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Mensagem do Graal

“Na Luz da Verdade – Mensagem do Graal” é uma obra escrita em três volumes pelo escritor Oskar Ernst Bernhardt sob o nome literário Abdruschin.

Mensagem do Graal

“Na Luz da Verdade – Mensagem do Graal” é uma obra escrita em três volumes pelo escritor Oskar Ernst Bernhardt sob o nome literário Abdruschin.

Possesso

Rapidamente os seres humanos estão sempre prontos a emitir uma opinião sobre coisas que não entendem. Esse hábito, em si, ainda não seria tão mau, se não encontrasse tão frequentemente propagação, para então subitamente se estabelecer como um julgamento firme, aceito por muitos círculos de espíritos preguiçosos como sendo um determinado saber.

Esse saber então simplesmente aí está e mantém-se firme com uma surpreendente tenacidade, embora ninguém saiba dizer como surgiu.

Quantas vezes declarações levianas também desencadeiam ainda grandes danos. Mas isso não incomoda os seres humanos, que continuam a tagarelar, porque gostam. Tagarelam sem cessar, por obstinação, por teimosia, leviandade, por descuido, para passar o tempo, não raro até pela mania de se fazerem ouvir ou com premeditação num malquerer. Sempre se descobre nisso uma causa nociva. Raros são os seres humanos que de facto se entregam somente por divertimento ao péssimo hábito de tagarelar.

Também essa epidemia de falar se expandiu somente em consequência do corrosivo domínio do raciocínio. Falar em demasia, porém, suprime a faculdade pura de poder intuir, que requer maior aprofundamento em si próprio!

 

Não é sem fundamento que um tagarela não goza de confiança, mesmo quando é inofensivo, mas apenas aquele que sabe ficar calado. Há tanta coisa no instintivo temor pelos tagarelas, que cada ser humano devia tornar-se atento, a fim de tirar ensinamentos para as próprias relações com o seu próximo.

Tagarelas no mais verdadeiro sentido são, antes de tudo, aqueles que rapidamente têm sempre à mão palavras, onde se trata de coisas que não entendem.

São nocivos em sua leviandade, causam grande mal e indizível sofrimento.

Tomemos um acontecimento qualquer. Encontram-se muitas vezes nos jornais notícias sobre as chamadas aparições de fantasmas, que surgem de repente em casas onde anteriormente jamais sucedera tal facto. Objetos mudam de lugar ou são levantados; panelas são arremessadas, e outras coisas assim.

Vêm de diversas regiões ou países tais notícias. Em todos esses casos os acontecimentos se agrupam sempre em redor de uma bem determinada pessoa.

Onde esta se encontra é que ocorrem tais fenómenos.

Imediatamente aqui e acolá é emitida a opinião de que uma tal pessoa deve estar “possessa”. Qualquer outra hipótese nem entra em cogitação; simplesmente se fala de modo irrefletido e inescrupuloso de possessão.

 

Autoridades e igrejas foram em diversos países muitas vezes consultadas e quando se chegava à constatação de que não havia fraude de nenhum dos lados, então se faziam aqui e acolá também exorcismos eclesiásticos contra demónios. Mas estes não podem ajudar muito, porque permanecem estranhos aos factos.

Antigamente tais pessoas seriam submetidas – em sua maior parte crianças ou mocinhas – simplesmente a um interrogatório penosíssimo de um processo por bruxaria, até que a criatura atormentada declarasse tudo assim como os juízes e os servidores da igreja queriam. A seguir ainda procediam a um último espetáculo repugnante, livrando a humanidade devota de tal supliciado, através da morte na fogueira.

Na verdade tudo isso acontecia apenas para se entregarem a uma pecaminosa mania de poder terreno e para obter forte influência sobre os seres humanos terrenos outrora tão puerilmente crédulos, a qual, assim, aumentava cada vez mais. O motivo não estava na convicção sincera de com isso servir a Deus! Tais maquinações blasfemas contra Deus só faziam surgir medo nos seres humanos, medo que suprimia toda a confiança em Deus, dando plena liberdade ao vício da mais baixa difamação.

O triste final em qualquer caso podia ser previsto com certeza já no princípio e podiam ser assassinados sem mais nem menos todos os que tinham sido levianamente acusados. A culpa dos assassinos, dessa forma, teria sido ainda menor do que a culpa dos monstros daquele tempo, em suas vestes de servidores da igreja e em suas togas de juízes.

 

Não quero fazer comparações dos tempos antigos com os tempos de hoje, nem quero construir pontes mediante explicações especiais, mas espiritualmente o fenómeno causado por tagarelices irrefletidas é ainda inteiramente o mesmo! Só é atenuado agora de modo grosso-material terreno por causa das leis mais modernas. Os seres humanos ignorantes, apesar disso, ainda pensam erradamente como antes nessa direção e segundo ela também agiriam, se as leis não os impedissem.

Nas tribos negras inferiores tais seres humanos ainda são supersticiosamente perseguidos, mortos ou também… venerados. Os dois contrastes se encontram sempre bem próximos um do outro nos procedimentos humanos.

E em tribos inferiores e ignorantes vê-se o feiticeiro torturar a seu modo o “possesso”, a fim de banir da cabana tais espíritos malignos.

Encontramos semelhanças nas coisas por toda a Terra, entre todos os povos. Factos que cito apenas para que se possa compreender melhor.

As criaturas humanas, porém, que dessa maneira são consideradas “possessas”, são em todos esses casos completamente inocentes! Não têm nenhum sinal de possessas e menos ainda de demónios que aí se procura exorcizar. Tudo isso é apenas tagarelice pueril, superstição medieval, resíduos do tempo das bruxas. Carregam-se de culpa, na realidade, só aqueles que por ignorância, devido a falsos conceitos e juízos levianos, querem ajudar.

Possessos são encontrados nos manicómios, mais do que os seres humanos supõem. E esses são curáveis!

 

Hoje, porém, essas pessoas dignas de lástima são consideradas simplesmente como loucas, e não se faz diferença alguma entre os realmente doentes e os possessos, porque ainda nada se entende a respeito disso.

Tal incompreensão decorre somente da ignorância da Criação. Falta o saber da Criação, que pode dar a base para o conhecimento de todos os fenómenos e modificações que ocorrem dentro e ao redor dos seres humanos e que conduz, por conseguinte, ao verdadeiro saber, àquela futura ciência que não precisará tatear em tentativas deploráveis para conseguir chegar com isso primeiro a uma teoria, que em muitos casos, depois de dezenas de anos, se comprova como errada.

Aprendei, seres humanos, a conhecer a Criação com as leis nela vigentes e não precisareis mais tatear e procurar, pois então possuireis tudo quanto necessitais para vossa ajuda, nos acontecimentos durante a vossa existência na Terra, e ainda muito além, em toda a vossa existência.

Assim não haverá mais os chamados cientistas, pois então ter-se-ão tornado sábios, aos quais, na existência dos seres humanos, nada pode vir ao encontro que lhes seja estranho.

[…]

Indolência ou fraqueza do espírito decorre sempre de culpa própria, mas isso não pode ser reconhecido pela humanidade. Tal contingência é outra vez, uma consequência do predomínio do raciocínio, que constringe o espírito, encurrala-o e oprime-o. Portanto, a consequência do pecado hereditário, que descrevi exatamente em minha Mensagem, com todos os seus maus efeitos, entre os quais se conta também a possibilidade de ficar possesso.

Uma pessoa de espírito cansado pode, contudo, ser extraordinariamente viva no pensar, bem como no aprender, porque indolência de espírito nada tem a ver com raciocínio aguçado, conforme sabem os leitores de minha Mensagem.

Justamente o espírito de notáveis cientistas é muitas vezes fortissimamente preso à Terra e restrito. Como expressão adequada para isso poderia dizer-se “impossibilitado de voar espiritualmente”, porque dá uma melhor noção. O espírito de muitos grandes intelectuais cochila em verdade rumo já à morte espiritual, enquanto tal indivíduo na Terra é venerado sobremodo pelos seres humanos como um luminar especial.

Por conseguinte, uma tal pessoa pode ser extraordinariamente viva e inteligente e, contudo, ter um espírito cansado, que deixa seu corpo terreno ser disputado parcialmente por outro espírito humano imaterial.

 

Tornai-vos, portanto, seres humanos, mais sábios nas leis primordiais da Criação de Deus, e podereis afastar de vós muitas desgraças! Livrai-vos da vossa vazia presunção de saber, que só traz obra fragmentária, mal aproveitável nas mínimas necessidades.

Para conhecer essas coisas falta conhecimento à ciência atual, pois aquilo que a ciência até hoje ensina e quer saber, prova de maneira clara e inequívoca que realmente ainda nada sabe da Criação. Falta-lhe a grande conexão e, com isso, a imagem real do verdadeiro processo. Ela é míope, restrita e passou ao lado de todas as grandes verdades. Mas está chegando um tempo novo, que também nisso fará surgir tudo novo!

Não se pode por conseguinte, suspeitar sempre de uma criança ou de um adulto, quando desencadeiam coisas, tais como o barulho e o arremesso de objetos materiais. O solo para tais causas é tão variado, que somente em cada caso isoladamente e no devido local pode ser feita uma verificação por verdadeiros conhecedores.

Com o que aqui foi dito, nem de longe estão esgotadas todas as possibilidades, porém uma coisa é certa: possessão está fora de cogitação nesse caso!

 

Com pessoas que através da irradiação momentânea de seu sangue tornam possível tais efeitos de um espírito estranho preso à Terra, podem naturalmente ocorrer durante tais acontecimentos também convulsões do corpo, febre e até mesmo perda de consciência.

Tudo isso, porém, ocorre apenas porque o espírito humano estranho se apodera das respetivas irradiações que o ajudam, arrebatando-as formalmente com violência do corpo terreno, e acarretando assim perturbações na harmonia das irradiações normais do corpo, o que naturalmente se faz notar logo nesse corpo.

Trata-se porém, de fenómenos muito simples e que com uma boa observação podem de maneira fácil e lógica ser fundamentados, tão logo se saibam as verdadeiras conexões.

Tagarelices inúteis e suposições a tal respeito nada adiantam, só podem prejudicar esta ou aquela pessoa, que nada tem a ver com tudo isso.

Portanto, acautelai-vos com as vossas palavras, seres humanos! Porque também estas têm de puxar-vos para baixo, visto que tudo quanto é desnecessário perturba na Criação, e tudo o que perturba tem de afundar segundo a lei da gravidade!

 

Se, no entanto, falardes o que é verdadeiro e bom, então beneficiareis tudo e tornar-vos-eis, na luz das vossas palavras, mais leves e sereis elevados, porque também nisso correm e se entrelaçam fios, da mesma forma como no vosso pensar e atuar. E depois, não querendo mais falar a respeito de coisas inúteis, tornar-vos-eis mais calados, mais reservados, com o que se acumularão forças em vós, que já designei como o poder do silêncio!

Tornar-se-vos-á natural, tão logo vos habituardes a falar só o que é útil, conforme o ser humano deveria ter feito sempre desde o começo. Então mal preencherá, com suas conversas, a terça parte daquele tempo que ainda hoje emprega com isso.

Infelizmente, porém, prefere o falar leviano, ao silêncio tão nobre, e com isso deixa-se arrastar cada vez mais em sentido descendente, segundo a lei da gravidade, que comprime para baixo tudo quanto é desnecessário na Criação, deixando-o afundar como imprestável.

Por conseguinte, atentai para vossas palavras, seres humanos, não considereis tão levianamente o mal da irrefletida tagarelice!

 

Abdruschin

 

Excerto da Dissertação 35 “Possesso” da obra “Na Luz da Verdade – Mensagem do Graal”, volume III

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