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Mensagem do Graal

“Na Luz da Verdade – Mensagem do Graal” é uma obra escrita em três volumes pelo escritor Oskar Ernst Bernhardt sob o nome literário Abdruschin.

Mensagem do Graal

“Na Luz da Verdade – Mensagem do Graal” é uma obra escrita em três volumes pelo escritor Oskar Ernst Bernhardt sob o nome literário Abdruschin.

O ser humano na Criação

O ser humano não deve, na realidade, viver segundo os conceitos de até agora, e sim tornar-se mais criatura humana intuitiva. Com isso constituiria um elo indispensável ao desenvolvimento progressivo de toda a Criação.

Como reúne em si a matéria fina do Além e a matéria grosseira do Aquém, é-lhe possível inteirar-se de ambas e vivenciá-las ao mesmo tempo. Além disso, dispõe para o seu uso de um instrumento que o coloca no ápice de toda a Criação de matéria grosseira: o raciocínio. Com esse instrumento consegue ele dirigir, isto é, conduzir.

O raciocínio é o que há de mais elevado terrenalmente, devendo ser durante a vida na Terra o leme, ao passo que a força propulsora é a intuição, que se origina no mundo espiritual. O solo do raciocínio é, portanto, o corpo; o solo da intuição, porém, é o espírito.

 

O raciocínio, como tudo quanto é terrenal, está preso ao conceito terreno de espaço e tempo, por ser produto do cérebro, que pertence ao corpo de matéria grosseira. O raciocínio jamais poderá funcionar fora do espaço e do tempo, apesar de ser de matéria mais fina do que o corpo, mas ainda demasiadamente espesso e pesado para se elevar acima dos conceitos terrenos de espaço e de tempo. Está, portanto, inteiramente preso à Terra.

Já a intuição (não o sentimento) encontra-se fora do tempo e do espaço; provém, portanto, do espiritual.

Assim aparelhado, podia o ser humano estar intimamente ligado com a parte mais etérea da matéria fina e até ter contacto com o próprio espiritual, mesmo vivendo e atuando no meio de tudo quanto é terrenal, de matéria grosseira. Somente o ser humano é dotado dessa maneira.

 

Somente ele devia e podia fornecer a ligação sadia e vigorosa, como a única ponte entre as alturas luminosas e as coisas terrenas de matéria grosseira! Somente através dele, devido à sua característica específica, podia a vida pura pulsar da fonte da Luz, descendo até a matéria grosseira mais profunda e dela novamente para cima, na mais harmoniosa e magnifica reciprocidade! Encontra-se entre ambos os mundos, unindo-os, de modo que através dele estes se fundem num só mundo.

Todavia, ele não cumpriu essa missão. Separou esses dois mundos, ao invés de conservá-los firmemente unidos. E isso foi o pecado original.

O ser humano devido à característica específica agora mesmo esclarecida, foi colocado realmente como uma espécie de senhor do mundo de matéria grosseira, porque o mundo de matéria grosseira depende de sua meditação, até o ponto em que esse mundo, de acordo com a espécie do ser humano, foi forçado a sofrer conjuntamente, ou pôde ser elevado através dele, conforme as correntes da fonte da Luz e da vida tenham ou não podido perfluir puras através da humanidade.

Mas o ser humano obstruiu a passagem necessária dessa corrente recíproca entre o mundo de matéria fina e o mundo de matéria grosseira. Assim como uma circulação sanguínea boa mantém o corpo vigoroso e sadio, o mesmo acontece com a corrente recíproca na Criação. Uma obstrução tem que acarretar confusão e doença, que por fim terminam em catástrofes.

 

Esse falhar funesto do ser humano pôde dar-se por haver ele deixado de se servir do raciocínio, que se origina da matéria grosseira, apenas como um mero instrumento; ao invés disso, sujeitou-se totalmente a ele, colocando-o como regente de todas as coisas. Tornou-se com isso escravo do seu instrumento, ficando apenas ser humano de raciocínio, que costuma orgulhosamente se denominar materialista!

Sujeitando-se o ser humano, pois, totalmente ao raciocínio, acabou acorrentando-se a si próprio a tudo quanto é de matéria grosseira. Como o raciocínio nada pode compreender daquilo que se encontra além do conceito terrenal de espaço e tempo, é lógico que também não poderá quem de todo se sujeitou a ele. Seu horizonte, isto é, sua capacidade de compreensão, restringiu-se juntamente com a capacidade limitada do raciocínio.

 

A ligação com o mundo de matéria fina ficou assim desfeita, levantou-se um muro que se foi tornando cada vez mais espesso. Como a fonte da vida, a Luz primordial, Deus, paira muito acima do espaço e do tempo e até mesmo muito acima da matéria fina, natural é que, devido ao atamento do raciocínio, qualquer contacto esteja interrompido. Por esse motivo é inteiramente impossível ao materialista reconhecer Deus.

Provar da árvore do conhecimento outra coisa não foi senão cultivar o raciocínio. A separação da matéria fina, que a isso se liga, foi também o fechamento do Paraíso, como consequência natural. Os seres humanos excluíram-se por si mesmos ao se inclinarem totalmente à matéria grosseira pelo raciocínio, isto é, ao se rebaixarem, e voluntariamente ou por escolha própria forjaram sua servidão.

 

E onde foi dar isso? Os pensamentos do raciocínio, nitidamente materialistas, isto é, baixos e presos à Terra, com todos os seus fenómenos colaterais – cobiça, ganância, mentiras, roubo, opressões, volúpias etc. – tinham de ocasionar o efeito recíproco inexorável da igual espécie, que formou tudo correspondentemente, que impeliu os seres humanos e por fim se desencadeará sobre tudo com… destruição!

É um julgamento mundial inevitável, de acordo com as leis vigentes da Criação. Como numa tempestade que se concentra e por fim acaba produzindo descarga e destruição. Mas ao mesmo tempo também purificação!

O ser humano não serviu de elo necessário entre as partes de matéria fina e de matéria grosseira da Criação, não deixou que as atravessasse a corrente recíproca sempre refrescante, vivificante e estimuladora indispensável, pelo contrário, separou a Criação em dois mundos, já que se negou a servir de elo e algemou-se inteiramente à matéria grosseira. Devido a isso, pouco a pouco, foram adoecendo ambos os mundos.

 

A parte que foi obrigada a se ver totalmente privada da corrente de Luz, ou que a recebia demasiadamente fraca, através das poucas pessoas que ainda mantinham ligação, foi naturalmente a que adoeceu mais gravemente. Trata-se da parte de matéria grosseira, que devido a isso se encaminha para uma crise espantosa e será sacudida por tremendos acessos febris, até que tudo quanto aí haja de doente seja consumido e possa finalmente sarar sob novo e forte influxo proveniente da fonte primordial.

Mas quem, com isso, será consumido?

A resposta se encontra nos próprios acontecimentos naturais: cada pensamento intuitivo adquire logo, por causa da viva força criadora nele contida, uma forma de matéria fina correspondente ao conteúdo do pensamento e permanece sempre ligado como por um cordão ao seu gerador, sendo, porém, atraído e puxado para fora pela força de atração da igual espécie, em tudo quanto é de matéria fina, e impulsionado através do Universo juntamente com as correntes que pulsam constantemente e que, como tudo na Criação, se movimentam de forma oval.

 

Assim que chega o tempo em que os pensamentos, que se tornaram vivos e reais na matéria fina, juntamente com os de sua igual espécie atraídos no percurso, retornam para a sua origem e ponto de partida, visto que, apesar de sua migração, permanecem ligados a este, para então aí se desencadearem, redimindo-se.

A destruição atingirá portanto, em primeiro lugar, na derradeira concentração dos efeitos esperados, aqueles que com seus pensamentos e sentimentos intuitivos foram os geradores e nutridores constantes. É inevitável que a devastadora força de retorno abranja círculos ainda maiores, alcançando de leve também espécies iguais apenas aproximadas dessas pessoas.

 

Depois, porém, os seres humanos cumprirão aquilo que é seu dever na Criação. Virão a ser o elo de união, pela sua capacidade de haurir do espiritual, isto é, deixar-se-ão guiar pelo sentimento intuitivo purificado, transmitindo-o para a matéria grosseira, para o que é terreno, servindo-se então do raciocínio e das experiências adquiridas apenas como instrumento, de modo a, contando com todas as coisas terrenas, impor tais sentimentos intuitivos puros na vida material, com o que toda a Criação de matéria grosseira será constantemente auxiliada, purificada e elevada.

Através disso, nos efeitos recíprocos, pode também algo mais sadio refluir da matéria grosseira para a matéria fina, surgindo então um mundo novo, harmónico e uniforme.

Os seres humanos se tornarão, no cumprimento acertado de sua função, os tão desejados seres completos e nobres, pois também eles, pela sintonização adequada na grande obra da Criação, receberão forças bem diferentes do que até agora, que os deixarão intuir contentamento e felicidade permanentes.

 

Abdruschin

                        

Dissertação 04 “O ser humano na Criação” da obra “Na Luz da Verdade - Mensagem do Graal”, volume II

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