compreende, não obstante o espírito humano ser atingido por ele e, por isso, muitas vezes lançado no meio de um conflito enorme, que pode ser denominado de luta.

Aqueles que falam de um arcanjo decaído e também os que se referem à corporificação do princípio do mal são os que mais se aproximam do facto. Mas também aqui há uma conceção errónea que empresta a tudo uma imagem errada. Uma corporificação do princípio do mal faz pensar no ponto culminante, a meta final, a corporificação viva de todo o mal, portanto, a coroação, o final absoluto.

Lúcifer, porém, ao contrário, no entanto, constitui a origem do princípio errado, o ponto de partida e a força propulsora. Não se deveria também denominar o que ele efetua de principio do mal, mas sim principio errado. O âmbito de ação desse princípio erróneo é a Criação material.

Somente na matéria é que se encontram os efeitos do que é luminoso e os efeitos do que é das trevas, isto é, os dois princípios opostos, e aí atuam constantemente sobre a alma humana, enquanto esta percorre a matéria para seu desenvolvimento. Ao princípio que agora a alma humana, segundo seu próprio desejo, mais se entrega, é decisivo quanto à sua ascensão para a Luz ou descida para as trevas.

 

Enorme é o abismo que existe entre a Luz e as trevas. Está preenchido pela obra da Criação da matéria, que se acha sujeita à transitoriedade das formas, isto é, à decomposição das respetivas formas existentes e renovação.

Visto que um circuito, de acordo com as leis que a Vontade de Deus-Pai coloca na Criação, só pode ser considerado concluído e cumprido, quando no seu final volta à origem, assim também o curso de um espirito humano só pode ser tido na conta de cumprido quando regressa ao espiritual, já que sua semente saiu dali.

Deixando-se desviar em direção às trevas, incorrerá no perigo de ser arrastado para além do círculo mais externo de seu curso normal, às profundezas, donde então não poderá mais reencontrar a escalada. Mas também não conseguirá ultrapassar o limite extremo ainda mais fundo das trevas mais densas e mais profundas da matéria fina, saindo da matéria, assim como poderia fazer para cima, em direção ao reino espírito-enteal, por ser este o seu ponto de partida e, por esse motivo, será arrastado no poderoso circular da Criação material continuamente, até que por fim à decomposição, porque o retém a sua escura vestimenta de matéria fina, portanto densa e pesada, denominada também de corpo do Além.

A decomposição desfaz sua personalidade espiritual adquirida como tal durante o trânsito pela Criação, de modo que sofre a morte espiritual, sendo pulverizado à semente espiritual original.

 

Lúcifer, por sua vez, se encontra fora da criação material, portanto, não é arrastado à decomposição, como se dá com as vítimas de seu princípio, pois Lúcifer é eterno. Origina-se duma parte do Divino-enteal. A discórdia iniciou-se depois do começo da formação de tudo que é matéria. Enviado para amparar o espírito-enteal na matéria e favorecer no desenvolvimento, não cumpriu esta sua incumbência no sentido da Vontade Criadora de Deus-Pai, ao contrário, escolheu outros caminhos do que os que lhe foram indicados por esta Vontade criadora, devido a um querer que lhe veio durante sua atuação na matéria. Abusando da força que lhe foi outorgada introduziu entre outras coisas o princípio das tentações, em lugar do princípio do auxílio amparador que equivale ao amor prestimoso. Amor prestimoso na aceção Divina, que nada tem em comum com o servir do escravo, mas tão-somente visa a ascensão espiritual e com isso a felicidade eterna do próximo, atuando correspondentemente.

 O princípio da tentação, porém, equivale à colocação de armadilhas nas quais as criaturas humanas não suficientemente firmes tropeçam logo, caem e se extraviam, ao passo que as outras, pelo contrário, se fortificam com isso em vigilância e vigor, para então florescer poderosamente em direção às alturas espirituais. Mas tudo o que é fraco é de antemão entregue inexoravelmente à destruição. O princípio não conhece nem bondade, nem misericórdia; falta-lhe o Amor de Deus-Pai e com isso, portanto, também a mais poderosa força propulsora e o mais forte apoio que existe.

 

A tentação no Paraíso, narrada na Bíblia, mostra o efeito da introdução do princípio de Lúcifer, ao descrever figuradamente como este, mediante tentação, procura verificar a força e a perseverança do casal humano, a fim de logo lançá-lo impiedosamente no caminho da destruição ante a menor vacilação.

A perseverança teria sido equivalente ao alinhar-se jubilosamente à Vontade Divina, que está nas leis singelas da natureza ou da Criação. E essa Vontade, o mandamento Divino, era de pleno conhecimento do casal humano. Não vacilar seria ao mesmo tempo uma obediência a essas leis, com o que o ser humano somente pode beneficiar-se, de modo certo e irrestrito, tornando-se assim o “senhor da criação” de facto, porque “segue com elas”. Então todas as forças se lhe tornarão serviçais, se não se opuser a elas, e funcionarão automaticamente a seu favor.

Nisso consiste, pois, o cumprimento dos mandamentos de Deus, que nada mais visam do que a conservação pura e desimpedida e o cultivo de todas as possibilidades de evolução existentes em Sua obra maravilhosa. Essa simples observância é, por sua vez, alcançando mais longe, um co-atuar consciente no desenvolvimento ulterior e sadio da Criação ou do mundo material.

 

Quem isso não faz é um estorvo que, ou tem de deixar-se lapidar-se no feitio certo, ou será esmagado pelas engrenagens do mecanismo universal, isto é, pelas leias da Criação. Quem não quer curvar-se, terá que quebrar, porque não pode haver parada.

Lúcifer não quer aguardar com bondade o amadurecimento e o fortalecimento graduais, não quer ser como devia ser, um jardineiro amoroso que ampara, protege e cuida das plantas a ele confiadas, ao contrário, com ele, literalmente, “o bode tornou-se jardineiro”. Visa a destruição de tudo quanto é fraco, trabalhando nesse sentido impiedosamente.

Contudo, despreza as vítimas que se rendem, às suas tentações e armadilhas, e quer que pereçam em sua fraqueza.

Tem asco também da baixeza e da vileza que essas vítimas decaídas põem nos efeitos de seu princípio, pois somente os seres humanos os transformam na depravação repugnante em que se apresentam, açulando com isso ainda mais Lúcifer a ver neles criaturas que unicamente merecem destruição, não amor e amparo.

[…]

Também essas formas feias e medonhas que erroneamente se procuram atribuir a Lúcifer, promanam da fantasia variegada do cérebro humano. Na realidade, também, olho de criatura humana alguma conseguiu ainda vê-lo, pelo simples motivo da diferente natureza de espécie; nem mesmo aquele olho que muitas vezes durante a vida terrena é capaz de reconhecer a matéria fina do além.

Ao contrário de todas as conceções, pode-se chamar Lúcifer de altivo e belo, duma beleza sobrenatural, de majestade sombria, com olhos claros, grandes, azuis, mas que refletem a gélida expressão da falta de amor. Ele não é apenas um conceito, como geralmente tenta-se apresentá-lo após outras frustradas interpretações, mas existe em pessoa.

 

A humanidade deve aprender a compreender que são traçados limites também para ela, devido à sua própria espécie, os quais jamais poderá evidentemente transpor nem mesmo em pensamentos e que, além desses limites, mensagens somente poderão advir pelo caminho da graça. Todavia, não através de médiuns, que também não podem alterar sua espécie através de condições extraterrenas, tampouco pela ciência. Justamente esta tem, sim, através da química, a oportunidade de verificar que a diferenciação das espécies pode estabelecer barreiras intransponíveis. Essas leis, no entanto, partem da origem e não são encontráveis somente na obra da criação.

 

Abdruschin

                        

Excerto da Dissertação 35 “O mistério Lúcifer” da obra “Na Luz da Verdade - Mensagem do Graal”, volume II

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