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Mensagem do Graal

Em cada povo, em cada ser humano, tem de existir, primeiro, a base para a receção dos elevados reconhecimentos de Deus, que se encontram na doutrina de Cristo

Mensagem do Graal

Em cada povo, em cada ser humano, tem de existir, primeiro, a base para a receção dos elevados reconhecimentos de Deus, que se encontram na doutrina de Cristo

Índice do volume 2

Novembro 04, 2015

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A obra, Na Luz da Verdade - Mensagem do Graal, apresentada neste espaço, contém todas as dissertações, algumas demonstrativas; se desejar adquirir a obra completa ou colocar questões sobre os temas da leitura entre em contacto. Boa leitura!

 

 ____________________________________

01 - Responsabilidade37 - As regiões da Luz e o Paraíso
02 - Destino38 - Fenómeno universal
03 - A criação do ser humano39 - A diferença de origem entre o ser humano e o animal         
04 - O ser humano na Criação40 - A separação entre a humanidade e a ciência
05 - Pecado hereditário41 - Espírito
06 - Deus42 - Desenvolvimento da Criação!
07 - A voz interior43 - Eu sou o Senhor, teu Deus!
08 - A religião do amor44 - A imaculada conceção e o nascimento do Filho de Deus
09 - O Salvador45 - A morte do Filho de Deus na cruz e a ceia
10 - O mistério do nascimento46 - Desce da cruz!
11 - É aconselhável o aprendizado do ocultismo 47 - Esta é a minha carne! Este é o meu sangue!
12 - Espiritismo48 - Ressurreição do corpo terreno de Cristo
13 - Preso à Terra

49 - Conceito humano e Vontade de Deus na lei da reciprocidade

14 - A abstinência sexual beneficia espiritualmente?   50 - O Filho do Homem
15 - Formas de pensamentos51 - A força sexual em sua significação para a ascensão espiritual
16 - Vela e ora!

52 - Eu sou a ressurreição e a vida; Ninguém chega ao Pai a não ser por Mim

17 - O matrimónio

53 - Matéria grosseira, matéria fina, Irradiações, espaço e tempo

18 - O direito dos filhos em relação aos pais54 - O erro da clarividência
19 - A oração55 - Espécies de clarividência
20 - O Pai-Nosso56 - No reino dos demónios e dos fantasmas
21 - Adoração a Deus57 - Aprendizado ocultismo, alimentação de carne ou alimentação vegetal
22 - O ser humano e seu livre-arbítrio58 - Magnetismo terapêutico
23 - Seres humanos ideais59 - Vivei o presente!
24 - Lançai sobre Ele toda a culpa60 - O que tem o ser humano de fazer para poder entrar no reino de Deus?
25 - O crime da hipnose61 - Vês o argueiro no olho do teu irmão e não atentas para a trave  no teu olho
26 - Astrologia62 - A luta na natureza
27 - Simbolismo no destino humano                              63 - Efusão do Espírito Santo
28 - Crença64 - Sexo
29 - Bens terrenos

65 - Pode a velhice constituir um obstáculo para a ascensão espiritual?

30 - A morte66 - Pai, perdoai-lhes, pois não sabem o que fazem!
31 - Falecido67 - Deuses - Olimpo - Valhala
32 - Milagres68 - Criatura humana
33 - O batismo69 - E mil anos são como um dia!
34 - O Santo Graal70 - Intuição
35 - O mistério Lúcifer71 - A vida
36 - As regiões das trevas e a condenação           
  
  
  
  

Responsabilidade

Novembro 04, 2015

Essa questão continua sendo primordial, porque a grande maioria dos seres humanos gostaria de livrar-se de toda a responsabilidade, jogando-a sobre qualquer outra coisa, menos sobre si mesmo. Que isso constitua em si uma desvalorização pessoal não tem nenhuma importância para eles. A tal respeito são de facto bem humildes e modestos, mas somente a fim de poderem entregar-se a uma vida ainda mais prazenteira e inescrupulosa.

Seria tão bonito, pois, poderem preencher todos os seus desejos e satisfazerem todos os seus apetites, também perante outras pessoas, ficando isentos de castigo. As leis terrenas podem, em casos de necessidade, ser burladas, evitando conflitos. Os mais habilidosos podem até mesmo, acobertados por essas mesmas leis, realizar empreendimentos astuciosos muito bem sucedidos e fazer muitas outras coisas que não suportariam nenhum teste de moralidade. Ainda muitas vezes granjeiam com isso a fama de pessoas excecionalmente eficientes.

Portanto, com alguma habilidade poderiam levar uma vida bem agradável, conforme suas próprias ideias, se… não existisse algures determinada coisa que despertasse um sentimento incomodo, se não surgisse às vezes uma momentânea inquietação crescente no sentido de que, finalmente, muita coisa poderia ser um pouco diferente do que os próprios desejos estabelecem para si.

E assim é! A realidade é séria e inexorável. Os desejos humanos não podem, a tal respeito, provocar alterações de espécie alguma. Férrea se mantém a lei: “Aquilo que o ser humano semeia, colherá multiplicadamente!”

Estas poucas palavras contêm e dizem muito mais do que tantos pensam. Coadunam-se, com precisão e certeza absolutas, com os fenómenos reais do efeito recíproco que reside na Criação. Não poderia ser encontrada expressão mais adequada para o facto. Assim como a colheita resulta da multiplicação de uma semeadura, da mesma forma o ser humano colherá sempre multiplicado aquilo que ele despertou e emitiu com seus próprios sentimentos intuitivos de acordo com a espécie de sua vontade.

A criatura humana traz, por conseguinte, espiritualmente a responsabilidade de tudo quanto faz. Essa responsabilidade é contemporânea já da resolução e não posterior ao ato realizado, que nada mais é senão uma consequência da resolução. E a resolução é o despertar dum querer sincero!

Não existe separação alguma entre o Aquém e o chamado Além, mas sim tudo é um único e imenso existir. Toda essa Criação gigantesca, em parte visível e em parte invisível aos seres humanos, atua como uma engrenagem admiravelmente bem feita, jamais falhando, que se articula com justeza, sem se desengrenar. Leis uniformes seguram o todo, perpassam tudo como um sistema nervoso, unem e libera mutuamente em constante efeito recíproco!

Quando as igrejas e as escolas se referem ao céu e ao inferno, a Deus e ao diabo, tudo isso está certo. O errado é a explicação referente às forças boas e más. Isso induzirá qualquer indagador sério a ficar em dúvidas e a cometer erros, pois onde existem duas forças, logicamente deve haver dois soberanos, que nesse caso seriam dois deuses, um bom e outro mau,

E este não é o caso!

Existe apenas um Criador, um Deus, e portanto também apenas uma força que perflui, vivifica e fomenta tudo o que existe!

Essa força Divina, pura e criadora, atravessa constantemente toda a Criação, reside nela e é inseparável da mesma. Encontra-se em toda a parte: no ar, em cada gota de água, nas pedras que se formam, nas plantas que crescem, nos animais e naturalmente nas criaturas humanas também. Nada existe onde ela não esteja.

E assim como ela tudo perpassa, da mesma forma também perflui ininterruptamente o ser humano. O ser humano, porém, é constituído de tal maneira, que se assemelha a uma lente. E assim como uma lente reúne os raios solares que a atravessam, conduzindo-os adiante em forma concentrada, de maneira que os raios caloríficos, reunindo-se num ponto, ardam e produzam fogo, da mesma forma o ser humano, devido à sua constituição especial, reúne por meio de sua intuição a força da Criação que o perpassa e a conduz adiante, de forma concentrada, através de seus pensamentos.

Conforme a espécie desse intuir e os consequentes pensamentos, a força criadora de Deus, de atuação autónoma, será dirigida por ele para bons ou maus efeitos!

Essa é a responsabilidade com que o ser humano tem de arcar! Nisso encontra-se também o seu livre-arbítrio!

Vós, que muitas vezes procurais de modo tão convulsivo encontrar o verdadeiro caminho, porque fazeis tudo assim tão difícil? Imaginai com toda a singeleza como flui através de vós a força pura do Criador, a qual dirigis com os vossos pensamentos em direção boa ou má. Dessa maneira, sem esforço nem quebra-cabeça, tereis tudo!

Considerai que depende da singeleza de vossos sentimentos intuitivos e pensamentos, essa força prodigiosa acarretar o bem ou o mal. Que poder benéfico ou destruidor vos é concedido com isso!

Não precisais nesse caso fazer tal esforço que vos provoque suor na fronte, nem precisais agarrar-vos às chamadas práticas ocultistas, a fim de, mediante contorções corporais e espirituais, possíveis e impossíveis, alcançar algum degrau totalmente insignificante para vossa verdadeira ascensão espiritual!

Abandonai tais brincadeiras que roubam o tempo e que já tantas vezes se transformaram em tormentos mortificantes, que nada mais significam do que as auto fustigações e castigos de outrora nos conventos. Apresentam-se apenas de outra forma, da qual tampouco podereis obter vantagem.

Os chamados mestres e discípulos do ocultismo são modernos fariseus! Na mais fiel aceção do termo. Constituem legítimas reproduções dos fariseus do tempo de Jesus de Nazaré.

Lembrai-vos com alegria pura, que podeis, sem nenhum esforço, através de vosso singelo e bem-intencionado intuir e pensar, dirigir essa força única e gigantesca da Criação. Exatamente de acordo com a maneira de vossa intuição e de vossos pensamentos são os efeitos dessa força. Atua por si, bastando apenas que a guieis.

Isso se processa com toda a simplicidade e singeleza! Para tal não se faz necessária erudição, nem mesmo saber ler ou escrever. A cada qual de vós é dado em igual medida! Nisso não há diferença.

Assim como uma criança pode, brincando, ligar uma corrente elétrica, mexendo num interruptor, disso decorrendo efeitos incríveis, da mesma forma vos é outorgado o dom de guiar a força Divina, através de vossos simples pensamentos.

Utilizando-a para boas finalidades, podeis vos alegrar e orgulhar! Tremei, porém, se a desperdiçais ou se a empregais em coisas impuras! Pois não podeis fugir à lei da reciprocidade que está inserida na Criação! Mesmo que tivésseis as asas da aurora, alcançar-vos-ia a mão do Senhor, de cuja força abusastes, onde quer que vos escondêsseis, e isso através desse efeito de reciprocidade que atua automaticamente.

O mal é produzido pela mesma pura força Divina, assim como o bem!

E essa maneira voluntária e livre de aplicar a força Divina uniforme, acarreta consigo a responsabilidade da qual ninguém pode escapar. Por isso clamo a cada um que procura: “Conserva puro o foco dos teus pensamentos, com isso estabelecerás a paz e serás feliz!”

Regozijai-vos, ignorantes e fracos, pois vos é dado o mesmo poder que aos fortes! Não vos dificulteis, portanto, em demasia! Não vos esqueçais de que a pura e autónoma força de Deus flui também através de vós e que igualmente vós, como seres humanos, estais capacitados a dar a essa força uma determinada direção pela espécie de vossos sentimentos intuitivos, isto é, de vossa vontade, quer para o bem como para o mal, construindo ou devastando, trazendo alegria ou sofrimento!

Em virtude de existir apenas essa única força de Deus, esclarece-se também o segredo porque em todas as lutas finais acabam as trevas tendo de retroceder diante da luz, e o mal diante do bem. Se dirigirdes a força de Deus no sentido do bem, ela preservará sua pureza primitiva, sem turvação, e desenvolverá desse modo uma força muito maior, ao passo que com a turvação para o impuro, processa-se ao mesmo tempo um enfraquecimento. Assim, numa luta final, a pureza da força terá sempre efeitos concretos e decisivos.

O que vem a ser bem e mal, cada um sente até na ponta dos dedos, sem explicações. Cismar a tal respeito só traria confusões. Entregar-se a cismas é desperdício de energias, é como um pântano, um brejo viscoso, que imobiliza e asfixia tudo o que está ao seu alcance. Alegria radiante, porém, rompe as barreiras do cismar. Não tendes a necessidade de ser tristes e oprimidos!

A todo o momento podeis iniciar a escalada para as alturas e reparar o passado, seja ele qual for! Não façais nada mais do que pensar no facto de que a pura força de Deus vos perflui continuamente, então vós próprios temereis em dirigir essa pureza para canais imundos de maus pensamentos, porque sem qualquer esforço podeis alcançar da mesma maneira o mais elevado e o mais nobre. Precisais apenas dirigir; a força então atuará por si mesma, na direção por vós desejada.

Tendes assim em vossas próprias mãos a felicidade ou a infelicidade. Soerguei, portanto, a cabeça com altivez, libertando e arejando a fronte. Se não o chamardes, o mal não poderá aproximar-se! Suceder-vos-á aquilo pelo que houverdes optado!

Abdruschin

                        

Dissertação 01 “Responsabilidade” da obra “Na Luz da Verdade - Mensagem do Graal”, volume II

Destino

Novembro 04, 2015

As pessoas falam sobre destino merecido e destino imerecido, recompensa e castigo, desforra e carma.

Tudo isso são apenas designações parciais duma lei existente na Criação: a lei da reciprocidade!

Trata-se de uma lei que existe na Criação inteira desde os seus primórdios, lei essa que foi entrelaçada inseparavelmente no vasto processo do evoluir eterno, como parte indispensável do próprio criar e do desenvolvimento. Como um gigantesco sistema de finíssimos fios de nervos, essa lei mantém e anima o gigantesco Universo, impulsionando permanente movimento, um eterno dar e receber!

Já de modo simples e singelo, porém tão acertado, disse Jesus Cristo: “O que o ser humano semeia, isso ele colherá!”

Estas poucas palavras transmitem, de modo tão brilhante, a imagem da atuação e da vida em toda a Criação, como dificilmente poderia ser explicado de outra maneira. O sentido de tais palavras se insere ferreamente na existência. De modo inabalável, intocável e incorruptível em seus efeitos contínuos.

Podereis vê-lo se quiserdes ver! Começai com a observação do ambiente em torno de vós. Aquilo a que chamais leis da natureza são, pois, as leis Divinas, são a Vontade do Criador. Sem demora reconhecereis quão permanentes são tais leis em suas incessantes atuações, pois se semeardes trigo, não colhereis centeio, e se semeardes centeio, não poderá surgir arroz!

Isso é tão evidente a todo o ser humano, que ele já nem medita sobre o fenómeno em si. Razão por que nem se torna consciente da severa e grande lei que aí reside. E todavia aí se encontra diante da solução de um enigma, que não precisava ser um enigma para ele.

Essa mesma lei, pois, que aqui podereis observar, atua com a mesma certeza e a mesma potencialidade também nas coisas mais delicadas que só estais aptos a averiguar mediante o emprego de lentes de aumento e, ainda continuando, no setor da matéria fina de toda a Criação, que é a sua parte mais extensa. Em cada fenómeno ela jaz inalteravelmente, até mesmo no desenvolvimento, o mais subtil, de vossos pensamentos, os quais, aliás, ainda são constituídos também de certa materialidade.

Como pudestes supor que justamente lá devesse ser diferente, onde vós queríeis que fosse? Vossas dúvidas outra coisa não são, na realidade, senão desejos íntimos não expressos!

Em todo o ser que se vos apresenta visível ou invisível, tudo se baseia em que cada espécie dá origem a sua mesma espécie, seja qual for a matéria. A mesma regra perdura para o crescimento, o desenvolvimento e a frutificação, bem como para a reprodução da mesma espécie. Esse acontecimento atravessa tudo uniformemente, sem qualquer diferença, sem nenhuma lacuna, não se detém diante de outra parte da Criação, mas conduz os efeitos como um fio inquebrantável, sem parar ou interromper.

Mesmo que a maior parte da humanidade, por estreiteza e arrogância, se tenha isolado do Universo, as leis Divinas ou da natureza não deixam de considerá-la como parte integrante, continuando a trabalhar serenamente de forma inalterada e uniforme.

A lei da reciprocidade estipula, outrossim, que tudo quanto a criatura humana semeia, isto é, ali onde ela der ensejo a uma ação ou a um efeito, também terá que colher!

O ser humano dispõe sempre apenas da livre deliberação, da livre decisão no início de cada ato, com referência à direção que deve ser dada a essa força universal que o perflui. Terá, portanto, que arcar com as consequências da atuação da força na direção por ele desejada. Apesar disso muita gente se apega à afirmação de que o ser humano não tem nenhum livre-arbítrio, se está sujeito a um destino!

Essa tolice só deve ter como finalidade um auto atordoamento ou uma submissão rancorosa por algo inevitável, uma resignação desgostosa, principalmente, porém, uma autodesculpa; porque cada um desses efeitos, que recai sobre ele, teve um início e nesse início estava a causa, em uma anterior livre resolução do ser humano, para o posterior efeito.

Essa livre resolução precedeu cada ação de retorno, portanto, cada destino! Com cada querer inicial o ser humano produziu e criou algo, no qual ele mesmo, mais tarde, em prazo curto ou longo, terá que viver. É, no entanto, muito variável quando isso ocorrerá. Pode ser ainda na mesma existência terrena em que teve início esse primeiro querer, assim como também pode ser depois de despir o invólucro de matéria grosseira, já portanto no mundo de matéria fina, ou então ainda mais tarde, novamente numa existência terrena na matéria grosseira.

As mudanças não alteram nada, não livram a pessoa disso. Permanentemente carrega ela consigo os fios de ligação, até que deles um dia venha a ser libertada, isto é, “desligada” deles, mediante o derradeiro efeito decorrente da lei da reciprocidade.

O plasmador está ligado à sua própria obra, mesmo que a tenha destinado a outrem!

Portanto, se hoje uma pessoa toma a deliberação de prejudicar uma outra pessoa, seja por pensamentos, palavras ou atos, com isso “inseriu no mundo” algo, não importando se é visível ou não, se, portanto, de matéria grosseira ou fina, tem força e com isso vida em si, que continua atuando e se desenvolvendo na direção desejada.

[…]

Através da permanente boa vontade em todos os pensamentos e ações, flui igualmente de modo retroativo, proveniente da fonte de força de igual espécie, um reforço contínuo, de modo que o bem se torne cada vez mais firme na própria pessoa, transborde dela, formando, a seguir, o ambiente de matéria fina correspondente, que a circunda como um invólucro protetor, semelhante à camada de atmosfera que rodeia a Terra, dando-lhe proteção.

Mesmo que advenham maus efeitos retroativos de antigamente para se desencadearem sobre tal pessoa, eles escorregam na pureza de seu ambiente ou invólucro, sendo assim dela desviada.

Caso, porém, apesar disso, as más irradiações penetrem nesse invólucro, ou serão imediatamente desfeitas ou pelo menos ficarão bastante enfraquecidas, de modo que os efeitos nocivos nem sequer poderão realizar-se ou apenas em escala bem reduzida.

Além disso, pela transformação ocorrida, também a criatura humana interior, propriamente dita, visada pelas irradiações de retorno, tornou-se muito mais delicada e leve, devido aos constantes esforços em direção à boa vontade, de modo que ela não se encontra mais de maneira igual frente à densidade maior de más e baixas correntezas. Semelhante ao telégrafo sem fios, quando o recetor não se acha sintonizado na frequência do aparelho transmissor.

A consequência natural disso é que as correntes mais densas, por sua espécie diferente, não podem agarrar-se e atravessam inócuas, sem maus efeitos, liquidando-se através de uma inconsciente ação simbólica, de cujas espécies mais tarde virei a falar.

Portanto, sem demora ao trabalho! O Criador vos colocou nas mãos tudo na Criação. Aproveitai o tempo! Cada momento encerra para vós a ruína ou o proveito!

Abdruschin

                        

Excerto da dissertação 02 “Destino” da obra “Na Luz da Verdade - Mensagem do Graal”, volume II

A criação do ser humano

Novembro 04, 2015

Deus criou o ser humano segundo a Sua imagem e o soprou, animando-o com o Seu alento!” Trata-se de dois acontecimentos: o criar e o vivificar!

Ambos os processos ficaram severamente sujeitos às vigentes leis Divinas, como tudo o mais. Nada pode ultrapassar o âmbito das mesmas. Nenhum ato da Vontade Divina se oporá às inamovíveis leis que conduzem esta Vontade Divina. Até mesmo toda a revelação e promessa realiza-se com base nessas leis, devendo cumprir-se através delas e não diferentemente!

Assim também a encarnação do ser humano na Terra, que constituiu um progresso da Criação grandiosa, a passagem da matéria grosseira para um estágio inteiramente novo e mais elevado.

Falar da encarnação do ser humano condiciona o conhecimento do mundo de matéria fina, pois o ser humano em carne e sangue é posto como elo de ligação favorecedor entre a parte da Criação de matéria fina e a de matéria grosseira, enquanto suas raízes permanecem no espiritual.

“Deus criou o ser humano segundo a Sua imagem!”

Esse criar ou conformar foi uma extensa corrente no desenvolvimento que se processou rigorosamente dentro das leis entretecidas na Criação pelo próprio Deus. Instituídas pelo Altíssimo, essas leis atuam ferreamente com ritmo contínuo no cumprimento de Sua Vontade, automaticamente, como uma parte Dele, ao encontro da perfeição.

Assim também se deu com a criação do ser humano, como coroa de toda a obra, na qual se deveriam reunir todas as espécies existentes na Criação. Por isso, no mundo de matéria grosseira, na matéria terrenamente visível, foi formado pouco a pouco, pelo desenvolvimento progressivo, o recetáculo onde pôde ser encarnada uma centelha proveniente do espiritual, que era imortal.

Pelo contínuo e progressivo processo de formar, surgiu com o tempo o animal desenvolvido ao máximo que, raciocinando, já se servia de diversos meios auxiliares para a manutenção da vida e para a defesa. Podemos também hoje observar espécies de animais que se utilizam de alguns meios auxiliares para obter e conservar suas necessidades de vida e que mostram, muitas vezes, na defesa, surpreendente astúcia.

Os animais desenvolvidos ao máximo, antes mencionados, que com as transmutações operadas na Terra acabaram desaparecendo, são designados hoje como “seres humanos primitivos”. Chamá-los, porém, de antepassados do ser humano é um grande erro! Com o mesmo direito se poderia designar as vacas como “mães parciais” da humanidade, visto que um grande número de crianças, nos primeiros meses de vida, necessita do leite de vaca para o desenvolvimento de seus corpos, permanecendo, portanto, com o auxílio delas em condições de viver e crescer.

Muito mais do que isso não tinha que ver também o “ser humano primitivo”, esse animal nobre e pensante, com o verdadeiro ser humano, pois o corpo de matéria grosseira do ser humano nada mais é do que o meio auxiliar indispensável de que ele necessita para poder agir em todos os sentidos na matéria grosseira terrenal, e fazer-se compreender.

Com a afirmação de que o ser humano descende do macaco, literalmente, “joga-se fora a criança com a água do banho”! Com isso ultrapassa-se de muito o objetivo. Uma parte do processo fica é erigida como fato único e total. Aí falta o essencial!

Seria adequada, se o corpo do ser humano fosse realmente “o ser humano”. Mas o corpo material é apenas sua vestimenta, que ele despe tão logo retorne à matéria fina.

Como se deu então a primeira encarnação do ser humano?

Depois de atingido o ponto culminante no mundo de matéria grosseira com o animal mais perfeito, tinha que se processar uma alteração em prol do desenvolvimento progressivo, se não devesse ocorrer qualquer estagnação, a qual, com seus perigos, poderia tornar-se um retrocesso. E essa alteração fora prevista e sobreveio:

Saído como centelha espiritual, baixando através do mundo de matéria fina, soerguendo tudo com isso, estava em seu limite, no momento exato em que o recetáculo de matéria grosseira terrenal, ascendendo, atingira o ponto culminante de seu desenvolvimento, o ser humano de matéria fina e espiritual, igualmente aparelhado a se ligar com a matéria grosseira para beneficiá-la e soergue-la.

Assim, enquanto o recetáculo ia amadurecendo na matéria grosseira, a alma tinha se desenvolvido de tal forma na matéria fina, que possuía a força necessária para, entrando no recetáculo grosseiro, resguardar sua autonomia.

A ligação dessas duas partes significou então uma união mais íntima do mundo de matéria grosseira com o mundo de matéria fina, até em cima, no espiritual.

Somente este processo constituiu o nascimento do ser humano!

A própria geração é ainda hoje, no ser humano, um ato puramente animal. Sentimentos mais elevados ou mais baixos aí nada têm a ver com o ato em si, mas acarretam conjunturas espirituais cujos efeitos, na atração da espécie absolutamente igual, são de grande importância.

De espécie puramente animal é também o desenvolvimento do corpo até a metade da gestação. Puramente animal não é propriamente a expressão certa, no entanto, quero designá-lo por ora de puramente grosso-material e somente em dissertações vindouras entrarei em detalhes.

No meio da gestação, em um determinado grau de maturidade do corpo em formação, é encarnado o espírito previsto para o nascimento e que até ali se mantivera frequentemente nas proximidades da futura mãe. A entrada do espírito provoca as primeiras contrações do pequeno corpo de matéria grosseira que se desenvolve, isto é, os primeiros movimentos da criança.

Então também se origina a sensação particularmente bem-aventurada da gestante, que, desse instante em diante, experimenta sentimentos intuitivos inteiramente diferentes: a consciência da proximidade do segundo espírito nela, a perceção do mesmo. E conforme a espécie desse novo, desse segundo espírito nela, serão também os seus próprios sentimentos intuitivos.

Assim é o processo em cada encarnação do ser humano. Agora, porém, voltemos à primeira encarnação do ser humano.

Chegara, pois, o grande período no desenvolvimento da Criação: de um lado, no mundo de matéria grosseira, estava o animal desenvolvido ao máximo, que devia fornecer o corpo terreno como recetáculo para o futuro ser humano; de outro lado, no mundo de matéria fina, estava a alma humana desenvolvida, que aguardava a ligação com o recetáculo de matéria grosseira, a fim de assim dar a tudo quanto é matéria grosseira um impulso mais amplo para a espiritualização.

Quando se realizou um ato gerador entre o mais nobre par desses animais altamente desenvolvidos, não surgiu no momento da encarnação, como até então, uma alma animal (*), encarnando-se contudo, em seu lugar, a alma humana já preparada para isso e que trazia em si a imortal centelha espiritual. As almas humanas de matéria fina com aptidões desenvolvidas de modo predominantemente positivo, encarnaram-se de acordo com a igual espécie em corpos animais masculinos; aquelas com aptidões predominantemente negativas, mais delicadas, em corpos femininos mais chegados à sua espécie. (**)

Esse processo não oferece o menor ponto de apoio para a afirmação de que o ser humano, cuja verdadeira origem está no espiritual, descende do animal “ser humano primitivo”, que apenas pôde fornecer o recetáculo grosso-material de transição. Também hoje os mais acérrimos materialistas não admitiriam a hipótese de parentesco direto com um animal e, entretanto, hoje como outrora permanece um estreito parentesco corporal, isto é, igual espécie grosso-material, ao passo que o ser humano realmente “vivo”, o seu “Eu” propriamente espiritual, não apresenta nenhuma igual espécie com o animal e tampouco é uma derivação do mesmo.

Após o nascimento do primeiro ser humano terreno, encontrava-se este então sozinho na realidade, sem pais, visto que, apesar do elevado desenvolvimento dos mesmos, não podia reconhecer nos animais os seus pais e com eles ter uma vida em comum.

Aliás, nem necessitava disso, pois era criatura humana plenamente intuitiva e vivia como tal também no mundo de matéria fina, que lhe proporcionava valores que tudo o mais completava.

A separação da mulher, do primeiro ser humano, foi de ordem fino-material e espiritual. Essa não ocorreu na matéria grosseira terrenal, pois as descrições da Bíblia e dos velhos escritos religiosos se referem, predominantemente, apenas a acontecimentos espirituais e de matéria fina. O ser humano, como tal, estava sozinho e se utilizava, então, no crescimento, principalmente dos sentimentos intuitivos mais severos, mais rudes, para a manutenção de sua vida, com o que os sentimentos intuitivos mais delicados foram cada vez mais empurrados para o lado e isolados, até que se separaram completamente como a parte mais delicada do ser humano espiritual.

[…]

Hoje, contudo, estamos finalmente perto da hora em que surgirá o próximo grande período da Criação, que será de progresso incondicional e trará o que já o primeiro período com a encarnação do ser humano devia trazer: o nascimento do ser humano pleno e espiritualizado! Desse ser humano que atua favorecendo e enobrecendo toda a Criação de matéria grosseira, como é a verdadeira finalidade dos seres humanos na Terra.

Então não haverá mais lugar para o materialista acorrentado somente a conceitos terrenos de espaço e tempo, retendo tudo em baixo. Será um estranho em todos os países, um apátrida. Secará e desaparecerá como o joio que se separa do trigo. Atentai para que não vos encontreis demasiado leves nessa separação!

Abdruschin

 

(*) Dissertação: “A diferença de origem entre o ser humano e o animal”.

(*) Dissertação: “Sexo”.

                        

Excerto da dissertação 03 “A criação do ser humano” da obra “Na Luz da Verdade - Mensagem do Graal”, volume II

O ser humano na Criação

Novembro 04, 2015

O ser humano não deve, na realidade, viver segundo os conceitos de até agora, e sim tornar-se mais criatura humana intuitiva. Com isso constituiria um elo indispensável ao desenvolvimento progressivo de toda a Criação.

Como reúne em si a matéria fina do Além e a matéria grosseira do Aquém, é-lhe possível inteirar-se de ambas e vivenciá-las ao mesmo tempo. Além disso, dispõe para o seu uso de um instrumento que o coloca no ápice de toda a Criação de matéria grosseira: o raciocínio. Com esse instrumento consegue ele dirigir, isto é, conduzir.

O raciocínio é o que há de mais elevado terrenalmente, devendo ser durante a vida na Terra o leme, ao passo que a força propulsora é a intuição, que se origina no mundo espiritual. O solo do raciocínio é, portanto, o corpo; o solo da intuição, porém, é o espírito.

O raciocínio, como tudo quanto é terrenal, está preso ao conceito terreno de espaço e tempo, por ser produto do cérebro, que pertence ao corpo de matéria grosseira. O raciocínio jamais poderá funcionar fora do espaço e do tempo, apesar de ser de matéria mais fina do que o corpo, mas ainda demasiadamente espesso e pesado para se elevar acima dos conceitos terrenos de espaço e de tempo. Está, portanto, inteiramente preso à Terra.

Já a intuição (não o sentimento) encontra-se fora do tempo e do espaço; provém, portanto, do espiritual.

Assim aparelhado, podia o ser humano estar intimamente ligado com a parte mais etérea da matéria fina e até ter contacto com o próprio espiritual, mesmo vivendo e atuando no meio de tudo quanto é terrenal, de matéria grosseira. Somente o ser humano é dotado dessa maneira.

Somente ele devia e podia fornecer a ligação sadia e vigorosa, como a única ponte entre as alturas luminosas e as coisas terrenas de matéria grosseira! Somente através dele, devido à sua característica específica, podia a vida pura pulsar da fonte da Luz, descendo até a matéria grosseira mais profunda e dela novamente para cima, na mais harmoniosa e magnifica reciprocidade! Encontra-se entre ambos os mundos, unindo-os, de modo que através dele estes se fundem num só mundo.

Todavia, ele não cumpriu essa missão. Separou esses dois mundos, ao invés de conservá-los firmemente unidos. E isso foi o pecado original.

O ser humano devido à característica específica agora mesmo esclarecida, foi colocado realmente como uma espécie de senhor do mundo de matéria grosseira, porque o mundo de matéria grosseira depende de sua meditação, até o ponto em que esse mundo, de acordo com a espécie do ser humano, foi forçado a sofrer conjuntamente, ou pôde ser elevado através dele, conforme as correntes da fonte da Luz e da vida tenham ou não podido perfluir puras através da humanidade.

Mas o ser humano obstruiu a passagem necessária dessa corrente recíproca entre o mundo de matéria fina e o mundo de matéria grosseira. Assim como uma circulação sanguínea boa mantém o corpo vigoroso e sadio, o mesmo acontece com a corrente recíproca na Criação. Uma obstrução tem que acarretar confusão e doença, que por fim terminam em catástrofes.

Esse falhar funesto do ser humano pôde dar-se por haver ele deixado de se servir do raciocínio, que se origina da matéria grosseira, apenas como um mero instrumento; ao invés disso, sujeitou-se totalmente a ele, colocando-o como regente de todas as coisas. Tornou-se com isso escravo do seu instrumento, ficando apenas ser humano de raciocínio, que costuma orgulhosamente se denominar materialista!

Sujeitando-se o ser humano, pois, totalmente ao raciocínio, acabou acorrentando-se a si próprio a tudo quanto é de matéria grosseira. Como o raciocínio nada pode compreender daquilo que se encontra além do conceito terrenal de espaço e tempo, é lógico que também não poderá quem de todo se sujeitou a ele. Seu horizonte, isto é, sua capacidade de compreensão, restringiu-se juntamente com a capacidade limitada do raciocínio.

A ligação com o mundo de matéria fina ficou assim desfeita, levantou-se um muro que se foi tornando cada vez mais espesso. Como a fonte da vida, a Luz primordial, Deus, paira muito acima do espaço e do tempo e até mesmo muito acima da matéria fina, natural é que, devido ao atamento do raciocínio, qualquer contacto esteja interrompido. Por esse motivo é inteiramente impossível ao materialista reconhecer Deus.

Provar da árvore do conhecimento outra coisa não foi senão cultivar o raciocínio. A separação da matéria fina, que a isso se liga, foi também o fechamento do Paraíso, como consequência natural. Os seres humanos excluíram-se por si mesmos ao se inclinarem totalmente à matéria grosseira pelo raciocínio, isto é, ao se rebaixarem, e voluntariamente ou por escolha própria forjaram sua servidão.

E onde foi dar isso? Os pensamentos do raciocínio, nitidamente materialistas, isto é, baixos e presos à Terra, com todos os seus fenómenos colaterais – cobiça, ganância, mentiras, roubo, opressões, volúpias etc. – tinham de ocasionar o efeito recíproco inexorável da igual espécie, que formou tudo correspondentemente, que impeliu os seres humanos e por fim se desencadeará sobre tudo com… destruição!

É um julgamento mundial inevitável, de acordo com as leis vigentes da Criação. Como numa tempestade que se concentra e por fim acaba produzindo descarga e destruição. Mas ao mesmo tempo também purificação!

O ser humano não serviu de elo necessário entre as partes de matéria fina e de matéria grosseira da Criação, não deixou que as atravessasse a corrente recíproca sempre refrescante, vivificante e estimuladora indispensável, pelo contrário, separou a Criação em dois mundos, já que se negou a servir de elo e algemou-se inteiramente à matéria grosseira. Devido a isso, pouco a pouco, foram adoecendo ambos os mundos.

A parte que foi obrigada a se ver totalmente privada da corrente de Luz, ou que a recebia demasiadamente fraca, através das poucas pessoas que ainda mantinham ligação, foi naturalmente a que adoeceu mais gravemente. Trata-se da parte de matéria grosseira, que devido a isso se encaminha para uma crise espantosa e será sacudida por tremendos acessos febris, até que tudo quanto aí haja de doente seja consumido e possa finalmente sarar sob novo e forte influxo proveniente da fonte primordial.

Mas quem, com isso, será consumido?

A resposta se encontra nos próprios acontecimentos naturais: cada pensamento intuitivo adquire logo, por causa da viva força criadora nele contida, uma forma de matéria fina correspondente ao conteúdo do pensamento e permanece sempre ligado como por um cordão ao seu gerador, sendo, porém, atraído e puxado para fora pela força de atração da igual espécie, em tudo quanto é de matéria fina, e impulsionado através do Universo juntamente com as correntes que pulsam constantemente e que, como tudo na Criação, se movimentam de forma oval.

Assim que chega o tempo em que os pensamentos, que se tornaram vivos e reais na matéria fina, juntamente com os de sua igual espécie atraídos no percurso, retornam para a sua origem e ponto de partida, visto que, apesar de sua migração, permanecem ligados a este, para então aí se desencadearem, redimindo-se.

A destruição atingirá portanto, em primeiro lugar, na derradeira concentração dos efeitos esperados, aqueles que com seus pensamentos e sentimentos intuitivos foram os geradores e nutridores constantes. É inevitável que a devastadora força de retorno abranja círculos ainda maiores, alcançando de leve também espécies iguais apenas aproximadas dessas pessoas.

Depois, porém, os seres humanos cumprirão aquilo que é seu dever na Criação. Virão a ser o elo de união, pela sua capacidade de haurir do espiritual, isto é, deixar-se-ão guiar pelo sentimento intuitivo purificado, transmitindo-o para a matéria grosseira, para o que é terreno, servindo-se então do raciocínio e das experiências adquiridas apenas como instrumento, de modo a, contando com todas as coisas terrenas, impor tais sentimentos intuitivos puros na vida material, com o que toda a Criação de matéria grosseira será constantemente auxiliada, purificada e elevada.

Através disso, nos efeitos recíprocos, pode também algo mais sadio refluir da matéria grosseira para a matéria fina, surgindo então um mundo novo, harmónico e uniforme.

Os seres humanos se tornarão, no cumprimento acertado de sua função, os tão desejados seres completos e nobres, pois também eles, pela sintonização adequada na grande obra da Criação, receberão forças bem diferentes do que até agora, que os deixarão intuir contentamento e felicidade permanentes.

Abdruschin

                        

Dissertação 04 “O ser humano na Criação” da obra “Na Luz da Verdade - Mensagem do Graal”, volume II

O pecado hereditário

Novembro 04, 2015

O pecado hereditário surgiu do pecado original.

O pecado, isto é, a atuação errada, consistiu no cultivo exagerado do raciocínio com o consequente acorrentamento voluntário ao tempo e ao espaço, e os efeitos colaterais aí surgidos do trabalho restrito do raciocínio, tais como a cobiça, o logro, a opressão e assim por diante, que têm no seu séquito muitos outros, no fundo, aliás, todos os males.

Esse facto teve, naturalmente, naqueles que se desenvolviam como seres humanos de puro raciocínio, influências cada vez mais fortes na formação do corpo de matéria grosseira. Como o cérebro anterior, gerador do raciocínio, foi-se tornando unilateralmente cada vez maior por causa do esforço contínuo, era natural que na geração tais formas em processo de alteração se manifestassem na reprodução do corpo terreno e as crianças já nascessem trazendo um cérebro anterior cada vez mais forte e desenvolvido.

Nisso se encontrava e se encontra ainda hoje a disposição ou a predisposição para, acima de tudo o mais, predominar o poder do raciocínio, o que encerra em si o perigo de em seu total despertar acorrentar o portador do cérebro, não somente ao espaço e ao tempo, isto é, a tudo quanto é de matéria grosseira terrestre, tornando-o assim incapaz de compreender o que é de matéria fina e essencialmente espiritual, mas ainda também emaranhando-o em todos os males decorrentes inevitavelmente da hegemonia do raciocínio.

O facto de trazer consigo esse cérebro anterior voluntariamente hipertrofiado, no qual se encontra o perigo do puro predomínio do raciocínio com todos os seus males colaterais inevitáveis, isso é o pecado hereditário!

Portanto, a herança física da parte hoje denominado cérebro anterior, devido ao seu desenvolvimento artificialmente aumentado, com o que a criatura humana ao nascer traz consigo um perigo que mui facilmente pode emaranha-la no mal. Tal facto dificulta, em todo caso, o reconhecimento de Deus, devido aos limites restritos da ligação à matéria grosseira.

Isso, porém, não lhe tira nenhuma responsabilidade. Essa permanece, pois herda apenas o perigo, não o pecado propriamente. Não é necessário, em absoluto, que deixe predominar incondicionalmente o raciocínio, submetendo-se a ele por isso. Pode, ao contrário, utilizar-se da grande força do raciocínio como uma espada afiada para abrir caminho na agitação terrestre, conforme assim lhe indicar a sua intuição, também denominada voz interior.

Se, porém, em uma criança o raciocínio é elevado a um domínio absoluto através da educação e ensinamentos, então cai da criança uma parte da culpa, ou melhor, o consequente efeito retroativo devido à lei da reciprocidade, visto que essa parte atinge o educador ou mestre causador disso. A partir desse momento ele fica preso à criança, até que esta fique liberta dos erros e de suas consequências, mesmo que isso demore séculos ou milénios.

Tudo, porém, quanto uma criança assim educada fizer depois de lhe ter sido dada oportunidade para uma introspeção e conversão, atingirá somente a ela própria nos efeitos retroativos. Semelhantes oportunidades se oferecem pela palavra oral ou escrita, por grandes abalos na vida ou por acontecimentos parecidos que obrigam a momentos de profundos sentimentos intuitivos. Nunca deixam de vir.

Seria inútil continuar a falar mais a esse respeito, pois sob todos os aspetos tratar-se-ia apenas de seguidas repetições, as quais teriam de se encontrar nesse ponto. Quem refletir sobre isso, a esse logo será tirado um véu dos olhos, terá solucionado em si próprio muitas perguntas.

Abdruschin

                        

Dissertação 05 “O Pecado Hereditário” da obra “Na Luz da Verdade - Mensagem do Graal”, volume II

Deus

Novembro 04, 2015

Por que motivo evitam os seres humanos tão receosamente esta palavra, que no entanto lhes devia ser mais familiar do que tudo o mais?

Será veneração? Não. Estais confusos porque nunca a tal respeito, quer nas escolas, quer nas igrejas, ministraram-vos informações claras, satisfazendo vosso impulso interior pela Verdade. A verdadeira Trindade continuou sendo ainda no fundo um mistério para vós, ante o qual procurastes vos acomodar do melhor modo possível.

Pode, sob tais circunstâncias, a oração ser tão íntima e confiante como deve ser? Impossível.

No entanto, precisais e deveis chegar mais perto de vosso Deus! Quão insensato é, pois, dizer que poderia ser um erro ocupar-se tão pormenorizadamente com Deus. A preguiça e o comodismo até afirmam que isso é injúria!

Eu, contudo, vos digo: as condições para a aproximação se encontram na Criação inteira! Por conseguinte, não tem humildade quem se esquiva a essa aproximação, pelo contrário, ilimitada presunção! Exige assim que Deus se lhe aproxime, ao invés dele tentar se aproximar de Deus para reconhecê-Lo.

Para onde quer que se volte, vê-se e ouve-se hipocrisia e comodidade, e tudo sob o manto de falsa humildade!

Vós, porém, que não quereis continuar dormindo, que procurais e vos esforçais com fervor pela Verdade, aceitai a Trindade? Deus-Pai, Deus-Filho e o Espírito Santo?

Quando a própria humanidade fechou para si o Paraíso, pela razão de não se deixar guiar mais pela intuição, que é espiritual e portanto também próxima a Deus, mas arbitrariamente cultivou em excesso o raciocínio terreno e a ele se submeteu, tornando-se com isso escrava do seu próprio instrumento, que lhe fora dado para utilização, ela se distanciou mui naturalmente mais e mais de Deus.

Com isso se consumou a separação, visto que a humanidade se inclinara predominantemente apenas para as coisas terrenas que estão incondicionalmente atadas ao tempo e ao espaço, o que Deus em Sua espécie não conhece, razão por que Ele jamais poderá ser compreendido.

A cada geração se foi alargando mais o abismo e os seres humanos cada vez mais se algemavam à Terra, que se chamam materialistas, denominando-se assim até com orgulho, porque não se dão conta das suas algemas, visto que naturalmente, com a condição de estarem firmemente atados ao espaço e ao tempo, seu horizonte se estreitava simultaneamente.

Como devia ser encontrado, a partir daí, o caminho para Deus?

Era impossível, se o auxílio não viesse de Deus. E Ele se apiedou. O próprio Deus em Sua pureza não mais podia se revelar aos baixos seres humanos de raciocínio, porque estes não estavam mais capacitados a sentir, ver ou ouvir Seus mensageiros, e os poucos que ainda o conseguiam eram ridicularizados, porque o horizonte estreitado dos materialistas, atados apenas ao espaço e ao tempo, recusava cada pensamento, referente a uma ampliação existente acima disso, como sendo impossível, porque para eles era incompreensível.

Por isso também, não bastavam mais os profetas, cuja força já não conseguia se fazer valer, porque, por fim, até os pensamentos básicos de todas as tendências religiosas haviam se tornado puramente materialistas.

Portanto, tinha que vir um mediador entre a Divindade e a humanidade transviada, e que dispusesse de mais força do que todos os outros até então, para poder se fazer valer. Poder-se-ia perguntar: por causa dos poucos que, sob o mais crasso materialismo, ainda ansiavam por Deus? Estaria certo, mas seria denominado pelos adversários preferencialmente como presunção dos fiéis, ao invés de reconhecerem nisso o Amor de Deus e ao mesmo tempo severa Justiça, que com a recompensa e o castigo oferecem ao mesmo tempo salvação.

Por esse motivo Deus, em Seu Amor, por um ato de Vontade, separou uma parte de Si mesmo, encarnando-a num corpo humano de sexo masculino: Jesus de Nazaré, daí por diante o Verbo feito carne, o Amor de Deus encarnado, o Filho de Deus!

Um processo de irradiação, que ainda será esclarecido.

A parte assim separada, mas apesar disso ainda intimamente ligada, tornou-se através disso pessoal. Continuou pessoal, mesmo depois de despida do corpo terreno, quando tornou a se unir a Deus-Pai.

Deus-Pai e Deus-Filho são portanto dois e na realidade apenas um!

E o “Espírito Santo”? Em relação a ele, Cristo disse que pecados contra Deus-Pai e Deus-Filho poderiam ser perdoados; nunca, porém, os pecados contra o “Espírito Santo”!

É então o “Espírito Santo” mais elevado ou algo mais do que Deus-Pai e Deus-Filho? Esta pergunta já preocupou e oprimiu tantos corações, tendo desnorteado tantas crianças.

O “Espirito Santo” é a Vontade de Deus-Pai, o Espírito da Verdade, que, separado Dele, atua por si em toda a Criação, e o qual também como o Filho, que é o Amor, apesar disso permanece estreitamente ligado a Ele, tendo ficado uno com Ele.

As leis férreas na Criação, que atravessam todo o Universo como uma rede de nervos, ocasionando a absoluta reciprocidade, o destino do ser humano ou seu carma são… do “Espírito Santo” ou mais explicitamente: de seu atuar! (*)

Por isso disse o Salvador que ninguém se atreveria a pecar contra o Espírito Santo impunemente, porque segundo a inexorável e inalterável reciprocidade, a retribuição retorna ao autor, ao ponto de partida, seja coisa boa ou má.

Assim como Jesus, Filho de Deus, é do Pai, do mesmo modo o é o Espírito Santo. Ambos por conseguinte, partes Dele mesmo, pertencendo-Lhe inteiramente, de modo inseparável. Assim como os braços de um corpo, que realizam movimentos independentes e todavia lhe pertencem, quando o corpo é completo, mas que também só podem realizar movimentos independentes em ligação com o todo.

Assim é Deus-Pai em Sua Onipotência e Sabedoria, tendo à direita, como uma parte Sua, Deus-Filho, o Amor, e à esquerda, Deus, o Espírito Santo, a Justiça. Ambos saídos de Deus-Pai e pertencendo a Ele num conjunto uno. Esta é a Trindade do Deus uno.

Antes da Criação, Deus era um! Durante a Criação separou Ele uma parte de Sua Vontade, para que atuasse autonomamente na Criação, tornando-Se assim dual. Quando se tornou necessário remeter um mediador à humanidade transviada, por ser impossível qualquer ligação direta entre a pureza de Deus e a humanidade que se acorrentara por si, separou Ele, movido de Amor, uma parte de Si mesmo para a aproximação temporária aos seres humanos, a fim de novamente poder Se tornar compreensível à humanidade, e com o nascimento de Cristo tornou-se triplo!

O que são Deus-Pai e Deus-Filho já muitos sabiam, mas do “Espírito Santo” permaneceu uma noção confusa. Ele é a Justiça atuante, cujas leis eternas, inamovíveis e incorruptas, perpulsam o Universo e que até agora só foram denominadas vagamente: Destino! Carma! A Vontade de Deus!

Abdruschin

 

(*) Dissertação: “Desenvolvimento da Criação”.

                        

Dissertação 06 “Deus” da obra “Na Luz da Verdade - Mensagem do Graal”, volume II

A voz interior

Novembro 04, 2015

A assim chamada “voz interior”, o espiritual na criatura humana, que ela pode dar ouvidos, é a intuição! Não é em vão que a voz do povo diz: “A primeira impressão é sempre a certa”.

Como em todas essas frases e ditados semelhantes reside profunda verdade, assim também aqui. Por impressão sempre se compreende a intuição. O que uma pessoa, por exemplo, intui no primeiro encontro com uma até então desconhecida é ou uma espécie de advertência para que se acautele, podendo ir até à repulsa total, ou algo agradável até à simpatia plena, e em alguns casos também indiferença.

Se então essa impressão, no decorrer da conversação e nas relações posteriores, for alterada ou totalmente apagada pelo critério do raciocínio, de modo que surja a ideia de que a intuição original tenha sido errada, no fim de tais conhecimentos quase sempre resulta a precisão da primeira intuição. Muitas vezes para amarga dor daqueles que se deixaram enganar pelo raciocínio, devido ao modo de ser simulado dos outros.

A intuição, que não é ligada ao espaço e ao tempo, e que está em conexão com espécies iguais, com o espiritual, reconhece logo nos outros a verdadeira natureza, não se deixa enganar pela habilidade do raciocínio.

Um erro é totalmente impossível na intuição.

Cada vez que acontece de seres humanos serem enganados, existem dois motivos que causam os erros: ou o raciocínio ou o sentimento!

Quantas vezes se ouve também dizer: “Nesta ou naquela coisa deixei-me levar por meu sentimento e me prejudiquei. Só se deve confiar no raciocínio”!

Tais pessoas cometem o equívoco de tomar o sentimento pela voz interior. Pregam louvor ao raciocínio sem pressentir que justamente este representa papel importante junto ao sentimento.

Por isso, sede vigilantes! Sentimento não é intuição! Sentimento promana do corpo de matéria grosseira. Este gera instintos que, dirigidos pelo raciocínio, fazem surgir o sentimento. Uma grande diferença com a intuição. O trabalho conjunto do sentimento com o raciocínio, porém, faz nascer a fantasia.

Assim, pois, temos do lado espiritual apenas a intuição, que se acha acima do espaço e do tempo (*). Do lado terreno temos, em primeiro lugar, o corpo de matéria grosseira ligado ao espaço e ao tempo. Desse corpo promanam os instintos que, pela cooperação do raciocínio, resultam em sentimentos.

O raciocínio, um produto do cérebro ligado ao espaço e ao tempo, por sua vez, como o que há de mais fino e de mais elevado na matéria, gerar, em colaboração com o sentimento, a fantasia.

Portanto, a fantasia é o resultado do trabalho conjunto do sentimento com o raciocínio. Ela é de matéria fina, mas sem força espiritual. por isso a fantasia só tem efeito retroativo. Consegue apenas influir sobre o sentimento de seu próprio gerador, jamais enviando uma onda de força para outros.

A fantasia atua, portanto, apenas retroativamente sobre o sentimento daquele que a gerou, só podendo inflamar o próprio entusiasmo, jamais agindo sobre o ambiente. Com isso é claramente reconhecível o cunho de baixo grau. Diferentemente com a intuição. Esta contém em si energia espiritual criadora e vivificante, e atua com isso irradiando sobre outros, arrebatando-os e convencendo-os.

Temos, portanto, de um lado a intuição, e do outro lado corpo-instinto-raciocínio-sentimento-fantasia.

A intuição é espiritual, está acima dos conceitos terrenos de espaço e tempo. O sentimento é constituído de fina matéria grosseira, dependente dos instintos e do raciocínio, portanto de nível inferior.

Apesar dessa fina matéria grosseira do sentimento, jamais poderá ocorrer, porém, uma mistura com a intuição espiritual, nem qualquer turvação da intuição. A intuição permanecerá sempre clara e pura, porque é espiritual. È também sempre intuída ou “escutada” de modo claro pelos seres humanos, se… é realmente a intuição que fala!

A maior parte dos seres humanos, porém, isolou-se dessa intuição, por ter colocado em primeiro plano o sentimento, qual denso invólucro, uma parede, tomando erroneamente o sentimento como voz interior, razão pela qual vivencia muitas deceções, confiando então tanto mais apenas no raciocínio, não pressentindo que justamente pela cooperação do raciocínio é que pôde ser enganada.

Por causa desse equívoco condenam mais que depressa tudo quanto é espiritual, com o que suas experiências nada tinham que ver, absolutamente, apegando-se cada vez mais às coisas de pouca valia.

O mal básico é, como em muitos outros casos, também aqui, sempre de novo, a sujeição voluntária dessas criaturas humanas ao raciocínio atado ao espaço e ao tempo!

A pessoa que se submete totalmente ao seu raciocínio, submete-se também de todo às restrições do raciocínio, que está atado firmemente ao espaço e ao tempo, como produto do cérebro de matéria grosseira.

[…]

Acordai, por isso, ó vós que vos mantendes segregados e que, com a restrição da capacidade de compreensão, cobristes a vossa intuição com o raciocínio! Sede atentos e escutai os brados que vos alcançam! Não deixeis passar inaproveitado nada que seja capaz de fazer saltar a camada obscurecedora dos baixos sentimentos, seja uma dor violenta, um forte abalo anímico, um imenso sofrimento ou uma alegria sublime e pura. São auxílios que vos mostram o caminho!

Contudo, será melhor que não espereis por isso, e sim que inicieis já com vontade sincera para todo o bem e para a escalada espiritual. Assim, logo irá se tornando mais delgada e leve a camada separadora, até acabar se desvanecendo, e a centelha sempre pura e imaculada irromperá em chama ardente.

Todavia, esse primeiro passo pode e tem de ser dado somente pela própria pessoa; de outra maneira não poderá ser ajudada.

E quanto a isso tendes de distinguir rigorosamente entre desejar e querer. Com o desejar, nada ainda está feito, não basta para qualquer progresso. Tem de ser o querer, que também condiciona a ação, já a traz em si. A ação já se inicia com o querer sincero.

Mesmo que aí muitos também tenham de seguir inúmeros atalhos, por se terem amarrado até então somente ao raciocínio, não devem hesitar. Também lucram! Sua meta é clarificar o raciocínio, descartando-se e livrando-se gradualmente de tudo quanto seja obstáculo, através do vivenciar de todos os atalhos separadamente.

Por isso, adiante, sem vacilação. Com o querer sincero cada caminho conduz por fim ao alvo!

Abdruschin

 

(*) Dissertação: “Intuição”

                        

Dissertação 07 “A voz interior” da obra “Na Luz da Verdade - Mensagem do Graal”, volume II

A Religião do Amor

Novembro 04, 2015

A religião do amor é erroneamente compreendida devido às múltiplas desfigurações e deturpações do conceito de amor, pois a maior parte do verdadeiro amor é severidade! O que presentemente é chamado amor, é tudo menos amor. Se se examinar profundamente e de modo severo todos os assim chamados amores, nada restará a não ser egoísmo, vaidade, fraqueza, comodismo, imaginação ou instintos.

O verdadeiro amor não verificará o que possa dar prazer a outrem, o que lhe proporciona agrado e alegria, e sim cuidará apenas do que lhe seja útil! Não importando se isso lhe causa ou não alegria. Isso é realmente amar e servir.

Portanto, se está escrito: “Amai vossos inimigos!”, então isso quer dizer: “Fazei o que lhes for útil! Castigai-os portanto também, se por outra maneira não possam chegar ao reconhecimento!” Isso é servi-los. Só que aí tem de imperar a justiça, pois o amor não se deixa separar da justiça, são uma só coisa!

Condescendência imprópria equivaleria em aumentar ainda mais os erros dos inimigos e desse modo continuar a deixá-los deslizar pelo caminho em declive. Seria isso amor? Pelo contrário, sobrecarregar-se-ia assim com uma culpa!

Devido aos desejos não formulados das criaturas humanas, a religião do amor foi transformada em uma religião de indolência, como também a pessoa do portador da Verdade, Cristo Jesus, foi desfigurada pela moleza e indulgência que jamais possuíra. Exatamente por causa do Amor Universal, foi ele áspero e severo entre as criaturas humanas de raciocínio.

A tristeza que o acometia muitas vezes era apenas natural, em vista de sua elevada missão e o material humano que tinha de enfrentar. Absolutamente, nada tinha ela a ver com moleza. Após a eliminação de todas as deturpações e estreitezas dogmáticas, a religião do amor será uma doutrina da mais rigorosa consequência, na qual não se encontrará qualquer fraqueza nem ilógicas condescendências.

Abdruschin

                        

Dissertação 08 “A Religião do Amor” da obra “Na Luz da Verdade - Mensagem do Graal”, volume II

O Salvador

Novembro 04, 2015

O Redentor na cruz! Aos milhares estão colocadas essas cruzes como símbolo de que Cristo sofreu e morreu por causa da humanidade. De todos os lados chamam elas a atenção dos fiéis: “Pensai nisso!”.

Em paragens solitárias, nas ruas movimentadas das metrópoles, nos quartos silenciosos, nas igrejas, em cemitérios, nas festas de casamento, por toda a parte serve ela de consolo, de fortalecimento e de advertência. Pensai nisso! Foi por causa de vossos pecados que o Filho de Deus, que trouxe a salvação à Terra, sofreu e morreu na Cruz.

Com estremecimento interior, tomado de profunda reverência e cheio de gratidão encaminha-se para ela o fiel. Com sensação de alegria deixa então o lugar, ciente de que com aquele sacrifício mortal também ele ficou livre de seus pecados.

Tu, porém, pesquisador sincero, vai e coloca-te ante o símbolo da sagrada severidade e esforça-te por compreender o teu Salvador! Atira longe o macio manto do comodismo que tão agradavelmente te aquece e produz uma sensação de bem-estar e segurança, que te deixa dormitar até à derradeira hora terrestre, quando então serás arrancado de chofre de tua sonolência, libertando-te do acanhamento terreno e enfrentando repentinamente a Verdade límpida. Então terá terminado logo o teu sonho, ao qual te havias agarrado, junto com o qual te afundaste na inércia.

Por isso, acorda, teu tempo terreno é precioso! É literalmente certo e indiscutível que o Redentor veio por causa dos nossos pecados. E, também que ele morreu por culpa da humanidade.

Todavia através disso não serão tirados os teus pecados! A obra de salvação do Redentor foi travar luta com as trevas de modo a trazer Luz à humanidade, abrindo-lhe o caminho para o perdão de todos os pecados.

Cada qual tem de percorrer sozinho esse caminho, segundo as leis inamovíveis do Criador. Também Cristo não veio para derrubar essas leis, mas para cumpri-las. Não desconheças, pois, aquele que deve ser o teu melhor amigo! Não atribuas significado erróneo às palavras legítimas!

Quando se diz acertadamente: por causa dos pecados da humanidade aconteceu tudo isso, então quer dizer que a vinda de Jesus só foi indispensável porque a humanidade não mais conseguia, por si, achar saída das trevas criadas por ela mesma e libertar-se se suas tenazes.

Cristo teve que mostrar esse caminho à humanidade. Se esta não se tivesse emaranhado tão profundamente em seus pecados, isto é, se a humanidade não tivesse andado no caminho errado, a vinda de Jesus não teria sido necessária, e ter-lhe-ia sido poupado o caminho de luta e sofrimento.

Por isso é inteiramente certo que ele tivesse que vir somente por causa dos pecados da humanidade, para que esta, no caminho errado, não deslizasse completamente para o abismo, para as trevas.

Isso não quer dizer, todavia, que qualquer pessoa, num instante, possa ter quitação de suas culpas individuais, mal acredite realmente nas palavras de Jesus e viva segundo elas. Se, porém, viver segundo as palavras de Jesus, então seus pecados lhe serão perdoados. Contudo, isso só se dará aos poucos, assim que o remate se efetivar, na reciprocidade, através dos esforços da boa vontade. Não de outro modo. Diferentemente, porém, será com aqueles que não vivem segundo as palavras de Jesus, sendo-lhes absolutamente impossível o perdão.

Isso não quer dizer, contudo, que somente os adeptos da igreja cristã podem obter o perdão dos pecados.

Jesus anunciou a Verdade. Por conseguinte, suas palavras devem encerrar também as verdades de outras religiões.

Ele não quis fundar uma igreja, mas mostrar o verdadeiro caminho à humanidade, o qual pode ser igualmente atingido pelas verdades de outras religiões. Por isso é que se encontram em suas palavras também tantas consonâncias com as religiões já existentes naquele tempo.

Jesus não as tirou daquelas religiões, mas como ele trouxe a Verdade, devia encontrar-se nela também tudo aquilo que em outras religiões já existia de verdade.

Também mesmo quem não conhece as palavras de Jesus e almeja de modo sincero a Verdade e o enobrecimento, já vive muitas vezes inteiramente no sentido dessas palavras e por isso marcha com segurança também para uma crença pura e o perdão de seus pecados. Acautela-te, por conseguinte, de conceções unilaterais. Desvalorizam a obra do Salvador.

Quem se esforça seriamente pela Verdade, pela Pureza, a esse também não falta o Amor. Será conduzido para cima espiritualmente, de degrau em degrau, mesmo que às vezes através de duras lutas e dúvidas e, seja qual for a religião a que pertença, já aqui ou também só no mundo da matéria fina, ao encontro do espírito de Cristo, o qual o levará por fim até o reconhecimento de Deus-Pai, com o que se cumpre a sentença: “Ninguém chegará ao Pai, a não ser através de mim”.

Esse “por fim”, contudo, não se inicia nas últimas horas terrenas, mas sim num determinado grau de desenvolvimento do ser humano espiritual, para o qual o trespasse do mundo de matéria grosseira para o de matéria fina significa apenas uma mudança.

[…]

Jesus morreu, portanto, devido aos pecados da humanidade! Se não fossem os pecados da humanidade, o afastamento de Deus causado pela restrição do raciocínio, poderia ter sido poupada a vinda de Jesus e, dessa forma, também o seu caminho de sofrimento e a sua morte na cruz. É inteiramente certo, portanto, quando é dito: foi por causa dos nossos pecados que Jesus veio, padeceu, e sofreu a morte na cruz!

Nisso, porém, não consta que tu próprio não terias que remir teus pecados!

Só que agora o podes fazer com facilidade, porque Jesus mostrou-te o caminho pela transmissão da Verdade em suas palavras.

Assim nem a morte de Jesus na cruz pode simplesmente apagar teus pecados. Para que tal coisa acontecesse, teriam que desmoronar antes todas as leis universais. Tal não se dá, porém. O próprio Jesus faz referência muitas vezes a tudo “que está escrito”, isto é, ao antigo. O novo Evangelho do Amor também não tem a intenção de destruir ou de anular o velho da Justiça, mas completá-lo. Quer com ele ser ligado.

Não olvides, por conseguinte, a Justiça do grande Criador de todas as coisas, a qual não se deixa deslocar sequer por um fio de cabelo e que permanece inabalável desde o começo do mundo até o seu fim! Ela nem poderia consentir que alguém tomasse a si a culpa de outrem para remi-la.

Por causa da culpa de outros, isto é, devido à culpa de outros, Jesus pôde vir, sofrer e morrer, apresentando-se como lutador em prol da Verdade, mas ele próprio permaneceu puro e inatingido por essa culpa, razão pela qual não poderia tomá-la sobre si pessoalmente.

A obra salvadora por isso não é menor, mas um sacrifício como não pode haver maior. Por ti desceu Jesus das alturas luminosas para a lama, lutou por ti, sofreu e morreu por ti, para trazer-te Luz no caminho certo para o alto, a fim de que não te perdesses nem submergisses nas trevas!

Assim está teu Salvador diante de ti. Essa foi sua enorme obra de Amor.

A Justiça de Deus permaneceu séria e severa nas leis do mundo, pois o que o ser humano semeia isso ele colherá, diz também o próprio Jesus em sua Mensagem. Nem sequer um centavo lhe será perdoado, de acordo com a Justiça Divina!

Lembra-te disso quando estiveres diante do símbolo da sagrada severidade. Agradece de todo o coração ao Salvador que com a sua Palavra te abriu novamente o caminho para o perdão de teus pecados, e deixa tais lugares com o firme propósito de seguir o caminho a ti mostrado, para que te possa advir o perdão.

Seguir o caminho, porém, não quer dizer apenas aprender a Palavra e acreditar nela, mas viver essa Palavra! Acreditar nela, considera-la certa e não agir em tudo de acordo com a mesma, de nada te adiantaria. Pelo contrário, estarás em pior situação do que aqueles que nada sabem da Palavra.

Por isso, acorda, o tempo terreno é precioso para ti!

Abdruschin

                        

Excerto da Dissertação 09 “O Salvador” da obra “Na Luz da Verdade - Mensagem do Graal”, volume II

O mistério do nascimento

Novembro 04, 2015

Os seres humanos não sabem o que fazem, quando dizem que existe uma grande injustiça na maneira pela qual se dá a distribuição dos nascimentos!

Com grande insistência afirma um: “Se existe uma justiça, como pode nascer uma criança já com o fardo de uma doença hereditária! A criança inocente tem que carregar consigo os pecados dos pais.”

O outro: “Uma criança nasce na riqueza, outra em amarga pobreza e miséria. Com isso não pode surgir qualquer crença na justiça.”

Ou então: “Admitindo que os pais devam ser castigados, não está certo que isso se cumpra pela doença e morte de uma criança. A criança, pois, com isso terá que sofrer inocentemente.”

Estas e outras observações pululam aos milhares entre a humanidade. Até mesmo pesquisadores sinceros muitas vezes quebram a cabeça com esses problemas.

A ânsia pelo “porquê” não se elimina com a simples declaração de que “estes são os imperscrutáveis caminhos de Deus, que tudo conduzem para o melhor”. Quem com isso se contenta tem que concordar apaticamente, ou reprimir imediatamente como injusto qualquer pensamento indagador.

Assim não é desejado! É perguntando que se acha o caminho certo. Apatia ou violenta repressão apenas lembra escravidão. Mas Deus não quer escravos! Não quer obediência apática, mas um olhar livre e consciente para o Alto!

Suas maravilhosas e sábias instituições não precisam ser envoltas pela escuridão mística, pelo contrário, ganham em sua sublime e inatingível magnitude e perfeição, quando expostas em nossa frente, abertamente! Elas operam ininterruptamente, com ritmo sereno e firme, sempre imutáveis e incorruptas em sua atuação eterna.

Não se preocupam com o rancor nem com o reconhecimento dos seres humanos, tampouco com sua ignorância, mas restituem a cada um, com a maior fidelidade, em frutos maduros, o que semeou.

“Os moinhos de Deus moem devagar, mas com segurança”, diz a voz do povo acertadamente, quanto a este tecer de incondicional reciprocidade em toda a Criação, cujas leis imutáveis trazem em si Justiça de Deus e a executam. Brota, flui e corre, e derrama-se sobre todos os seres humanos, quer queiram ou não, quer se submetam ou se revoltem, terão de receber como castigo justo e como perdão, ou como recompensa para a elevação.

Se um resmungador ou cético pudesse uma única vez apenas lançar um olhar para o flutuar e tecer da matéria fina, perpassado e suportado pelo rigorosos espiritual, flutuar e tecer que transpassa a Criação toda, que a envolve e que nela se encontra, sendo mesmo uma parte dela, vivo como um tear de Deus em eterno funcionamento, logo silenciaria envergonhado e reconheceria assustado a arrogância contida em suas palavras.

A serena sublimidade e segurança que vê, obriga-o a prostrar-se, pedindo perdão.

Quão mesquinho, pois, havia suposto seu Deus! E, todavia, que incrível grandeza encontra em Suas obras. Reconhecerá então que com suas mais elevadas conceituações terrenas, só podia ter procurado diminuir Deus e restringir a perfeição da grande obra, com o trabalho vão de querer encerrá-la no âmbito estreito que o cultivo do raciocínio criou, o qual jamais poderá elevar-se acima do espaço e do tempo.

O ser humano não deve esquecer-se de que ele se encontra na obra de Deus, que ele mesmo é um pedaço dessa obra e que por conseguinte está incondicionalmente também sujeito às leis dessa obra.

Tal obra não abrange, contudo, apenas as coisas visíveis aos olhos terrenos, mas também o mundo de matéria fina que contém em si a maior parte da verdadeira existência e atividade humana. As respetivas vidas terrenas são apenas pequenas partes disso, mas sempre importantes pontos de transição.

O nascimento terreno constitui sempre apenas o início de uma fase importante da existência inteira de uma criatura humana, mas não seu começo propriamente dito.

O ser humano como tal, iniciando sua peregrinação pela Criação, encontra-se livre, sem os fios do destino, que só depois, através de sua vontade, se estendem dele para o mundo de matéria fina, pela força de atração da igual espécie, tornando-se cada vez mais fortes durante o percurso e cruzando-se com outros, entremeando-se e vindo a agir retroativamente sobre o autor, com o qual continuaram ligados, de maneira a trazer consigo destino ou carma.

Os efeitos de fios em retorno simultâneo misturam-se entre si, pelo que as cores, originalmente pronunciadas de modo nítido, recebem outras tonalidades, produzindo novos quadros combinados. (*)

Os fios individuais constituem o caminho das ações de retorno até que o autor já não ofereça nenhum ponto de apoio em seu íntimo para elementos de igual espécie, portanto quando de sua parte não mais cuida do caminho e nem o conserva, pelo que essas fios não se podem mais prender nem firmar-se devendo secar e cair dele, quer se trate de coisas boas ou más.

Cada fio de destino é, portanto, formado na matéria fina através de um ato de vontade na decisão para uma ação, emigra, mas permanece apesar disso ancorado no autor e constitui dessa maneira o caminho seguro para espécies iguais, fortalecendo-as, mas também, simultaneamente, recebendo delas força, a qual retorna ao ponto inicial por esse caminho.

Decorre desse processo o auxílio que chega aos que se esforçam pelo bem, conforme fora prometido, ou porém a circunstância de que “o mal tem que gerar continuamente o mal”. (**)

[…]

A existência terrena deve ser realmente vivenciada, se é que deva ter uma finalidade. Somente o que for experimentado no íntimo de modo vivencial em todos seus altos e baixos, quer dizer, sentido intuitivamente, torna-se algo próprio. Se uma pessoa soubesse sempre de antemão a direção certa que lhe seria útil, não haveria para ela nenhum ponderar, nenhum decidir. Assim também não receberia nenhuma força e nenhuma autonomia, absolutamente indispensáveis para ela.

Dessa forma, pois, toma com mais realidade cada situação de sua vida terrena. Tudo o que é realmente vivenciado, grava impressões fortes na intuição, no imperecível, que o ser humano em sua metamorfose leva consigo para o Além como sendo seu, como parte dele mesmo, novo, moldado de acordo com as impressões. Mas apenas aquilo que é realmente vivenciado, pois tuto o mais se apaga com a morte terrena. O vivenciado, porém, permanece como extrato purificado da existência terrena, seu lucro!

Nem tudo o que foi aprendido faz parte do vivenciado.

Mas do aprendido restará apenas aquilo que o ser humano houver absorvido pela vivência. Todo o acúmulo restante de coisas inúteis do que foi aprendido, a que tantas pessoas sacrificam a existência terrena inteira, permanece como debulho. Portanto, cada momento da vida jamais pode ser encarado de modo suficientemente sério, para que através dos pensamentos, palavras e ações, pulse forte calor de vida, a fim de que não decaiam em hábitos vazios.

A criança recém-nascida parece, por causa dessa venda que lhe é passada nos olhos no ato da encarnação, totalmente ignorante, por isso também tida erroneamente como inocente. Não raro traz consigo enorme carma, que lhe dá oportunidade de remir caminhos errados anteriores no exaurir vivencial. O carma é na predestinação apenas a consequência necessária dos factos passados. Nas missões, uma aceitação voluntária para atingir a compreensão e a maturação terrena indispensável ao cumprimento da tarefa, caso não faça parte da própria missão.

Por isso o ser humano não devia mais resmungar a respeito de injustiça nos nascimentos, mas olhar com gratidão para o Criador que, com cada nascimento individual, apenas oferece novas graças!

Abdruschin

 

(*) Dissertação: “Destino”.

(**) Dissertação: “O ser humano e seu livre-arbítrio”.

                        

Excerto da Dissertação 10 “O mistério do nascimento” da obra “Na Luz da Verdade - Mensagem do Graal”, volume II

É aconselhável o aprendizado do ocultismo?

Novembro 04, 2015

Esta pergunta tem que ser respondida com um “não” absoluto. O aprendizado do ocultismo, que em geral engloba exercícios para a aquisição de clarividência, clariaudiência etc., é um estorvo ao livre desenvolvimento interior e à verdadeira escalada espiritual. O que com isso pode ser desenvolvido é o que em tempos passados se compreendia com os assim chamados magos, tão logo o aprendizado decorresse mais ou menos favorável.

É um tatear unilateral de baixo para cima, pelo qual nunca se poderá transpor a assim denominada área terrestre. Sempre se tratará, em todos esses acontecimentos eventualmente alcançáveis, apenas de coisas baixas e baixíssimas, que não poderão elevar os seres humanos interiormente, mas sim induzi-los a erros.

O ser humano consegue com isso apenas se inserir no âmbito da matéria fina que lhe está mais próximo, cujos inteligentes muitas vezes são ainda mais ignorantes do que as próprias pessoas terrenas. Tudo quanto com isso alcança é abrir-se a perigos desconhecidos por ele e dos quais permanece protegido exatamente pelo facto de não se abrir.

Quem por meio de aprendizado se tornou clarividente ou clariaudiente verá ou ouvirá, nesse âmbito inferior, muitas vezes também coisas que têm aparência de algo elevado e puro, e que no entanto muito longe estão disso. A tudo isso se junta também a própria fantasia, superexcitada por causa de exercícios, gerando igualmente um ambiente que o aprendiz então vê e ouve deveras, e a confusão aí está.

Tal pessoa, não estando firme nos pés devido a aprendizado artificial, não poderá diferenciar e, mesmo com a melhor boa vontade, não poderá traçar um limite nítido entre a verdade e a ilusão, assim como entre as múltiplas e multiformes forças configuradoras da vida na matéria fina. Por último juntam-se ainda as influências inferiores que lhe serão nocivas na certa, , às quais ele mesmo deliberadamente e com tanto esforço se abriu, às quais não poderá opor nenhuma força superior, e assim tornar-se-á logo como um destroço de navio sem leme num mar desconhecido, podendo tornar-se perigoso a tudo que lhe vier de encontro.

É idêntico a uma pessoa que não sabe nadar. Numa canoa estará perfeitamente apta a atravessar com toda a segurança o elemento que não lhe é familiar. Comparável à vida terrena. Se, porém, durante o trajeto tirar uma tábua do barco protetor, romperá uma brecha no abrigo por onde entrará água, roubando sua proteção e arrastando-a para o fundo. Por não saber nadar, tal pessoa será apenas uma vítima do elemento que não lhe é familiar.

Eis o processo no aprendizado do ocultismo. Com isso a pessoa só arranca uma tábua de seu barco protetor, mas não aprende a nadar.

Contudo, também há nadadores que se denominam mestres. Nadadores nesse setor são aqueles que já trazem consigo um dom, complementando-o mediante alguns exercícios, a fim de pô-lo em relevo e procurando também ampliá-lo cada vez mais. Em tais casos há sempre uma predisposição maior ou menor, ligada a um aprendizado artificial. Todavia, mesmo ao melhor nadador sempre são colocados limites bastante restritos. Se ousa ir mais longe, as forças lhe fraquejam e ele acaba se perdendo da mesma forma que um que não sabe nadar, caso… não lhe seja proporcionado socorro da mesma forma como a um  que não sabe nadar.

Tal auxílio, no entanto, no mundo de matéria fina, só pode sobrevir das alturas luminosas, do espiritual puro. E esse auxílio por sua vez só pode se aproximar se a pessoa que se encontra em perigo já tiver atingido determinado grau de pureza em seu desenvolvimento anímico, com o que poderá ligar-se a um ponto de apoio. E tal pureza não se consegue através do aprendizado do ocultismo com finalidades de experiências, só podendo vir pela elevação da legítima moral interior, no constante olhar para a pureza da Luz.

Tendo uma pessoa seguido esse caminho, que aos poucos a levará a um certo grau de pureza interior, que naturalmente se refletirá também em seus pensamentos, palavras e ações, então, pouco a pouco, consegue ligação com a s alturas mais puras e de lá, reciprocamente, também energias aumentadas.

Com isso ela tem uma ligação através de todos os degraus intermediários, que a segura e na qual pode se apoiar. Não demorará muito e tudo lhe será dado sem esforços próprios, o que os nadadores inutilmente procuravam obter. Mas com um cuidado e precaução, que jazem nas rígidas leis da reciprocidade, de modo que sempre receberá apenas tanto daquilo quanto pode dar de força equivalente, pelo menos na mesma intensidade, com o que de antemão fica eliminado qualquer perigo.

E assim acabará a barreira separadora, que pode ser comparada às tábuas de uma embarcação, ficando cada vez mais finas até sumir de vez. Mas então já terá também chegado o momento em que tal pessoa, como o peixe na água, se sentirá inteiramente à vontade no mundo de matéria fina, como em seu elemento, manobrando direito até as alturas luminosas. Esse é o único caminho certo.

Todo preparo prematuro mediante aprendizado artificial é errado. Somente para o peixe habituado à água, esta apresenta-se realmente sem perigos, por se tratar de “seu elemento” e para o qual ele traz em si todos os aparelhamentos que mesmo um exímio nadador jamais conseguirá adquirir.

Se um indivíduo adota tal aprendizado, tem isso que se iniciar com uma prévia resolução voluntária, a cujas consequências ele então ficará sujeito. Por conseguinte, não poderá contar que um auxílio lhe deva ser dado. Dispôs, antes, do livre-arbítrio de resolução.

Uma pessoa, porém, que incentiva outros a tais aprendizados, donde resulta toda a sorte de perigos, tem que arcar com uma grande parte das consequências, como culpa, de cada um individualmente. Será acorrentada a todos na matéria fina. Após sua morte terrena terá que descer irrevogavelmente até aqueles que a precederam, que sucumbiram aos perigos, até aquele que caiu mais profundamente.

E ela mesma não conseguirá subir, enquanto não houver ajudado cada um daqueles a se elevar de novo, enquanto não houver extinguido o caminho errado e, além disso, recuperado o assim perdido. Isso é o equilíbrio na reciprocidade e ao mesmo tempo o caminho de graças para ela, a fim de corrigir o mal cometido e ascender.

E se aquela pessoa não tiver agido apenas pela palavra, mas sim também pela escrita, sua situação ainda será pior, porque seus escritos continuarão a causar danos, mesmo depois de sua morte terrena. Terá então que aguardar na vida de matéria fina, até que ninguém mais apareça daqueles que se deixaram desviar pela escrita, aos quais, por isso, ela terá que ajudar a subir de novo. Séculos poderão passar nisso.

Com isso, porém, não se quer dizer que o âmbito do mundo de matéria fina deva permanecer incólume e inexplorado na vida terrena!

Aos interiormente amadurecidos sempre será dado aquilo na hora certa, para que se sintam à vontade, o que para outros encerra perigos. Ser-lhes-á permitido contemplar a verdade e transmiti-la. No entanto, terão também ai uma visão clara dos perigos que ameaçam aqueles que, unilateralmente, mediante o aprendizado do ocultismo, querem intrometer-se nos baixios de um terreno que lhes é desconhecido. Estes amadurecidos jamais darão estímulo a aprendizados ocultistas.                         

Abdruschin

                        

Dissertação 11 “É aconselhável o aprendizado do ocultismo?” da obra “Na Luz da Verdade - Mensagem do Graal”, volume II

Espiritismo

Novembro 04, 2015

Espiritismo! Mediunidade! Acaloradamente são discutidos os prós e os contras. Não é tarefa minha dizer algo sobre os adversários e seu afinco em negar. Seria desperdício de tempo pois cada ser humano que raciocina logicamente necessita somente ler o tipo dos assim chamados exames ou pesquisas, para, por si só, reconhecer que eles atestam completo desconhecimento e categórica incapacidade dos “examinadores”.

Porquê? Se eu quero pesquisar a terra, tenho que me orientar de acordo com a terra e sua constituição. Se, porém, pretendo investigar o mar, outra coisa não me resta senão me orientar de acordo com a constituição da água e servir-me dos meios de auxílios correspondentes à constituição da água.

Querer aplicar às águas, perfuradoras ou enxadas ou mesmo pás, pouco proveitoso me seria em minhas pesquisas. Ou porventura terei que negar a água, por não opor resistência à entrada da pá, ao contrário do que acontece com a terra, de consistência mais compacta e a mim mais familiar? Ou por não me ser possível, tampouco, andar a pé sobre ela, como habitualmente em terra firme?

Adversários dirão: é diferente, pois a existência da água vejo e sinto; isto, portanto, ninguém pode negar!

Quanto tempo faz que se negava energicamente os milhões de seres multicolores numa gota de água, de cuja existência já agora cada criança sabe? E porque se negava? Somente porque não eram vistos! Só depois que se inventou um instrumento adequado, foi que se pôde reconhecer, ver e observar esse novo mundo.

O mesmo se dá com o mundo extramaterial, o assim chamado Além! Tornai-vos conscientes! E então podereis fazer um julgamento! Depende de vós e não do “outro mundo”. Tendes em vós, além do vosso corpo de matéria grosseira, ainda a matéria do outro mundo, ao passo que os que se acham no Além não possuem mais da vossa matéria grosseira.

Exigis e esperais que os que se acham no Além se aproximem de vós (dando sinais etc.), conquanto desprovidos de todo de matéria grosseira. Esperais que eles vos comprovem sua existência, enquanto vós mesmos, que sois constituídos não só de matéria grosseira, como também da substância que eles dispõem, aguardais sentados em atitudes de juízes.

Construí vós, pois, a ponte que vós podeis estender, trabalhai enfim com a mesma matéria que também está à vossa disposição e tornai-vos dessa forma videntes! Ou calai-vos se não compreendeis e continuai a nutrir apenas o que é de matéria fina.

Dia virá em que o que é de matéria fina terá que se separar do que é de matéria grosseira, ficando por terra extenuado, por se ter desabituado totalmente ao voo, pois também tudo isso está sujeito às leis terrenas coimo o corpo terrenal.

Somente movimento produz força! Não necessitais de médiuns para reconhecer o que é de matéria fina. Basta observardes a vida que encerra a vossa própria matéria fina. Concedei-lhe, mediante a vossa vontade, o que necessita para se fortificar. Ou acaso pretendeis contestar também a existência de vossa vontade, uma vez que não a podeis ver nem palpar?

Quantas vezes sentis os efeitos da vossa vontade em vós mesmos. Vós os sentis bem, mas não podeis vê-los nem pegá-los. Tanto nos momentos de elevação, de alegria ou de sofrimento, de ira ou de inveja. Logo que a vontade atua, tem ela que possuir também força, que produz uma pressão, porque sem pressão não pode haver efeito nem perceção. E onde há uma pressão, tem que atuar um corpo, algo de consistente da idêntica matéria, do contrário não poderá originar-se qualquer pressão.

Portanto, deve haver formas sólidas duma substância que não podeis ver nem apalpar com vosso corpo de matéria grosseira. E assim é a matéria do Além, que somente podeis perceber com a igual espécie, também inerente a vós.

Esquisita é a disputa a favor e contra uma vida depois da morte terrena, chegando aliás muitas vezes até o ridículo. Quem se dispuser com intento sereno, imparcial e neutro, a refletir e a observar, logo concluirá que na verdade tudo, mas tudo mesmo, fala deveras a favor da probabilidade de um mundo extramaterial, mundo esse que a atual criatura humana mediana não consegue perceber. São tantos os acontecimentos que sempre e sempre advertem a esse respeito, que não podem ser postos à margem simplesmente como inexistentes.

No entanto, a favor de um cessar incondicional após a morte terrena, nada mais existe senão o desejo de muitos que com isso gostariam de esquivar-se de qualquer responsabilidade espiritual, onde não pesam inteligência ou habilidades, mas apenas o verdadeiro intuir.

Contudo, agora, aos adeptos do espiritismo, do espiritualismo e assim por diante, ou como queiram denominar-se, vindo tudo a dar na mesma, isto é, em grandes erros!

Os adeptos são muitas vezes bem mais perigosos, muito mais nocivos à verdade do que os adversários!

São apenas poucos dentre milhões que permitem que se lhes diga a verdade. A maioria deles está emaranhada numa gigantesca trama de pequenos erros, que não lhes deixa encontrar o caminho de saída rumo à verdade singela. Onde se encontra a culpa? Estaria nos do Além? Não! Os nos médiuns? Também não! Apenas no próprio ser humano individual! Ele não é bastante sincero nem severo contra si próprio, não quer derrubar opiniões preestabelecidas, teme destruir uma imagem que ele próprio formou a respeito do Além, a qual lhe deu durante muito tempo, em sua fantasia, sagrados calafrios e certo bem-estar.

E ai daquele que nisso tocar! Cada um dos adeptos já está com a pedra pronta para lhe arremessar! Agarra-se deveras nisso e está disposto a chamar, mais facilmente, os do Além de mentirosos ou de espíritos gracejadores, ou a taxar de insuficientes os médiuns, em vez de primeiramente iniciar um sereno exame de si próprio, refletindo se a sua conceção por acaso não teria sido errónea.

Onde deveria eu começar aí a exterminar as muitas ervas daninhas? Seria um trabalho sem fim. Por isso seja destinado, aquilo que aqui falo, apenas para aqueles que realmente procuram com sinceridade, pois somente esses devem encontrar.

[…]

Os do Além estão de facto em condições de reconhecer em que direção, quanto a uma determinada coisa, está o certo e o errado, mas então terá o ser humano com os seus meios terrenos de auxílio, isto é, com o raciocínio e com sua experiência, que ponderar de que modo poderá seguir o rumo certo. Terá que harmonizar isso com todas as possibilidades terrenas! Essa é sua tarefa.

Mesmo quando um espírito muito decaído consegue ensejo para falar e influir, ninguém poderá declarar que ele mente ou procura orientar errado, mas transmite aquilo que vive, procurando convencer os demais disso. Nada poderá dar de diferente.

Assim, há numerosos erros nos conceitos dos espíritas.

O “espiritismo” tem sido muito difamado, não por si próprio, mas por causa da maior parte dos adeptos que, já após poucas experiências e no mais das vezes precárias, presumem, entusiasticamente, que o véu já lhes foi removido, desejando então proporcionar aos outros uma ideia da vida de matéria fina por eles mesmos imaginada, criada por uma fantasia desenfreada e correspondendo em primeiro lugar e de modo exato aos próprios desejos. Raramente, contudo, tais perspetivas se coadunam de todo com a verdade!

Abdruschin

                        

Excerto da Dissertação 12 “Espiritismo” da obra “Na Luz da Verdade - Mensagem do Graal”, volume II

Preso à Terra

Novembro 04, 2015

Tal expressão vem sendo muito usada. Mas quem é que compreende realmente o que com isso profere? “Preso à Terra” soa como um castigo horrendo. A maioria dos seres humanos sente um certo pavor, atemoriza-se diante daqueles que ainda se acham presos à Terra. Todavia, o sentido desse termo não é tão ruim.

Certamente existe muita coisa sombria que deixa esta ou aquela pessoa tornar-se presa à Terra. Mas em geral são coisas bem simples, as que predominantemente levarão a essa condição de aprisionamento à Terra.

Tomemos por exemplo um caso: os pecados dos pais vingam-se até à terceira e quarta geração!

Uma criança faz em família uma pergunta qualquer sobre o Além ou a respeito de Deus, com referência ao que ouviu na escola ou na igreja. O pai corta logo isso com a observação: “Ora, larga dessa tolice! Quando eu morrer, tudo estará acabado.”

A criança fica surpresa e tomada de dúvidas. As manifestações desdenhosas do pai ou da mãe se repetem, a criança ouve o mesmo por parte de outros e acaba aceitando essa conceção.

Chega, no entanto, a hora do trespasse do pai. Com horror reconhece que com isso não deixou de existir. Desperta nele então o desejo ardente de comunicar esse reconhecimento ao seu filho. Esse desejo liga-o à criança.

O filho, porém, não o ouve nem sente a sua presença, porque vive na convicção de que o pai não existe mais, e isso se interpõe como uma firme e intransponível parede entre ele e os esforços do seu pai.

E o tormento do pai por ter que observar que o filho segue caminho errado por sua culpa, o qual o leva cada vez mais longe da verdade, o medo de que o filho, nesse caminho errado, não possa escapar aos perigos de afundar ainda mais e, sobretudo, estar muito mais facilmente exposto, atuam concomitantemente nele, no pai, como um assim chamado castigo, pelo facto de haver dirigido o filho para esse caminho.

Raramente ele consegue transmitir de alguma maneira esse reconhecimento ao filho. Terá que assistir como a ideia errada do filho se retransmite aos filhos deste. E assim por diante, tudo como consequência de seu próprio erro. E não se libertará, enquanto um de seus descendentes não reconhecer e seguir o caminho certo, influindo sobre outros tantos, com o que pouco a pouco será libertado e poderá pensar na sua própria escalada.

Um outro caso: um fumante inveterado leva consigo para o outro lado o impulso forte de fumar, pois esse impulso é um pendor que toca de leve o sentimento intuitivo, isto é, o espiritual, conquanto apenas em suas ramificações mais exteriores. Passa a sentir ardentes desejos e isso o prende lá onde possa alcançar essa satisfação… na Terra. Encontra-a, seguindo no encalço de fumantes e desfrutando com eles através de seus sentimentos intuitivos.

Se tais não estiverem presos a outro lugar por pesado carma, sentem-se mais ou menos bem, raramente chegando a ficar conscientes de um real castigo. Somente aquele que abrange a existência toda, reconhece o castigo na inevitável reciprocidade, que faz com que o respetivo não possa subir, enquanto nele o desejo vibrante para a satisfação, em contínua “vivência”, ainda o liga a outras pessoas que vivem na Terra em carne e osso, através de cujo sentimento intuitivo, unicamente, pode alcançar satisfação conjunta.

Assim também acontece com satisfação sexual, com bebidas, sim, até com predileção especial por comidas. Igualmente nesse caso, muitos estão presos por causa dessa predileção, de vasculhar por adegas e cozinhas, a fim de coparticipar através de outrem do saborear das comidas e pelo menos poder sentir uma pequena parte do prazer.

Considerando bem, isso constitui logicamente um “castigo”. Mas o desejo premente dos “que se acham presos à Terra” não os deixa sentir isso intuitivamente, pelo contrário, domina tudo o mais e por isso o anseio pelas coisas mais elevadas, mais nobres, não pode tornar-se tão forte, que chegue a ser uma vivência dominante, libertando-os desse modo do outro e elevando-os.

O que realmente perdem com isso, eles nem o percebem, até que esse desejo de satisfação, que aliás apenas pode constituir uma satisfação parcial através de outrem, acaba afrouxando e enfraquecendo como um descostume gradativo, dando margem, assim, a que outros sentimentos intuitivos neles latentes e com menor força de desejo, gradualmente se instalem e preponderem, chegando ao imediato vivenciar e com isso à força da realidade.

A espécie das instituições avivadas o conduz para lá onde se acha a igual espécie, quer de nível mais alto ou mais baixo, até que esta, como a anterior, pouco a pouco se liberte pelo descostume e venha outra a se evidenciar, se porventura ainda exista.

Assim, com o tempo, realiza-se a purificação das numerosas escórias que ele levou para o Além. Acaso permanecerá detido em algum lugar por uma última intuição? Ou empobrecido de força intuitiva? Não! Porque quando finalmente os sentimentos intuitivos inferiores, pouco a pouco, morrerem ou forem abandonados, seguindo em rumo ascendente, desperta o anseio contínuo para coisas cada vez mais elevadas e puras e este impele permanentemente para cima.

Assim é o andamento normal! Há, porém, milhares de imprevistos. O perigo de queda ou de detenção é muito maior do que em carne e osso na Terra. Se já te encontras em plano mais elevado e cedes ante alguma intuição inferior por um momento que seja, tal intuição tornar-se-á imediatamente um vivenciar e, com isso, realidade. És mais denso e serás mais pesado, cairás para regiões de igual espécie. Teu horizonte se restringe com isso e terás que te esforçar nova e lentamente para cima, se não te acontecer que caias mais baixo, sempre mais baixo.

“Velai e orai!”, Portanto, não é uma expressão vazia. Por enquanto a matéria fina existente em ti ainda se acha protegida por teu corpo, sustentada como que por uma firme âncora. Quando sobrevier o desenlace na assim chamada morte e decomposição do corpo, estarás então sem essa proteção e como matéria fina serás irresistivelmente atraído pela igual espécie, seja alta ou baixa, não poderás fugir. Somente uma grande força propulsora poderá ajudar-te a subir, tua firme vontade em demanda das coisas elevadas, boas, transformando-se em anseio e em intuição e, com isso, também no vivenciar e na realidade, segundo a lei do mundo de matéria fina, que só conhece intuição.

Por isso, trata de preparar-te desde já com essa vontade, para que na ocasião da transformação, que pode sobrevir a qualquer hora, essa vontade não possa ser subjugada por desejos terrenais demasiado fortes! Acautela-te, criatura humana, e vigia!

Abdruschin

                        

Dissertação 13 “Preso à Terra” da obra “Na Luz da Verdade - Mensagem do Graal”, volume II

A abstinência sexual beneficia espiritualmente?

Novembro 04, 2015

Se as criaturas humanas se livrassem do erro predominante de que a abstinência sexual é vantajosa, haveria muito menos infelicidade. A abstinência forçada é um abuso que pode vingar-se amargamente.

As leis da Criação inteira, para onde quer que se olhe, mostram nitidamente o caminho. Supressão é antinatural. E tudo quanto é antinatural vem a ser uma revolta contra as leis naturais, isto é, Divinas, o que, como em todas as coisas, também aqui não poderá trazer bons resultados.

Exatamente neste ponto não há exceção. O ser humano somente não deve deixar-se dominar pelo desejo sexual, tornando-se escravo de seus instintos, caso contrário ele os transforma em paixão e com isso o que é natural, sadio, se torna vício doentio.

O ser humano deve colocar-se acima, isto é: não forçar abstinência, mas exercer um controle com moral interior pura, para evitar males a si mesmo e a outrem.

Se um ou outro pensar em ascender espiritualmente através de abstinência, pode facilmente suceder-lhe que com isso consiga justamente o contrário. Segundo sua disposição, manter-se-á em luta mais ou menos constante com seus instintos naturais. Essa luta lhe absorverá grande parte das energias espirituais, constituindo assim um estorvo para a aplicação das mesmas em outros setores. Dessa maneira fica impedido um livre desabrochar de forças espirituais. Tal pessoa sofre, de tempos em tempos, de graves opressões anímicas que lhe impedem uma alegre elevação interior.

O corpo é uma dádiva confiada pelo Criador que o ser humano tem obrigação de cuidar. Da mesma forma como ele não pode se abster, sem danos, das exigências do corpo pela comida, pelo beber, pelo descanso e pelo sono, pelo esvaziamento da bexiga e dos intestinos, da mesma forma como a falta de ar fresco e insuficiente movimentação logo se fazem sentir desagradavelmente, de modo idêntico não poderá também interferir nas exigências sadias de um corpo maduro para a atividade sexual, sem que com isso acarrete algum dano para si.

A satisfação das necessidades naturais do corpo só poderá beneficiar o ser humano interiormente, isto é, o desenvolvimento do espiritual; jamais estorvará, do contrário o Criador nunca o teria instituído.

Mas como em tudo o mais, também aqui todo o excesso é prejudicial. Deve-se observar atentamente que essa exigência não seja acaso apenas a consequência de uma fantasia do corpo enfraquecido ou de nervos superexcitados, atiçada artificialmente por leituras ou outras causas. Tem de tratar-se realmente apenas da exigência de um corpo sadio, a qual absolutamente não se manifesta ao ser humano de modo mui frequente.

Isso só se dará quando existir previamente uma completa harmonia espiritual entre os dois sexos, a qual por fim leva às vezes também a uma união corporal.

Todos os outros motivos são para ambas as partes degradantes, impuros e imorais, inclusive no matrimónio. Ali onde não houver harmonia espiritual, a continuação de um casamento se tornará absoluta imoralidade.

Se a regulamentação social ainda não encontrou um caminho certo, tal falha não altera em nada as leis naturais, que jamais se orientarão segundo as disposições humanas e conceitos erroneamente doutrinados. Aos seres humanos nada mais restará, senão terminarem ajustando suas instituições estatais e sociais às leis naturais, isto é, às leis Divinas se realmente queiram sanar e ter paz interior.

A abstinência sexual nada tem que ver também com a castidade. A abstinência poderia no máximo ser enquadrada no conceito de “disciplina” oriunda de cultivo, educação ou autocontrole.

Como legítima castidade deve-se compreender a pureza dos pensamentos, porém em todas as coisas, até mesmo nos pensamentos profissionais. A castidade é uma característica meramente espiritual, não uma característica física. Também na satisfação do instinto sexual a castidade pode ser mantida plenamente pela pureza mútua dos pensamentos.

Além disso, a união corporal não visa apenas a fecundação, mas deve haver aí o não menos valioso e necessário processo de uma fusão íntima e uma permuta de fluidos mútuos para maior desenvolvimento de forças.         

Abdruschin

                        

Dissertação 14 “A abstinência sexual beneficia espiritualmente?” da obra “Na Luz da Verdade - Mensagem do Graal”, volume II

Formas de pensamentos

Novembro 04, 2015

Sentai-vos em qualquer casa de lanches ou bar e observai as mesas ocupadas ao vosso redor. Ouvi o que falam. Escutai o que as pessoas se têm a dizer. Frequentai famílias, observai vosso ambiente mais próximo nas horas de lazer, quando o trabalho não mais assoberba.

Com espanto verificareis a vacuidade de tudo sobre o que as pessoas conversam, quando não podem falar a respeito de suas ocupações em geral. Sentireis intuitivamente até a aversão, o vazio dos pensamentos, a estreiteza opressora do círculo de interesses, como também a assustadora superficialidade, tão logo vos ocupardes com aquilo de modo sério e com aguda observação.

As poucas exceções que então encontrareis, cujas palavras em horas de lazer da vida quotidiana se acham perpassadas de anseio pelo aperfeiçoamento da alma, parecer-vos-ão até estranhos solitários em meio à turbulência de um parque de diversões.

Exatamente nessas assim chamadas horas de lazer é que conseguireis reconhecer com maior facilidade o íntimo verdadeiro do ser humano, depois que o apoio externo e o campo específico de seus conhecimentos cessam com o afastamento de suas atividades profissionais costumeiras. O que então restar é o autêntico indivíduo. Olhai para ele, escutai suas palavras com neutralidade. Em breve tereis que interromper as observações, por tornarem-se-vos insuportáveis.

Profunda tristeza assoberbar-vos-á quando reconhecerdes quantos seres humanos não são muito diferentes dos animais. Não tão broncos, com maior raciocínio; em linhas gerais, porém, idênticos. Como que providos de antolhos, atravessam unilateralmente a existência terrena, vendo sempre apenas o mero terrenal diante de si. Preocupam-se com a comida, com a bebida, tratam de acumular quantidade maior ou menor de valores terrenos, esforçam-se por obter prazeres corporais e consideram quaisquer reflexões sobre coisas que não podem ver, como desperdício de tempo que, na opinião deles, poderia ser empregado muito melhor em “recreio”.

 […]

Infelizmente na hora atual somente o ódio, a inveja, ciúme, sensualismo, avareza e todos os outros males, devido ao número maior de adeptos, constituem as centrais de força mais poderosas no mundo das formas de pensamentos. Em menor escala a pureza e o amor. Por essa razão o mal se alastra com velocidade sinistra. Ocorre ainda que essas centrais de forças das formas de pensamentos, por sua vez, recebem ligações com as esferas de igual espécie das trevas. De lá são especialmente atiçadas para uma atividade cada vez maior, de maneira que, progredindo, conseguem provocar verdadeiras devastações entre a humanidade.

Abençoada seja, portanto, a hora em que os pensamentos de amor puro adquirirem novamente um lugar de predomínio entre a humanidade, para que assim se formem fortes centrais de igual espécie no mundo das formas de pensamentos, podendo receber reforços das esferas mais luminosas e com isso não apenas propiciar fortalecimento aos que almejam o bem, mas também atuar lentamente, de modo purificador, Sobre os ânimos mais escurecidos.

Pode-se ainda observar mais uma outra atividade nesse mundo de matéria fina: formas de pensamentos são impelidas pela vontade de seus geradores em direção a determinadas pessoas, às quais podem aderir.

Tratando-se de formas de pensamentos de espécie mais pura e nobre, constituem-se elas num embelezamento da pessoa visada, reforçando ao seu redor a proteção da pureza, e podem, pela semelhança de sentimentos intuitivos, elevar ainda mais e fortalecer para a ascensão.

Mas pensamentos de impureza têm de conspurcar a pessoa visada, da mesma forma que um corpo de matéria grosseira se torna sujo pelos arremessos de imundície e lodo. Se uma pessoa assim atingida não estiver interiormente bem ancorada nas centrais de correntes luminosas, pode suceder-lhe que sua intuição venha a ser perturbada com o tempo, devido a esses arremessos de pensamentos impuros. Isso é possível, porque as formas aderidas de pensamentos impuros conseguem atrair elementos de igual espécie, com os quais se robustecem, envenenando pouco a pouco os pensamentos da pessoa envolvida.

É lógico que a responsabilidade maior recai sobre a pessoa que gerou os pensamentos impuros e os remeteu à pessoa visada por seu desejo ou cobiça, pois as formas de pensamentos permanecem ligadas a quem as gerou, agindo de retorno sobre ela, correspondentemente.

Por esse motivo deve sempre de novo ser chamada a atenção dos que procuram sinceramente: “Cuidai da pureza de vossos pensamentos!” Empregai nisso todas as vossas energias.

Não podeis imaginar o que criais com isso. Há nisso algo de gigantesco! Com isso podeis atuar quais vigorosos lutadores, pioneiros em prol da Luz e, consequentemente, em prol da libertação dos vossos semelhantes do cipoal dos campos venenosos do mundo das formas de pensamentos.

Se fosse agora tirada dos olhos de uma pessoa a venda, de maneira que ela pudesse ver o âmbito mais próximo de matéria fina, a princípio ela depararia atemorizada com uma tremenda confusão que poderia incutir-lhe medo. Mas somente até que reconhecesse a força nela latente, com a qual está apta a abrir livre caminho para si, como se fosse com uma espada afiada. Sem esforços, apenas pela própria vontade.

Vê as formas de pensamentos com centenas de milhares de variedades, com todas as configurações possíveis e muitas vezes impossíveis para os olhos terrenos. Cada qual, porém, expressa-se nitidamente, mostrando e vivendo exatamente aquilo que foi a verdadeira vontade por ocasião da geração do pensamento. Sem efeitos, livre de todos os artifícios encobridores.

Mas apesar das milhares de espécies, com o tempo se reconhece imediatamente a essência de cada forma de pensamento, isto é, sabe-se a que categoria pertencem, apesar de sua multiplicidade. Da mesma maneira como se pode distinguir pela fisionomia um homem dum animal, ou mesmo as diversas raças humanas por determinadas características fisionómicas, exatamente assim as formas de pensamentos têm expressões bem determinadas, que indicam claramente se a forma pertence ao ódio, à inveja, à cobiça ou a qualquer outra categoria básica.

Cada uma dessas categorias básicas possui sua determinada marca, que é impressa nas formas de pensamentos isoladas, como base das categorias por elas corporificadas, seja qual for a configuração externa que essas formas tenham adquirido pelo pensamento gerador. Assim, portanto, é fácil reconhecer imediatamente, não obstante as mais grotescas desfigurações duma forma em horrendíssimas deformidades, a que espécie básica ela pertence. Com esse reconhecimento cessa também a aparente e desordenada confusão de se apresentar como tal.

Vê-se a inamovível ordem e o rigor das leis básicas que perfluem toda a Criação, as quais, quando as conhecemos e nos ajustamos ao seu curso, concedem infinita proteção e trazem grandes bênçãos.

Mas quem se opuser a essas leis, será naturalmente atacado e, quando não derrubado e esmagado, sofrerá pelo menos dolorosas escoriações que, sob dores e amargar experiências vivenciais, remodelá-lo-ão até que se enquadre à correnteza dessas leis, não significando mais um obstáculo. Somente depois disso é que poderá ser levado para cima.

Essas formas de pensamentos não somente remetem seus efeitos à humanidade, como atingem ainda mais longe; porque no âmbito mais próximo desse mesmo mundo de matéria fina encontra-se também a maior parte dos seres da natureza.

Quem se conformou com o facto de que tudo vive e, consequentemente, que tudo se acha formado, seja terrenamente visível ou não, a esse não será difícil imaginar que também forças elementares se acham formadas.

A essa pertencem os gnomos, elfos, silfos, ondinas etc., seres da terra, do ar, do fogo e da água, já vistos por muitos – antigamente mais do que hoje. São influenciados pelas formas de pensamentos, com o que por sua vez se originam muitos benefícios ou muitos males. E assim por diante. Uma coisa se engrena na outra, como num conjunto de engrenagens de um mecanismo aperfeiçoado ao máximo primor.

Em meio a toda essa engrenagem se encontra, porém, o ser humano! Aparelhado com todos os meios para determinar a espécie da trama que deve resultar da sua atuação na Criação, manobrando o conjunto das engrenagens em diversas direções.

Tornai-vos, por conseguinte, cônscios dessa responsabilidade imensurável, pois tudo se desenrola apenas na própria esfera do vosso ambiente terrenal. Nada ultrapassa esse âmbito, conforme a disposição sábia do Criador, mas retorna somente a vós próprios. Conseguis com o vosso desejar, pensar e querer, envenenar o Aquém e o Além da Terra, ou também, purificando, elevá-los ao encontro da Luz. Tornai-vos, pois, condutores do destino que leva às alturas pela pureza de vossos pensamentos!

Abdruschin

                        

Excerto da Dissertação 15 “Formas de pensamentos” da obra “Na Luz da Verdade - Mensagem do Graal”, volume II

Vela e ora!

Novembro 04, 2015

Quantas vezes este ditame do Filho de Deus é transmitido como um bem-intencionado conselho e advertência, sem que todavia nem o aconselhador nem aquele a quem esse conselho é dado, se deem ao trabalho de refletir sobre o que essas palavras realmente devem dizer.

O que se compreende por orar, cada criatura humana sabe ou, falando mais acertadamente, acredita saber, conquanto na realidade o ignore. Também supõe compreender exatamente o velar, no entanto, está longe disso.

“Velai e orai” é a transmissão figurada da advertência para a vivacidade da faculdade da intuição, isto é, para a atividade do espírito! Espírito no legítimo sentido, e não compreendido como atividade do cérebro, pois, a maneira de expressar-se do espírito vivo do ser humano é apenas e unicamente a intuição. Em nada mais exerce sua atividade o espírito do ser humano, isto é, seu núcleo de origem que se formou no “Eu” propriamente dito, durante sua peregrinação através da Criação posterior.

“Vela e ora” nada mais quer dizer senão a exigência para o refinamento e o fortalecimento da faculdade da intuição do ser humano terreno, significando outrossim a vivificação do espírito, que é o único valor eterno do ser humano, único que consegue regressar ao Paraíso, donde veio. Terá que regressar para lá, quer seja amadurecido e autoconsciente, quer tornado novamente inconsciente; como um Eu vivo, de acordo com a Vontade da Luz tornado útil na criação ou um Eu dilacerado e morto, se foi inútil na criação.

A exortação do Filho de Deus, “vela e ora”, é por isso uma das mais severas que legou aos seres humanos terrenos. Ao mesmo tempo uma advertência ameaçadora para que se torne útil na Criação, a fim de que não resulte na condenação, pela atuação automática das leis Divinas na Criação.

Vede a mulher! Ela possui como mais alto bem da feminilidade uma delicadeza na intuição, que nenhuma outra criatura pode alcançar. Por isso devia-se poder falar apenas de feminilidade nobre nessa Criação, porque feminilidade traz em si as mais fortes dádivas para a realização de tudo quanto é bom.

Assim, pois, pesa sobre a mulher também a maior das responsabilidades. Por esse motivo Lúcifer, com todo o seu séquito, fixou na mulher seu principal objetivo, a fim de subjugar desse modo a Criação inteira ao seu poder.

E infelizmente Lúcifer encontrou, na mulher da Criação posterior, terreno demasiadamente fácil. Com os olhos abertos correu ela ao seu encontro e envenenou, devido à sua espécie, toda a Criação posterior, pela transformação de conceitos puros em reflexos desfigurados que acabariam por acarretar confusão a todos os espíritos humanos.

A flor pura de feminilidade nobre, como coroa desta Criação posterior, logo se degradou, pela influência do tentador, em uma planta venenosa que ostenta reluzentes cores e que com seu perfume atraente arrasta tudo para o lugar onde ela medra, isto é, o charco, em cujo lodaçal mole e asfixiante afundam os assim arrastados.

Ai da mulher! Já que lhe foram conferidos os mais elevados valores, que não empregou direito, tinha de ser a primeira sobre quem a espada da Justiça Divina se abaterá se ela não se resolver, com a agilidade da intuição espiritual que lhe é peculiar, adiantar-se na indispensável escalada da humanidade terrena, saindo das ruinas duma estruturação errada de conceitos deteriorados, que se originaram exclusivamente pela insuflação de Lúcifer.

A mulher terrena colocou em lugar do anseio exemplar pela joia da alva flor de pureza nobre, o coquetismo e a vaidade, que encontraram seu campo de atividade numa vida social erradamente cultivada.

[…]

Somente legítima, puríssima feminilidade pode levar e despertar o homem para grandes feitos! Nada mais. E essa é a missão da mulher na Criação, segundo a Vontade Divina! Pois assim ela ergue o povo e a humanidade, sim, toda a Criação posterior, porque unicamente nela se encontra essa elevada força de suave atuação! Um poder irresistível e dominador, abençoado pela força Divina, onde for de vontade puríssima! Nada lhe equivale, pois traz beleza na forma mais pura em tudo o que faz e que dela emana!

Por isso sua atuação deve transpassar toda a Criação de modo refrescante, elevando, favorecendo e vivificando, como um sopro do Paraíso almejado!

A essa pérola, nas dádivas de vosso Criador, é que Lúcifer lançou mão em primeiro lugar com toda a astúcia e malicia, sabendo que com isso rompia o vosso apoio e o vosso anseio pela Luz! Pois na mulher encontra-se o precioso segredo capaz de desencadear na Criação a pureza e a nobreza de todos os pensamentos, o impulso para a maior atividade, para a mais nobre atuação… pressupondo-se que essa mulher seja assim conforme o Criador quis que ela fosse, ao cumulá-la com essas dádivas.

No entanto, deixastes-vos iludir demasiadamente fácil! Entregastes-vos às tentações inteiramente sem luta. Como escrava obediente de Lúcifer, a mulher dirige agora os efeitos das belas dádivas de Deus inversamente e, com isso, submete toda a Criação posterior às trevas!

São caricaturas horrendas de tudo aquilo que Deus pretendia deixar surgir nesta Criação para alegria e felicidade de todas as criaturas! De facto, tudo surgiu, mas sob a influência de Lúcifer, alterado, torcido e errado!

A mulher da Criação posterior prestou-se a servir para tanto de intermediária! Sobre o solo límpido da pureza formou-se um charco sufocante. O entusiasmo irradiante foi substituído pela embriaguez dos instintos. Agora quereis lutar, mas contra toda e qualquer exigência da Luz! A fim de permanecerdes no delírio de vaidosas presunções que vos embriagam!

Não são mais muitas as que hoje em dia são capazes de suportar um olhar franco. A maioria se revela como leprosas, cuja beleza, isto é, a verdadeira feminilidade, já se encontra carcomida, o que nunca mais pode ser reparado. Para muitas sobrevirá asco de si mesmas se, apesar de tudo, ainda puderem ser salvas e, após anos, lembrar-se-ão de tudo aquilo que hoje consideram belo e bom. Será como um despertar e convalescer dos mais pesados sonhos febris!

Assim, porém, como a mulher foi capaz de degradar profundamente toda a Criação posterior tem ela também a força de soerguê-la novamente e favorece-la, visto que nisso o homem a seguirá.

Em breve virá o tempo, após a purificação, em que se poderá exclamar, jubilosamente: Vede a mulher como deve ser, a legitima mulher em toda a sua grandeza, em sua mais nobre pureza e poder, e nela vivenciareis a sentença de Cristo: “Velai e orai” em toda a naturalidade e na mais bela forma!

Abdruschin

                        

Excerto da Dissertação 16 “Vela e ora!” da obra “Na Luz da Verdade - Mensagem do Graal”, volume II

O matrimónio

Novembro 04, 2015

Matrimónios são contraídos no céu! Esta frase é proferida muitas vezes com raiva e amargura pelos casados. Mas também é dita com hipocrisia pelos que se encontram mais afastados do céu. O resultado natural é que a respeito dessa frase apenas se encolhem os ombros, ri-se, fazem-se troças e até mesmo se escarnece.

Isto torna-se compreensível em vista dos muitos matrimónios, que uma pessoa chega a conhecer no percorrer dos anos, em seu ambiente mais próximo ou afastado. Os escarnecedores têm razão. Só que seria melhor não escarnecer dessa expressão, mas dos próprios matrimónios! São esses que em sua maioria merecem não apenas troça e escárnio, mas até desprezo.

Os matrimónios, conforme se apresentam hoje, bem como há séculos, solapam a verdade da citada frase, não permitindo que alguém acredite nela. Representam, infelizmente, com apenas raríssimas exceções, um estado deveras imoral, ao qual não se pode dar um fim suficientemente rápido, para resguardar milhares dessa vergonha, à qual, de acordo com os costumes da época atual, acorrem cegamente. Supõem que não pode ser de outra forma, porque assim é usual. Acresce ainda que exatamente na época atual tudo está talhado até a falta de pudor, a fim de turvar e sufocar cada intuição mais pura. Ser humano algum pensa em tornar a personalidade, também através do respeito pelo corpo, naquilo que devia ser, podia ser e terá que ser.

O corpo, assim como a alma, tem de ser algo precioso, portanto intangível, que não se põe à vista como engodo. E por isso, na Terra, também a esse respeito o corpo não é separável da alma. Ambos têm de ser, concomitantemente, estimados e resguardados como algo intangível, se devam ter algum valor. Do contrário tornam-se trastes que sujam, que apenas merecem ser atirados para um canto, a fim de pertencer barato ao primeiro trapeiro que apareça.

Se surgisse hoje na Terra um exército de tais trapeiros e arrematadores, encontrariam uma quantidade inimaginável desses trastes. A cada passo encontrariam novos montes já à sua espera. E tais arrematadores e trapeiros já deambulam de facto por aí, em densos bandos. São os emissários e instrumentos das trevas, que se apoderam, vorazmente, das presas fáceis, a fim de arrastá-las, triunfalmente, cada vez mais para baixo, para o seu reino escuro, até que tudo os encubra com negror e não possam achar, nunca mais, o caminho de volta para a Luz.

Não é de admirar que todos riam, tão logo alguém ainda fale seriamente que matrimónios são contraídos no céu!

O casamento civil nada mais é do que um simples ato comercial. Os que se ligam por meio dele, não o fazem a fim de se dedicarem a uma obra em comum com seriedade, que eleve o valor intrínseco e extrínseco das pessoas em questão, que vise conjuntamente altas finalidades e com isso traga bênção a elas próprias, à humanidade e a toda a Criação, mas sim como um simples contrato, mediante o qual se asseguram reciprocamente quanto ao lado material, a fim de que a mútua entrega corporal possa acontecer sem considerações calculistas.

A mulher ocupa em tudo isso um lugar degradante. Em oitenta por cento dos casos, ela se empreita ou se vende simplesmente a serviço do homem, que não procura uma companheira de igual valor, mas sim um objeto de contemplação, uma governanta barata e obediente que lhe torne o lar agradável e com a qual ele também, sob o manto duma falsa honestidade, possa conjuntamente e sem perturbações satisfazer seus desejos.

Muitas vezes, por motivos mínimos, as jovens abandonam a casa dos pais, a fim de contrair núpcias. Às vezes se sentem cansadas da casa dos pais, desejam um ambiente de atuação no qual elas mesmas possam dar ordens. Outras acham interessante representar o papel de uma jovem senhora, ou esperam uma vida mais movimentada. Acreditam talvez chegar a condições materiais melhores.

[…]

Um matrimónio sadio necessita trabalho em comum e finalidades elevadas tão indispensavelmente como um corpo sadio movimentação e ar fresco. Quem contar com comodidade e a maior despreocupação possível, querendo nessa base construir vida em comum, terá que colher no fim somente um estado doentio com todos os fenómenos colaterais. Por isso procurai, finalmente, firmar casamentos que sejam contraídos no céu. Então a felicidade vos alcançará!

Contraído no céu significa estarem predestinados um para o outro, já antes ou com a entrada na vida terrena. A predestinação consiste, porém, apenas nas qualidades trazidas, com as quais as duas partes se completam mútua e integralmente. Estas são, deste modo destinadas uma para a outra.

Ser predestinado pode-se denominar também “que combina um com o outro”, completando-se portanto realmente. Nisso reside a predestinação.

“O que Deus uniu, a criatura humana não deve separar.”

A incompreensão desse ditame de Cristo já provocou muitos males. Muitos até agora supunham o casamento como: “o que Deus uniu”. O casamento até agora, praticamente, nada teve a ver com o sentido de tais palavras. O que Deus une é um enlace no qual se preenchem as condições que uma harmonia plena exige, que, portanto, é contraído no céu. Se a esse respeito foi dada ou não uma permissão do Estado e da igreja, em nada altera o caso.

Logicamente é necessário enquadrar-se também aí na ordem civil. Se um enlace assim firmado for ainda ratificado com a cerimónia de casamento pelo respetivo culto religioso, em correspondente devoção, é bem natural que esse enlace adquira consagração muito mais elevada pela disposição interior dos participantes, propiciando vigorosas e legitimas bênçãos espirituais ao casal. Um tal matrimónio terá sido então de facto realizado por Deus e perante Deus e contraído no céu.

Vem a seguir a advertência: “a criatura humana não deve separar!” Como tem sido amesquinhado também o alto sentido destas palavras.

A verdade, todavia, apresenta-se aí tão claramente! Sempre que há uma união que foi contraída no céu, isto é, onde os dois se completam, originando um acordo harmonioso total, uma terceira pessoa nunca deve procurar provocar uma separação. Seja introduzindo uma desarmonia, tornando impossível uma união ou provocando uma separação, não importa, tal procedimento seria pecado. Um agravo que, em seu efeito recíproco, tem de aderir pesadamente ao autor, uma vez que com isso são atingidas, simultaneamente, duas pessoas e com estas também as bênçãos que se teriam espalhado, através da felicidade delas, no mundo da matéria grosseira e no de matéria fina.

Há nessas palavras uma verdade singela que se torna reconhecível por qualquer lado. A advertência visa proteger apenas aquelas uniões que foram contraídas no céu, devido às condições prévias já antes mencionadas e confirmadas pelas propriedades anímicas trazidas, que mutuamente se completam.

Entre essas, nenhuma terceira pessoa deve intrometer-se, nem mesmo os pais! Os dois interessados, eles próprios, nunca terão a ideia de desejar uma separação. A harmonia Divina, que forma a base, devido às suas mútuas propriedades anímicas, não deixará que surja tal pensamento. A sua felicidade e a estabilidade de seu matrimónio estão assim de antemão garantidas.

Se houver solicitação de separação por parte de um dos cônjuges, com isso dará este a melhor prova de que não existe deveras a necessária harmonia; o matrimónio deveria ser desfeito categoricamente; para elevação da autoconsciência moral de ambos os cônjuges, que vivem em tal ambiente insano.

Tais matrimónios errados constituem hoje a grande maioria. Esse estado pernicioso percorre, principalmente, no retrocesso moral da humanidade, bem como do culto predominante do raciocínio.

A separação daquilo que Deus uniu não se refere, porém, apenas ao matrimónio, mas também à aproximação anterior de duas almas que poderiam, por suas propriedades complementares, desenvolver somente harmonia, portanto, que estão predestinas uma à outra. Uma vez concluído tal enlace e procurando uma terceira pessoa imiscuir-se por meio de difamações ou por semelhantes meios conhecidos, então tal intenção é adultério consumado!

O sentido das palavras: “O que Deus uniu, a criatura humana não deve separar” é tão simples e claro que é difícil compreender como pôde surgir a esse respeito uma aceção errónea. Isso só foi possível mediante a separação errada entre o mundo espiritual e o mundo terreno, com o que a conceituação estreita do raciocínio conseguiu se impor, e a qual jamais resultou em valores reais.

Do espiritual foram dadas essas palavras, portanto, apenas no espiritual elas podem encontrar seu verdadeiro esclarecimento!

Abdruschin

                        

Excerto da Dissertação 17 “O matrimónio” da obra “Na Luz da Verdade - Mensagem do Graal”, volume II

O direito dos filhos em relação aos pais

Novembro 04, 2015

Muitos filhos vivem em relação os pais numa suposição funesta, que lhes acarreta gravíssimos danos. Acreditam poder jogar sobre os pais a causa de suas próprias existências terrenas. Muitas vezes se ouve esta observação: “ É lógico que meus pais têm que cuidar de mim, já que me puseram no mundo. Não tenho culpa de estar aqui. ”

Nada mais insensato pode ser dito. Cada pessoa está aqui nesta Terra por seu próprio pedido ou por própria culpa! Os pais só dão a possibilidade da encarnação, nada mais. E cada alma encarnada deve ser grata por tal possibilidade lhe ter sido dada!

A alma de uma criança nada mais é do que hóspede de seus pais. Só nesta evidência já existe esclarecimento suficiente para ficar explícito que um filho na realidade não pode querer impor quaisquer direitos em relação aos pais! Direitos espirituais em relação aos pais, não têm! Direitos terrenos, porém, originaram-se tão-somente da ordem social, puramente terrena, que o Estado previu, para não precisar tomar a si quaisquer obrigações.

A criança é, espiritualmente, uma personalidade individual por si! Afora o corpo terreno, de que precisa como instrumento para atuar nesta Terra de matéria grosseira, nada recebeu dos pais. Por conseguinte, apenas um alojamento do qual a alma, já de antemão independente, pode utilizar.

Contudo, pela geração, assumem os pais a obrigação de cuidar desse alojamento assim formado e de conservá-lo, até que a alma, que dele tomou posse, seja capaz de assumir por si a manutenção. A época para tanto virá a ser mostrada pelo desenvolvimento natural do corpo. O que se fizer depois disso é um presente dos pais. Os filhos deveriam, portanto, cessar de uma vez de contar com os pais, sendo preferível que pensassem o quanto antes possível em se firmar nos próprios pés.

Evidentemente, aí pouco importa se exerçam atividades na casa paterna ou fora. Mas tem de ser uma atividade que não consista em divertimentos e cumprimento dos chamados compromissos sociais, porém num determinado cumprimento de dever real e útil, no sentido de que quando o filho não mais executar esse trabalho, o mesmo tenha de ser executado por uma outra pessoa especialmente contratada para isso. Só assim se pode falar numa existência útil na Terra, o que acarreta amadurecimento do espírito!

Se um filho preenche na casa paterna uma tal tarefa, seja qual for o sexo, masculino ou feminino, deveria receber dos pais aquela recompensa que caberia a uma pessoa estranha empregada para tal finalidade. Por outras palavras: o filho, cumpridor de suas obrigações, deve ser considerado e tratado como uma pessoa realmente autónoma.

Se laços especiais de amor, confiança e amizade unem pais e filhos, tanto mais belo será para ambas as partes, pois assim existirá uma aliança voluntária, oriunda de convicções íntimas, e por conseguinte tanto mais valiosa! Será então legítima, que se mantém unida inclusive no Além em favor de mútuo progresso e alegria.

Imposições e costumes de família, porém, são insanos e condenáveis, tão logo um determinado limite de idade seja ultrapassado pelas crianças.

Não existem, igualmente, os chamados direitos de parentesco, nos quais principalmente tias, tios, primos e todos os demais que ainda procurem apresentar-se como parentes, se apoiam tantas vezes. Justamente esses direitos de parentesco constituem abusos condenáveis, que sempre produzirão nojo nas pessoas em si já individualizadas.

Infelizmente, a tradição transformou isso num costume, a ponto de, via de regra, ninguém tentar pensar de outra forma, adaptando-se em silêncio a isso, conquanto com aversão. Quem, contudo, ousar dar o pequeno passo e pensar sobre isso livremente, sentirá no fundo de sua alma tudo tão ridículo e repugnante que, indignado, acabará se distanciando de tais petulâncias estabelecidas.

Urge liquidar de vez com coisas tão anormais! Tão logo despertar um novo e sadio tipo de humanidade, tais aberrações não mais serão suportadas, por serem contrárias a todo e qualquer sentido sadio.

De tais distorções artificiais da vida natural, não poderia surgir nunca algo de realmente grandioso, porque aí os seres humanos permanecem demasiadamente tolhidos. Nessas coisas aparentemente secundárias há um gigantesco manietar.

Aqui tem de ser estabelecida a liberdade, desprendendo-se cada indivíduo de costumes indignos! Verdadeira liberdade só existe no reconhecimento certo das obrigações, o qual permanece ligado com o voluntário cumprimento dos deveres! Unicamente o cumprimento do dever outorga direitos! Isso se refere também aos filhos, aos quais, igualmente, apenas com o cumprimento mais fiel dos deveres, podem advir direitos.

Existe, no entanto, toda uma série de deveres severíssimos de todos os pais, que não estão relacionados com os direitos dos filhos.

Cada adulto tem de estar consciente daquilo que se relaciona propriamente com o ato da geração. A leviandade e a irreflexão atuais a esse respeito, bem como os conceitos errados, têm-se vingado de maneira bem nefasta.

Refleti apenas que no Além mais próximo existe grande número de almas que já se acham à espera duma possibilidade de reencarnação na Terra. Trata-se, na maioria, daquelas almas humanas presas a fios cármicos e que procuram um resgate qualquer numa nova vida terrena.

Logo que se lhes oferece uma possibilidade para tanto, apegam-se a lugares onde sucedeu um ato de geração, a fim de acompanhar, aguardando, o desenvolvimento do novo corpo humano para alojamento. Durante essa espera tecem-se fios de matéria fina do corpo em formação, para a alma que se mantém obstinadamente bem próxima da mãe, e em sentido contrário, a certa altura da maturação, tais fios servem então como ponte que facilita a passagem da alma estranha lá do Além para o novo corpo, do qual se apossa também imediatamente.

Entra por conseguinte um hóspede estranho que pode, devido ao seu carma, causar muitas aflições aos educadores! Um hóspede estranho! Que pensamento desconfortável! Isto o ser humano devia ter sempre diante dos olhos e nunca esquecer que pode coparticipar na escolha da alma que espera, se não deixar passar levianamente o tempo para tanto.

A encarnação se acha, sem dúvida, sujeita à lei de atração de igual espécie. Todavia, não é absolutamente necessário para tanto que a espécie igual de um dos geradores sirva de pólo, mas, às vezes, de alguma pessoa que se encontre frequentemente nas proximidades da futura mãe.

Quantos infortúnios poderão ser evitados, quando o ser humano conhecer direito todo o processo e com este se ocupar conscientemente. No entanto, passam o tempo frequentando levianamente diversões e danças, dão receções e não se preocupam muito com o que se está preparando de importante nessa época e que mais tarde virá influir poderosamente em sua vida inteira.

Na oração, a qual sempre encerra o ardente desejo, deviam conscientemente dirigir muita coisa nisso, enfraquecendo o mal, fortalecendo o que é bom. O hóspede estranho que então entra como filho, em seu lar, apresentar-se-ia de tal modo, que continuaria bem-vindo em todos os sentidos! Fala-se muito em educação pré-natal na habitual semicompreensão ou na compreensão errónea de muitos efeitos que se tornam observáveis exteriormente.

Como, porém, frequentemente, assim também aqui as conclusões humanas de tais observações são erróneas. Não existe nenhuma possibilidade de educação pré-natal, mas sim uma possibilidade absoluta de influir na atração, se acontecer no tempo oportuno e com a devida seriedade! É uma diferença, que nas consequências alcança mais longe do que a suposta educação pré-natal jamais poderia alcançar.

Quem, portanto, estiver esclarecido a tal respeito e ainda realiza levianamente ligações irrefletidas, só merece que se introduza em sua esfera um espírito humano que apenas lhe cause desassossego e até mesmo desgraças.

O ato da geração deve ser para um ser humano, espiritualmente livre, nada mais do que a prova de sua boa vontade de receber um espírito humano estranho como hóspede permanente em sua família, dando-lhe ensejo de remir na Terra e de amadurecer. Somente quando em ambas as partes existe o desejo íntimo para essa finalidade, é que deve efetuar-se a oportunidade para uma geração.

Contemplai apenas uma vez os pais e os filhos, partindo dessas realidades, então muita coisa mudará por si. O trato mútuo, a educação, tudo conterá outras bases mais sérias do que até aqui tem sucedido em inúmeras famílias. Haverá mais consideração e mais respeito mútuo. Consciência da independência própria e esforços de responsabilidade far-se-ão sentir, tudo o que trará como consequência natural a elevação social do povo.

Os filhos em breve esquecer-se-ão de querer se arrogar direitos que nunca existiram.

Abdruschin

                        

Dissertação 18 “O direito dos filhos em relação aos pais” da obra “Na Luz da Verdade - Mensagem do Graal”, volume II

A Oração

Novembro 04, 2015

Se propriamente se deva falar a respeito da oração, é evidente que as palavras valem apenas para aqueles que se ocupam com a oração.

Quem não sente em si o impulso para uma oração, pode calmamente abster-se dela porque suas palavras ou pensamentos, por fim, têm que se desfazer em nada. Pois se uma oração não for intuída profundamente, então não tem valor e, portanto, nenhum resultado.

O momento em que o sentimento de gratidão transborda em grande alegria, bem como o sentimento intuitivo da mais profunda dor no sofrimento, forma a melhor base para uma oração, de que se pode esperar sucesso. Em tais momentos a criatura humana está traspassada por uma determinada intuição que sobrepuja nela tudo o mais. Eis por que é possível que o principal desejo da oração, seja de agradecimento ou pedido, receba força sem turvação.

Aliás, muitas vezes, os seres humanos formam uma errada imagem do fenómeno gerador de uma oração e seu ulterior desenvolvimento. Nem todas as orações atingem o Altíssimo Dirigente dos mundos. Pelo contrário, é uma exceção muito rara que uma oração realmente consiga chegar até os degraus do trono. Também aqui a força de atração da igual espécie representa o papel mais importante, como lei básica.

Uma oração, sinceramente intencionada e profundamente intuída, atraindo por si mesma e sendo atraída pela igual espécie, entra em contacto com um centro de forças daquela espécie da qual o conteúdo principal da oração se acha impregnado. Os centros de forças tanto podem ser denominados secções de esferas ou possuir qualquer outra designação, no fundo resultará sempre no mesmo.

A reciprocidade traz então aquilo que foi o desejo essencial da oração. Seja sossego, força, repouso, planos subitamente surgidos no íntimo, solução de difíceis perguntas ou quaisquer outras coisas. Sempre advirá disso algum bem, mesmo que seja apenas o próprio sossego fortalecido e concentração, que por sua vez conduzem a uma saída, a uma salvação.

Também é possível que essas orações emitidas, aumentadas em sua força pelo efeito recíproco de centros de força de igual espécie, encontrem um caminho de matéria fina para pessoas que devido a isso são estimuladas a trazer de alguma forma auxílio, e com isso a realização da oração.

Todos esses fenómenos são facilmente compreensíveis, observando-se a vida de matéria fina. Igualmente aqui reside a justiça de que o fator decisivo numa oração sempre se constituirá na disposição interior da pessoa, a qual, de acordo com a profundidade de sua intuição, determina a força, portanto, a vitalidade e eficiência da oração.

Na grande trama de matéria fina do Universo, cada espécie de sentimento intuitivo encontra sua determinada igual espécie, uma vez que não somente não poderia ser atraída por outras, mas até seria repelida. Só quando surge uma igual espécie é que se dá a ligação e, com isso, fortalecimento.

Uma oração que contém vários sentimentos intuitivos, os quais devido ao grande aprofundamento de quem ora, ainda possuem certa força, não obstante sua dispersão, atrairá, por conseguinte, efeitos vários, a trará de volta, na reciprocidade, efeitos vários.

Se nisso possa ocorrer uma realização, dependerá inteiramente da espécie das partes individuais, as quais podem ter efeitos que se favorecem ou se estorvam mutuamente. Em todo o caso, porém, será melhor emitir numa oração apenas um pensamento, como intuição, a fim de que não surja nenhuma confusão.

Assim Cristo não quis, absolutamente, que o “Pai Nosso” fosse orado categoricamente de modo integral, mas ele apenas indicou com isso, de modo concentrado, tudo aquilo que o ser humano, com vontade sincera, pode em primeiro lugar pedir com segurança de realização.

Em tais pedidos estão contidas as bases para tudo quanto a pessoa necessita para seu bem-estar corporal e sua ascensão espiritual. Concedem ainda mais! Os pedidos indicam ao mesmo tempo as diretrizes para os esforços que a pessoa deve seguir em sua vida terrena. A composição dos pedidos é por si só uma obra-prima.

O “Pai Nosso”, por si só, pode ser tudo para a criatura humana que procura, se nele se aprofundar e compreendê-lo direito. Nem precisaria mais do que o “Pai Nosso”. Este lhe mostra o Evangelho todo, em forma concentradíssima. É a chave das alturas luminosas para aquele que saiba experimentá-lo vivencialmente de modo certo. Pode, para qualquer um, servir simultaneamente de apoio e de farol para o progresso e a ascensão! Tão imensurável o que contém em si. (*)

Já essa riqueza indica a verdadeira finalidade do “Pai Nosso”. Jesus deu à Humanidade no “Pai Nosso” a chave para o Reino de Deus! O núcleo de Sua Mensagem. Mas não quis com isso dizer que devesse ser recitado dessa maneira.

A criatura humana necessita apenas prestar atenção depois de orar, e por si mesma reconhecerá quanto se desviou e quanto enfraqueceu a profundidade de sua intuição, ao seguir a sequência dos pedidos individuais, mesmo que estivesse por demais familiarizado com eles. É-lhe impossível passar sucessivamente de um pedido ao outro com o fervor necessário a uma verdadeira oração!

Jesus, segundo sua maneira, facilitou tudo para a humanidade. A expressão certa é “tão fácil como se fosse para crianças”. Indicou expressamente: “Tornai-vos como as crianças!” Portanto, pensando com toda a simplicidade e procurando o mínimo de dificuldades. Jamais teria esperado da humanidade algo tão impossível, como o exige o orar realmente aprofundado do “Pai Nosso”.

Isso deve levar também a humanidade à convicção de que Jesus desejava algo diferente, algo maior. Ele deu a chave para o Reino de Deus, não uma simples oração!

A plurilateralidade de uma oração enfraquecê-la-á sempre. Um filho também não vem ao pai com sete pedidos ao mesmo tempo. Mas sempre apenas com um, aquele que justamente mais lhe pesa no coração, seja sofrimento ou um desejo.

De igual forma uma pessoa deve, em seu pedir, nas aflições, dirigir-se a seu Deus com aquilo que a oprime. E na maioria dos casos de facto tratar-se-á apenas duma determinada questão e não de muita coisa em conjunto. Não deve pedir pelo que não a oprime no momento. Uma vez que tal pedido não pode também ser sentido intuitivamente com suficiente vivacidade em seu íntimo, ele se torna uma forma vazia e naturalmente enfraquece outro pedido talvez realmente necessário.

Por isso sempre se deve pedir apenas aquilo que for realmente necessário! Nada de formas vazias que têm de dispersar-se e, com o tempo, cultivar a hipocrisia!

A oração exige a mais profunda seriedade. Deve-se orar com calma e pureza, a fim de que, através da calma, a força da intuição se eleve, recebendo pela pureza aquela leveza luminosa capaz de elevar a oração até às alturas de tudo quanto é luminoso, de tudo quanto é puro. Então advirá também aquela realização que será mais proveitosa ao suplicante e que realmente o levará para a frente em toda a sua existência!

Não é a força da oração que consegue arremessá-la para o alto ou impulsioná-la, mas somente a pureza em sua leveza correspondente. Pureza na oração, porém, cada pessoa pode conseguir, mesmo que não em todas as suas orações, tão logo o impulso para pedir nela se torne vivo. Para tanto não é necessário que se encontre de modo puro com toda a sua vida. Isso não consegue impedir que se eleve em oração com a pureza de sua intuição por segundos, pelo menos de tempos em tempos, uma vez que seja, aqui e acolá.

Para a força da oração, porém, contribui não apenas a calma absoluta e a assim possibilitada profunda concentração, mas também cada forte emoção como a angústia, as preocupações, a alegria.

No entanto, não está dito que a realização de uma oração corresponda sempre, categoricamente, às imaginações e aos desejos terrenalmente pensados, e de conformidade com estes. A realização atinge beneficamente muito além disso, conduzindo o todo para o melhor, não o momento terreno! Muitas vezes, portanto, um aparente não cumprimento deve ser reconhecido, mais tarde, como a única certa e a melhor realização, e a pessoa se sente feliz por não ter ocorrido segundo seus desejos do momento.

Agora a interseção! O ouvinte muitas vezes se indaga como a ação recíproca numa interseção, isto é, num pedido de outrem, possa achar o caminho para uma pessoa que propriamente não tenha orado, uma vez que a ação retroativa tem de refluir, pelo caminho preparado, para aquele que pediu.

Mesmo nesse caso não há nenhum desvio das leis vigentes. Um intercessor pensa de modo tão intenso durante sua oração na pessoa pela qual pede, que o seu desejar primeiramente acaba ancorando-se ou amarrando-se naquela pessoa e então, de lá, toma seu caminho para cima, podendo, portanto, também voltar para essa pessoa, para a qual o forte desejo do intercessor, de qualquer modo, já se tornou vivo, circulando em volta dela. É pressuposição indispensável, porém, que o solo daquela pessoa, em favor da qual se roga, esteja em condições recetíveis e pela igual espécie apta a uma ancoragem, e não coloque acaso obstáculos à mesma.

Caso o solo não esteja em condições recetíveis, portanto indigno, há no resvalar das intercessões só e novamente a maravilhosa justiça das leis Divinas, as quais não podem permitir que num solo totalmente estéril, chegue de fora uma ajuda através de outrem. Esse rechaçar ou desviar da intencionada ancoragem de uma intercessão em uma pessoa, referente a esse rogo, a qual é indigna devido a seu estado interior, acarreta a impossibilidade de uma ação de auxílio.

Existe, outrossim, também aqui algo tão perfeito, nesse atuar autónomo e lógico, que o ser humano se encontra admirado diante da distribuição integral e justa, a isso ligado, dos frutos de tudo quanto foi por ele próprio desejado!

Interseções praticadas por pessoas sem o próprio impulso íntimo e categórico de verdadeiros sentimentos intuitivos, não têm nenhum valor nem resultado. São apenas debulho vazio.

Existe ainda uma outra espécie de efeitos de legítimas interseções. Trata-se de indicar o rumo! A oração sobe diretamente e aponta para a pessoa necessitada. Se for enviado um mensageiro espiritual, com referência a esse caminho indicado, para ajudar, existe então a possibilidade dum auxílio, sujeito, porém, às mesmas leis de valores ou desvalores, isto é, da capacidade recetiva ou da repulsa.

Se o necessitado estiver inclinado intimamente para as trevas, o mensageiro com vontade de auxiliar, baseado na interseção, não poderá entrar em qualquer contato, não conseguirá influir e terá que voltar sem nada haver feito. A interseção, portanto, não pôde ser realizada, porque as leis, em sua vivacidade, não o permitiram.

Mas se o solo for adequado, então uma legítima interseção terá incalculável valor! Ou levará auxílio, mesmo que o necessitado ignore, ou unir-se-á aos desejos ou aos rogos do necessitado, dando-lhe assim grande fortalecimento.

Abdruschin

 

 (*) Dissertação o Pai Nosso.

 

Dissertação 19 “A oração” da obra “Na Luz da Verdade - Mensagem do Graal”, volume II

O Pai-Nosso

Novembro 04, 2015

São apenas poucas as pessoas que procuram conscientizar-se do que querem deveras, quando proferem a oração “Pai Nosso”. Menos ainda as que sabem realmente qual o sentido das frases que aí estão recitando. Recitar decerto é a única expressão adequada para o procedimento que o ser humano, nesse caso, chama de orar.

Quem se examinar rigorosamente a tal respeito, terá que concordar, ou então testemunhará que passa toda sua vida de idêntica maneira… superficialmente, não sendo, nem jamais tendo sido capaz de um pensamento profundo. Existem nesta Terra muitos desses que sem dúvida se levam a sério, mas, pelos outros, mesmo com a melhor boa vontade, não podem ser levados a sério.

Exatamente o começo desta oração desde sempre é intuído erroneamente, conquanto de modos diversos. As pessoas que procuram proferir com seriedade esta oração, isto é, que nela se empenham com uma certa boa vontade, sentirão, logo após ou durante as primeiras palavras, um certo sentimento de segurança surgir em si, de tranquilidade anímica! E tal sentimento nelas permanece predominante até alguns segundos depois de orar.

Isso explica duas coisas: primeiro, que quem reza só pode manter sua seriedade durante as primeiras palavras, através do que se desencadeia tal sentimento, e segundo, que justamente o desencadeamento desse sentimento prova quão longe se acha de entender o que com isso profere!

Mostra com isso, nitidamente, sua incapacidade de manter a profundidade do seu pensar, ou também da sua superficialidade; porque, do contrário, com as palavras que se seguem, imediatamente devia surgir outro sentimento, correspondente ao conteúdo alterado das palavras, tão logo elas se tornem nele realmente vivas.

Portanto, permanece nele apenas o que as primeiras palavras despertam. Entendesse ele, porém, o sentido correto e o significado verdadeiro das palavras, estas teriam que lhe despertar intuições muito diferentes do que um agradável sentimento de segurança.

[…]

Deve ser uma invocação dedicada, no entanto jubilosa, quando ousais proferir: “Pai Nosso que estás no Céu!”

Nessa exclamação repousa a vossa sincera afirmação: “A Ti, ó Deus, dou todos os direitos de Pai sobre mim, aos quais quero submeter-me com obediência infantil! E reconheço com isso também Tua onisciência, Deus, em tudo o que Tua determinação trouxer, e peço que disponhas de mim como um pai tem que dispor dos seus filhos! Aqui estou, Senhor, para Te ouvir e Te obedecer infantilmente!”

A segunda frase: “Santificado seja o Teu Nome!”

Esta é a afirmação da alma em adoração, de quão sincera é em tudo quanto ousa dizer a Deus. Que acompanha em plena intuição cada palavra e pensamento, não abusando com superficialidade do Nome de Deus! Pois o Nome de Deus lhe é sobremaneira sagrado!

Considerai bem, todos vós que orais, o que com isto prometeis! Se quereis ser deveras sinceros convosco, tendes de reconhecer que vós, seres humanos, até agora, justamente com isto, tendes mentido diante do semblante de Deus; porque nunca fostes tão sinceros na oração conforme o Filho de Deus, pressupondo, estipulou nessas palavras como condição!

A terceira frase: “Venha a nós o Teu reino!” Também não é um rogo, mas apenas uma promessa a mais! É um prontificar-se de que através da alma humana há-de tudo tornar-se aqui na Terra, tal como é no reino de Deus!

Daí a expressão: “Venha a nós o Teu reino!” Isto quer dizer: queremos chegar também aqui na Terra ao ponto de que o Teu reino perfeito possa estender-se até aqui! O solo deve ser preparado por nós de modo que tudo viva apenas segundo a Tua santa Vontade, isto é, cumprindo plenamente as Tuas leis da Criação, de maneira a tudo se realizar tal qual é em Teu Reino, o Reino espiritual onde se encontram os espíritos amadurecidos e livres de todas as culpas e pesos, que apenas vivem servindo a Vontade de Deus, porque somente no cumprimento incondicional desta surge algo de bom, pela perfeição nela latente. É, portanto, a afirmação de querer tornar-se assim, para que também a Terra, mediante a alma humana, venha a ser um Reino do cumprimento da Vontade de Deus!

Tal afirmativa fica ainda reforçada pela frase seguinte:

“Seja feita a Tua vontade, assim na Terra como no Céu!”

Essa não é apenas uma declaração de se prontificar em enquadrar-se inteiramente à Vontade Divina, mas encontra-se também nela a promessa de interessar-se por essa Vontade, de se esforçar com toda a diligência para reconhecer essa Vontade. Tal esforço tem de preceder a uma adaptação a essa Vontade, pois enquanto a criatura humana não a conhecer direito, não estará apta a orientar sua intuição, seu pensar, falar e agir de acordo com ela!

Que tremenda e culposa leviandade não é, pois, a de cada ser humano que não cessa de fazer essas afirmativas ao seu Deus, sempre e sempre de novo, quando na realidade nem se interessa de como seja a Vontade de Deus, que se acha firmemente ancorada na Criação. O ser humano mente, sim, em cada palavra da oração, quando ousa proferi-la! Com isso, encontra-se como um hipócrita diante de Deus! Junta sempre novas culpas por cima das antigas, sentindo-se por fim digno de lástima, quando ele em matéria fina tiver que sucumbir no Além sob esse fardo.

Somente quando essas frases tiverem sido cumpridas deveras por uma alma, como condição preliminar, é que ela poderá continuar a dizer:

“O pão-nosso de cada dia nos dá hoje!”

Isso equivale a dizer: “Se eu cumprir aquilo que afirmei ser, deixa então que a Tua bênção paire sobre a minha atuação terrena, a fim de que disponha sempre de tempo para conseguir meu necessário sustento de vida na matéria grosseira, para poder viver segundo a Tua Vontade!”

“E perdoa-nos as nossas dívidas, assim como nós perdoamos aos nossos devedores!”

Nisso jaz o conhecimento dos efeitos retroativos incorruptos e justos das leis espirituais que transmitem a Vontade de Deus. Simultaneamente também a expressão afirmativa de plena confiança nisso, pois o pedido de perdão, isto é, de remissão das culpas, baseia-se estritamente no cumprimento anterior, pela alma humana, do próprio perdoar de todas as injustiças que os semelhantes lhe fizeram.

Quem tiver sido capaz disso, quem já houver perdoado já tudo ao seu próximo, ficará de tal forma purificado, que nunca virá a cometer intencionalmente qualquer injustiça! Estará, portanto, livre perante Deus de todas as culpas, visto como só é considerado como injustiça o que tiver sido feito intencionalmente de má-fé. Só assim é que vem a ser uma injustiça. Há nisso uma grande diferença com todas as leis humanas e conceitos terrenos atualmente existentes.

Assim pois, nessa frase, também como base, encontra-se novamente uma promessa perante seu Deus de cada alma que almeja a Luz. Declaração de sua verdadeira vontade, para cuja realização, aprofundando-se e ficando esclarecida sobre si mesma, espera receber força na oração, que, numa sintonização certa, também receberá, segundo a lei da reciprocidade.

“E não nos deixes cair em tentação!”

É um conceito errado da criatura humana querer ler nessas palavras que seria tentado por Deus.

Deus não tenta ninguém! Trata-se nesse caso apenas de uma tradição incerta que escolheu inabilmente o termo tentação. Seu sentido correto deve ser classificado no conceito de errar, perder-se, isto é, andar errado, procurar erradamente no caminho ao encontro da Luz.

Equivale a dizer: “Não nos deixes tomar caminhos errados, procurar erradamente, não nos deixes perder o tempo! Desperdiçá-lo, malbaratá-lo! Mas, retém-nos à força, se necessário for, inclusive se tal necessidade nos tenha que atingir como sofrimento e dor”.

Esse sentido o ser humano há-de entender também no trecho seguinte da sentença que se encadeia no texto e dele faz parte complementar: “Mas livra-nos do mal!”

Esse “mas” mostra bem nitidamente a unidade da frase. O sentido equivale a: Faz-nos conhecer o mal, seja qual for o preço que isso venha a nos custar, mesmo com o preço da dor. Capacita-nos para tanto por intermédio de Teus efeitos recíprocos em cada uma de nossas faltas. No reconhecer encontra-se também a remissão para aqueles que tenham boa vontade para isso!

Com isso termina a segunda parte, o colóquio com Deus.

A terceira parte constitui o remate: “Pois que a Ti pertencem o Reino, a força e a magnificência por toda a eternidade! Amém!”

É uma confissão jubilosa do sentimento de ser acolhido na Onipotência de Deus através do cumprimento de tudo aquilo que a alma na oração lhe deposita aos pés como juramento!

Esta oração dada pelo Filho de Deus possui, por conseguinte, duas partes. A introdução, ao aproximar-se, e o colóquio. Por último, adveio por Lutero a confissão jubilosa do conhecimento do auxílio para tudo aquilo que o colóquio encerra, do recebimento da força para o cumprimento daquilo que a alma prometeu ao seu Deus. E o cumprimento terá que levar a alma ao Reino de Deus, ao país da alegria eterna e da Luz!

Assim pois, o Pai Nosso, quando realmente vivenciado, torna-se o apoio e o bastão para a escalada ao reino espiritual!

Não se esqueça o ser humano de que numa oração, precisamente, apenas deve buscar a força para poder ele próprio realizar aquilo que pedir! Assim deve orar! E assim também é constituída a oração que o Filho de Deus deu aos discípulos!

Abdruschin

                        

Excerto da Dissertação 20 “O Pai-Nosso” da obra “Na Luz da Verdade - Mensagem do Graal”, volume II

Adoração a Deus

Novembro 04, 2015

Pode-se dizer sem receio que o ser humano, sobretudo ainda não compreendeu de maneira alguma a evidência, para ele essencial, de uma adoração a Deus, menos ainda a praticou.

Observai como vem sendo feita até hoje a adoração a Deus! Conhece-se somente um pedir ou, falando ainda melhor, um esmolar! Apenas aqui e acolá acontece, por fim, que se elevem orações de gratidão provenientes realmente do coração. Isso, no entanto, só se dá, como grande exceção, sempre quando e onde uma pessoa receba inesperadamente uma dádiva toda especial ou seja salva subitamente de um grande perigo. Para ela se torna necessário que haja aí o inesperado e o súbito, se aliás chegar uma vez a se dedicar a uma oração de agradecimento.

Da mesma forma, as coisas mais extraordinárias podem cair-lhe no colo sem merecimento; no entanto, jamais ou apenas mui raramente, terá a ideia de pensar em agradecimento, tão logo tudo corra de maneira serena e normal.

Se a ela, bem como a todos que ela ama, for sempre outorgada saúde de modo surpreendente, e se não tiver preocupações terrenas, dificilmente dar-se-á ao trabalho de uma sincera oração de agradecimento.

A fim de provocar em si um sentimento mais forte, o ser humano necessita sempre, infelizmente, de um impulso todo especial. Espontaneamente, quando as coisas lhe vão bem, nunca se dá ao trabalho disso. Ele o tem talvez na boca aqui e acolá, ou vai à igreja a fim de, nessa oportunidade, murmurar uma oração de agradecimento, mas nem lhe acode à mente estar presente com toda a sua alma, mesmo que seja apenas por um único minuto.

Somente quando uma verdadeira aflição se lhe depara é que então mui rapidamente se lembra que existe alguém capaz de ajudá-lo. O medo o impele finalmente a balbuciar uma oração! Isso, no entanto, será sempre apenas um pedir, mas nenhuma adoração.

Assim é o ser humano que ainda se considera bom, que se tem na conta de religioso. E esses são poucos na Terra! Exceções dignas de louvor!

Imaginai diante de vossos olhos o quadro deplorável! Como ele se apresenta a vós, seres humanos, ao olhardes acertadamente! Quão miserável, no entanto, encontra-se tal pessoa diante de seu Deus! Mas assim, infelizmente, é a realidade! Podeis virar-vos e revirar-vos do modo que quiserdes, os factos permanecem, tão logo vos esforceis em investigar a fundo, excluindo qualquer dissimulação. Haveis de ficar um tanto apreensivos, pois nem o pedir e nem o agradecimento pertence à adoração.

Adoração é veneração! E essa não encontrareis realmente por toda essa Terra! Contemplai as celebrações ou festividades que devem ser em louvor a Deus, onde, excecionalmente, se deixa de pedir e mendigar. Aí estão os oratórios! (*) Procurai os cantores que cantam em adoração a Deus! Observai-os quando se preparam para tanto num auditório ou igreja. Todos eles querem realizar algo, a fim de agradar aos seres humanos. Deus aí lhes é bastante indiferente. Justamente Ele, a quem, isso devia ser dedicado! Olhai o dirigente! Ele exige aplausos, quer mostrar aos seres humanos do que é capaz.

Prossegui, ainda. Contemplai as majestosas edificações, igrejas, catedrais que em louvor a Deus… deviam existir. O artista, o arquiteto e o construtor lutam apenas pelo reconhecimento terreno, cada cidade vangloria-se com essas edificações… para honra de si mesma. Têm até que servir para atrair forasteiros. Mas não acaso para adoração a Deus, ao contrário, para que acorra à localidade dinheiro em decorrência do movimento aumentado! Apenas o impulso pelas exterioridades terrenas, para onde olhardes! E tudo isso sobre o pretexto de adoração a Deus!

Existe, sim, aqui e acolá, todavia, uma pessoa cuja alma costuma abrir-se na floresta ou nas montanhas, lembrando-se aí, passageiramente, também da grandeza do Criador de toda a beleza em seu redor, porém de modo bem distante e em segundo plano. Verdade é que a alma s expande, mas não para um voo de júbilo aos páramos, porém… ela se expande literalmente no prazer do bem-estar.

Isso não deve ser confundido com um voo às alturas. Não deve ser taxado diferentemente da satisfação de um glutão perante uma mesa ricamente sortida. Só erroneamente se poderá tomar como adoração semelhante arrebatamento da alma; permanece sem conteúdo, exaltação, sensação de bem-estar próprio, que aquele que assim intui considera agradecimento ao Criador.

Mero acontecimento terrenal. Também muitos desses entusiastas da natureza consideram exatamente essa embriaguez como sendo adoração certa a Deus, e cuidam-se assim muito acima de quantos não têm as possibilidades de desfrutar essas belezas de formações terrenas. É um grosseiro farisaísmo, oriundo unicamente da sensação do próprio bem-estar. Lantejoula sem nenhum valor.

[…]

Cada Mensagem de Deus devia ser partilhada por vós, isto é, tornar-se uma parte de vós! Deveis procurar compreender o sentido corretamente!

Não deveis considerá-la como algo à parte, que fique afastado de vós, e ao que costumais aproximar-vos com tímida reserva. Assimilai a Palavra de Deus em vosso íntimo, para que cada um saiba de que forma terá de viver e se conduzir, a fim de atingir o Reino de Deus!

Portanto, acordai finalmente! Aprendei a conhecer as leis na Criação. Para tanto não vos ajudará em nada qualquer inteligência terrena nem o insignificante saber de observações técnicas; algo tão mínimo é insuficiente para o caminho que vossa alma deve tomar! Tereis que elevar o olhar muito acima da Terra e reconhecer para onde vos conduz o caminho depois desta existência terrena, a fim de que nisso vos chegue simultaneamente a consciência do porquê e para que finalidade estais nesta Terra.

E, por sua vez, exatamente assim como vos encontrais nesta vida, se pobre, se rico, sadio ou doente, em paz ou em luta, alegria ou sofrimento, aprendereis a reconhecer a causa e também a finalidade, e com isso ficareis alegres, agradecidos pelo vivenciar que até agora vos foi dado. Aprendereis a apreciar valiosamente cada segundo e, acima de tudo, a aproveitá-lo! Aproveitá-lo para a escalada rumo à existência cheia de alegria, à felicidade grandiosa e pura!

E por vos terdes emaranhado e desnorteado em demasia, veio-vos outrora, por intermédio do Filho de Deus, a Mensagem de Deus como salvação, uma vez que as advertências transmitidas pelos profetas não tinham encontrado ouvidos. A Mensagem de Deus vos indicava o caminho, o único para a vossa salvação do pântano que já vos ameaçava asfixiar! O Filho de Deus procurou guiar-vos por meio de parábolas! Os que queriam acreditar e os perscrutadores acolheram-nas com os seus ouvidos; mais adiante, contudo, elas não iam. Nunca procuraram viver de acordo.

Sempre permaneceram duas coisas distintas para vós, a religião e a vida quotidiana. Vós sempre ficastes de lado, ao invés de dentro! Os efeitos das leis na criação explicados pelas parábolas permaneceram totalmente incompreendidos por vós, porque nelas não os procurastes!

Agora vem na Mensagem do Graal a interpretação das leis para a época atual, na forma para vós mais compreensível. São na realidade exatamente a mesma que Cristo trouxe outrora, na forma adequada de então. Ele mostrava como os seres humanos devem pensar, falar e agir, a fim de, amadurecendo espiritualmente, conseguirem ascender na Criação. Aliás, a humanidade não precisava mais. Não há nenhuma lacuna nisso na Mensagem de outrora.

Todo aquele que finalmente se orienta por ela em seus pensamentos, palavras e ações, pratica com isso a mais pura adoração a Deus, pois esta repousa exclusivamente na ação!

Quem se submete de bom grado às leis, age sempre com acerto! Com isso prova seu respeito pela sabedoria de Deus, curva-se jubiloso à Sua Vontade que reside nas leis. Dessa forma vem a ser auxiliado e protegido pelos seus efeitos, libertado de todo o sofrimento e soerguido para o reino luminoso espiritual, onde se torna visível a cada um, sem turvação, a Onisciência de Deus em jubiloso vivenciar, e onde a adoração a Deus consiste na própria vida! Onde cada respiração, cada intuição, cada ação se apoia na mais alegre gratidão e assim permanece como um constante prazer. Nascido da felicidade, semeando felicidade e, por isso, colhendo felicidade!

A adoração a Deus na vida e no vivenciar reside unicamente na observação das leis Divinas. Somente com isso será assegurada a felicidade. Assim deverá ser no reino vindouro, o Milénio, que se denominará o Reino de Deus sobre a Terra!

Abdruschin

 

(*) Peças musicais religiosas

                        

Excerto da Dissertação 21 “Adoração a Deus”, da obra “Na Luz da Verdade - Mensagem do Graal” volume II

O ser humano e seu livre-arbítrio

Novembro 04, 2015

Para que se possa dar um quadro completo deste tema, se faz necessário reunir muitos elementos de fora que exercem influência maior ou menor no fator principal!

O livre arbítrio! É algo diante do que até mesmo seres humanos eminentes se detêm pensativamente, porque havendo responsabilidade, segundo as leis da justiça, também deve haver incondicionalmente uma possibilidade de livre resolução.

Por onde quer que se ande, de todos os lados se ouve o brado: onde existe uma vontade livre no ser humano, quando há de facto providência, direção, determinações, influências astrais e carma? Pois o ser humano é impelido, ajustado e conformado, quer queira quer não!

Com afinco os pesquisadores sinceros se lançam sobre tudo aquilo que fala do livre-arbítrio, no reconhecimento mui acertado de que justamente a esse respeito, necessita-se deveras de um esclarecimento. Enquanto este falta, o ser humano não consegue também se enquadrar direito, a fim de se impor na grande Criação como aquilo que realmente é. Se ele, porém, não está sintonizado de maneira certa com referência à Criação, terá que permanecer nela como um estranho, vagará a esmo, terá que se deixar empurrar, ajustar e moldar, porque lhe falta a consciência da meta.

Seu grande defeito é ignorar onde realmente se encontra seu livre-arbítrio e como atua. Tal contingência mostra outrossim que perdeu completamente o caminho para seu livre discernimento, não sabendo mais como encontrá-lo.

A entrada do caminho para a compreensão não é mais reconhecível, devido ao amontoado das areias movediças. Dissiparam-se os rastros. A criatura humana, indecisa, corre aí em círculos, fatigando-se, até que por fim um vento refrescante abra novamente os caminhos. É natural e evidente que antes toda essa areia movediça será levantada em rodopios violentos e, desaparecendo, ainda poderá turvar a vista de muitos dos que ansiosos continuam a procurar a abertura do caminho.

Por esse motivo cada um deve observar o máximo cuidado para conservar a vista livre, até que o ultimo grãozinho dessa areia movediça tenha desaparecido. Do contrário pode suceder que veja perfeitamente o caminho, no entanto, com a vista levemente turvada, pise em falso, tropece e caia, para, já com o caminho diante de si, ainda afundar.

A incompreensão que sempre, repetida e obstinadamente, é apresentada pelos seres humanos contra a verdadeira existência do livre-arbítrio, baseia-se principalmente na falta de compreensão daquilo que o livre-arbítrio propriamente é.

A explicação já se encontra na própria definição, porém, como por toda a parte, aqui também não se vê a coisa realmente simples, por causa de sua própria simplicidade, mas sim procura-se em lugares errados, não se chegando dessa maneira a formar uma noção do livre-arbítrio.

Por arbítrio o maior número de seres humanos hoje em dia entende aquela forçada construção do cérebro terreno, quando o raciocínio, atado ao espaço e ao tempo, indica e determina, para o pensar e o sentir, alguma determinada direção.

Esse, no entanto, não é o livre-arbítrio, mas o arbítrio atado pelo raciocínio terreno!

Tal equívoco feito por tantas pessoas causa grandes erros, soergue as barreiras que impossibilitam um reconhecimento e uma compreensão. Admira-se então o ser humano quando aí encontra lacunas, deparando com contradições e não conseguindo introduzir lógica nenhuma.

O livre-arbítrio que sozinho atua tão incisivamente na vida propriamente dita, que alcança longe até ao mundo do Além, que imprime seu cunho à alma, sendo capaz de moldá-la, é de espécie totalmente diferente. Muito maior para ser tão terrenal. Por isso não está em nenhuma ligação com o corpo terreno de matéria grosseira, portanto, nem com o cérebro. Encontra-se exclusivamente no próprio espírito, na alma do ser humano.

Se o ser humano não concedesse sempre de novo ao raciocínio predomínio ilimitado, poderia o livre-arbítrio, com a visão mais ampla de seu verdadeiro “eu” espiritual, indicar ao cérebro do raciocínio a direção oriunda da fina intuição. Assim devia a vontade atada, absolutamente indispensável à realização de todas as finalidades terrenas ligadas ao espaço e ao tempo, enveredar muitas vezes por outro caminho, diferente do que acontece agora.

Que com isso o destino também toma outro rumo é fácil de se explicar, porque o carma, devido aos diferentes caminhos tomados, também puxa outros fios trazendo outro efeito recíproco.

Essa explicação, naturalmente, ainda não pode trazer uma compreensão acertada sobre o livre-arbítrio. Para que seja traçado um quadro completo disso, necessário é que se saiba de que forma o livre-arbítrio já tem atuado. E de que maneira ocorreu a trama tantas vezes intrincada de um carma já vigente, que é capaz em seus efeitos de encobrir tanto o livre-arbítrio, que a sua existência pouco ou de forma alguma pode ser reconhecida.

Tal explicação, porém, somente poderá se dar, por sua vez, voltando-se ao desenvolvimento completo do ser humano espiritual, a fim de partir daquele momento em que a semente espiritual do ser humano baixa pela primeira vez ao invólucro de matéria fina, o limite extremo da materialidade.

Vemos então que o ser humano não é absolutamente o que cuida ser. Nunca tem consigo o direito absoluto à bem-aventurança e à continuação eterna de uma vida pessoal. A expressão: “Somos todos filhos de Deus”, no sentido como os seres humanos pensam e compreendem, é errada. Cada ser humano não é um filho de Deus, mas só quando para tanto se tenha desenvolvido.

O ser humano é lançado na Criação como um germe espiritual. Esse germe contém em si tudo para poder se desenvolver, um filho de Deus pessoalmente consciente. Aí se pressupõe que para tanto ele desenvolva as correspondentes faculdades, cultivando-as, sem deixar que se atrofiem.

Grande e gigantesco é o processo, e todavia inteiramente natural em cada degrau do fenómeno. Nada se encontra aí fora de um processo lógico, porque a lógica está em todo o atuar Divino, pois este é perfeito e tudo quanto é perfeito não pode dispensar a lógica.

Cada um desses germes espirituais contém em si as mesmas faculdades, visto promanarem de um espírito, e cada uma dessas faculdades encerra uma promessa cujo cumprimento se realiza incondicionalmente, tão logo a faculdade seja desenvolvida. Mas somente então! Essa é a perspetiva de cada germe na semeadura. No entanto…!

Saiu um semeador para semear: lá, onde o mais etéreo da matéria fina da Criação atinge a entealidade, é o campo para a semeadura dos germes espirituais humanos. Fagulhas partem do enteal transpondo o limite e caem no solo virgem da parte mais etérea da matéria fina da Criação, tal como nas descargas elétricas de um temporal. É como se a mão criadora do Espírito Santo disseminasse sementes na matéria.

Enquanto a semeadura se desenvolve e vagarosamente amadurece para a safra, muitos grãos se perdem. Não vingam, isto é, não desenvolveram suas faculdades mais elevadas, antes apodreceram ou secaram, devendo perder-se na matéria. Aqueles, porém, que vingaram e cresceram do solo, serão examinados rigorosamente por ocasião da colheita, as espigas vazias separadas das espigas cheias. Após a colheita será mais uma vez o joio separado do trigo, cuidadosamente.

Assim é a imagem do processo em geral. E agora, a fim de conhecermos o livre-arbítrio, temos que acompanhar mais detalhadamente o processo evolutivo propriamente dito do ser humano:

[…]

Obedecer outra coisa não significa, afinal de contas, senão compreender! Servir é auxiliar. E auxiliar, por sua vez, significa dominar. Em pouco tempo cada um conseguirá libertar sua vontade conforme deve ser. E dessa forma tudo se altera para ele, pois ele próprio primeiramente mudou o seu íntimo.

Mas para milhares, centenas de milhares, sim, para milhões de seres humanos tornar-se-á demasiado tarde, por não terem desejado diferentemente. É natural que a força erradamente dirigida destrua a máquina, à qual, de outra forma, teria servido para realizar um trabalho abençoado.

Quando sobrevierem os acontecimentos, lembrar-se-ão todos os hesitantes repentinamente de rezar, porém não poderão encontrar mais a maneira adequada, a qual, unicamente, poderia proporcionar auxílio. Reconhecendo então o falhar, passarão logo, em seu desespero, a blasfemar e a afirmar acusadoramente que não poderia existir um Deus, se Ele permite tais coisas.

Não querem acreditar na justiça férrea, tampouco que lhes tenha sido dado o poder de modificar tudo ainda em tempo. E que isso lhes fora dito com suficiente frequência.

Numa obstinação pueril exigem para si, segundo o seu modo, um Deus amoroso que tudo perdoa. Só assim querem reconhecer a Sua grandeza! Como deveria esse Deus, segundo as suas ideias, proceder então com aqueles que sempre O procuraram sinceramente, mas que justamente por causa desse procurar foram pisados, escarnecidos e perseguidos por aqueles que esperam o perdão?

Tolos esses que, em sua cegueira e surdez, sempre de novo desejadas, correm ao encontro da ruína, esses que por si próprios criam sua destruição com fervor. Que fiquem entregues às trevas, às quais vão de encontro teimosamente, devido ao saber tudo melhor. Só mesmo mediante o próprio vivenciar é que ainda poderão chegar à reflexão. Por isso as próprias trevas serão a sua melhor escola. Mas virá o dia, a hora, em que será tarde demais até para esse caminho, porque o tempo não dará mais para ainda se libertarem das trevas e ascenderem, após um tardio reconhecimento através do vivenciar. Por esse motivo já é tempo, finalmente, de se ocuparem seriamente com a Verdade.

Abdruschin

                        

Excerto da Dissertação 22 “O ser humano e seu livre-arbítrio” da obra “Na Luz da Verdade - Mensagem do Graal”, volume II

Seres humanos ideais

Novembro 04, 2015

Queremos, no entanto, melhor dizer; seres humanos que querem ser ideais! Mas também aqui devem, antes de mais nada e bem cautelosamente, ser excluídos todos aqueles que assim se denominam ou que de bom grado permitem que sejam chamados, mas que não pertencem aos que querem ser ideais.

Trata-se da grande classe de pessoas de ambos os sexos, fracas e facilmente entusiasmáveis, às quais ainda se juntam as pessoas fantasiosas que nunca puderam aprender a dominar e a utilizar seus dons de maneira útil. Deverão ser excluídas igualmente aquelas que nunca estão contentes face às contingências do momento, motivando esse descontentamento o facto de serem mais ideais do que os demais, portanto, não ajustadas à sua época.

Encontramos aí ainda a massa dos assim chamados “incompreendidos” de ambos os sexos, constituídos na maior parte por moças e senhoras. Essa espécie de seres humanos se tem sempre na conta de serem incompreendidos. Isto é, falando bem claro, vivem na permanente ilusão de trazerem em si um tesouro de valores que a outra parte, com a qual no momento estão em ligação, não é capaz de reconhecer. Na realidade, todavia, em tais almas nem se acham ocultos tesouros, mas em lugar destes apenas uma fonte inesgotável de anseios desmedidos, jamais possíveis de serem satisfeitos.

Pode-se tranquilamente denominar todos os seres humanos assim chamados incompreendidos como pessoas “imprestáveis”, por se mostrarem deveras imprestáveis para a autêntica vida do presente, tendendo apenas para o irreal e para a leviandade. Sempre, porém, para aquilo que não se adapta a uma vida terrena sadia. O caminho de tais moças e senhoras eternamente incompreendidas, no entanto, vai ter, lamentavelmente, muitas vezes a uma vida que comumente se denomina “leviana”, imoral, porque somente querem deixar-se “consolar” com muito bom grado, muita facilidade e demasiada frequência, o que uma certa espécie de homens naturalmente conhece e se aproveita inescrupulosamente.

Justamente essas incompreendidas serão e permanecerão em todos os sentidos indignas de confiança. Julgam-se ideais, no entanto são totalmente sem valor, de modo que para uma pessoa sincera, que não nutre intenções baixas, seria melhor que saísse do caminho delas. Seria inútil prestar-lhes auxílio.

Aproximam-se-lhes também quase sempre só “consoladores” com más intenções, desencadeando-se aí mui rapidamente o efeito recíproco, pois no coração ou nos braços de um assim chamado consolador uma jovem incompreendida ou uma tal senhora, após poucos dias ou semanas, já se sentirá novamente “incompreendida” e estará desejosa por um novo estado de ser compreendida, porque nem sabe o que realmente quer.

A todos esses grupos imprestáveis se agrega, por fim, ainda, o grupo dos sonhadores inócuos! Inócuos aparentemente, como as crianças. A inocuidade de semelhante sonhador só existe em relação ao efeito contra ele próprio, contra a sua personalidade, não, porém, contra seu ambiente e todas as pessoas com as quais entra em contacto. Para muitos, um assim inócuo sonhador já atua diretamente pela conversa, como um veneno de ação lenta, corroendo, destruindo, pois ele é capaz de desviá-los da vida terrena normal e com isso sadia, com suas explanações de ideias, para conduzi-los ao reino daquilo que é impróprio, irreal para a existência terrena.

Note-se bem: eu não digo que um tal sonhador seja impuro ou mesmo ruim, ao contrário. Pode ele querer o melhor, mas sempre o desejará de modo irreal para a Terra, de praticabilidade impossível, e dessa forma não atua para a existência terrena de modo benéfico, mas sim dificultando, destruindo.

[…]

Na Terra o ser humano tem o dever de colocar como alvo o que para ele seja o mais alto alcançável e de esforçar-se com todas as forças para atingir esse alvo. Como ser humano! Isso exclui, de antemão, que se esforce tão só pela comida e a bebida como os animais, conforme infelizmente fazem tantas pessoas, ou que se deixe chicotear pelo raciocínio, a fim de adquirir grandeza ou celebridade puramente terrenas, sem visar aí, como finalidade principal, o bem geral e a elevação da humanidade. Todos esses valem para a Terra menos do que os animais, porque um animal, sempre e sem artifícios, é integralmente aquilo que deve ser, mesmo que sua finalidade sirva apenas para conservar alertas as criaturas, a fim de que não se estabeleça uma frouxidão perturbadora, podendo dela resultar, como consequência, a decadência e a decomposição, visto que o movimento na Criação permanece condição vital.

Estar alerta! O ser humano que realmente aspira por ideais é reconhecido, portanto, pelo seu afã de elevar as condições existentes na Terra, não acaso no sentido intelectivo de aumento e poder, mas sim no de enobrecimento!

Todas as suas ideias terão, contudo, a possibilidade de serem efetivadas na Terra, acarretando proveito, tanto para a pessoa individual como também para a comunidade, ao passo que as pessoas que apenas querem ser ideais se comprazem nas ideias, as quais são impossíveis de serem aproveitadas de modo prático numa vida terrena sadia, antes apenas se desviam dela, conduzindo para o mundo de sonhos, que acarreta o prejuízo de deixar sem aproveitamento o presente para o amadurecimento do seu espírito, que cada ser humano em seu vivenciar do presente deve formar e desenvolver.

Aqui também as pessoas com pensamentos ideais comunistas, no fundo das coisas, são nocivas à humanidade, porque a concretização dos mesmos só acarretaria algo de insano, apesar de, em seu modo de ver, quererem o bem. Assemelham-se a construtores que montam cuidadosamente na oficina uma casa para um outro local. Ela parece vistosa e bonita… na oficina. Mas transportada para o terreno verdadeiro, é pouco firme e torta, de modo que não pode ser habitada por ninguém, porque o chão é desigual e não foi possível nivelá-lo, apesar dos maiores trabalhos e esforços. Os construtores esqueceram-se de levar isso em conta. Não consideraram a avaliação certa do existente, essencial e inalterável para essa construção! Isso alguém que realmente aspira por ideais não faz!

As ideias comunistas não podem, em sua execução, crescer do solo, tampouco nele serem ancoradas ou aliás a ele ligadas, visto que esse solo, isto é, os seres humanos, a ele nem se ajustam! É demasiadamente desigual e assim permanecerá sempre, porque não é possível se conseguir um amadurecimento uniforme de todos os seres humanos na Terra.

Haverá sempre e sempre uma grande diferença nos respetivos amadurecimentos, porque espiritualmente os seres humanos, de modo individual, são e continuarão sendo personalidades totalmente distintas, que só poderão se desenvolver de maneira diferente, visto que dessas pessoas espirituais jamais deverá ser tirado o livre-arbítrio sobre si próprias!

Procurai agora reconhecer na Terra os seres humanos que verdadeiramente aspiram deveras por ideais, a fim de lhes auxiliardes em suas atuações, pois, construindo, somente propiciarão benefícios.

Abdruschin

                        

Excerto da Dissertação 23 “Seres humanos ideais” da obra “Na Luz da Verdade - Mensagem do Graal”, volume II

Lançai sobre Ele toda a culpa

Novembro 04, 2015

Esta frase tão frequentemente empregada é um dos principais calmantes de todos quantos se denominam de fiéis cristãos. Todavia, o calmante é um veneno que produz embriaguez. Como tantos outros tóxicos que são utilizados em dadas doenças apenas para entorpecer, por ocasião de dores físicas, acarretando assim tranquilidade aparente, semelhantemente ocorre em relação espiritual com as palavras: “Lançai sobre ele toda a culpa, pois, ele nos libertou e através de suas feridas estamos curados!”

Já que isso é considerado pelos fiéis como uma das colunas básicas das doutrinas eclesiásticas cristãs, atua entre eles tanto mais nocivamente. Edificam sobre isso toda a sua disposição interior.

Com isso, porém, entram num enleio mortal de uma crença cega, no qual conseguem ver tudo o mais apenas ainda fortemente turvado, até que por fim toda a imagem se altera, descendo sobre a Verdade um véu cinzento, de modo que só podem encontrar ainda um apoio numa construção artificial de teorias desfiguradoras que terão de ruir junto com eles, no dia do reconhecimento.

“Lançai sobre ele toda a culpa!”

Tola ilusão! A Verdade luminosa passará como fogo pelas legiões dos doutrinadores falsos e dos fiéis indolentes, incendiando e queimando todo o inverídico! Comodamente, as massas ainda hoje se comprazem na crença de que tudo quanto o Salvador fez e sofreu foi em proveito delas. Na indolência de seu pensar ousado, denominam de coisa injuriosa, por parte de cada pessoa, presumir que deve também contribuir pessoalmente com algo para poder entrar no céu. A tal respeito muitos apresentam admirável modéstia e humildade, que em outros aspetos neles se procura em vão.

Segundo a sua opinião, equivaleria a uma blasfémia pensar, mesmo muito por alto e superficialmente, que a descida do Salvador à Terra e os sofrimentos, mais a morte, que assim tomou a si, ainda não podiam bastar para apagar os pecados de todos aqueles seres humanos que não mais duvidam da sua existência terrena de outrora.

“Lançai sobre Ele toda a culpa… “, pensam eles com fervorosa devoção, sem saber o que realmente fazem. Dormem, mas seu despertar um dia será horrível! Sua crença aparentemente humilde nada mais é senão vaidade e ilimitado orgulho, ao suporem que um Filho de Deus desça a fim de lhes preparar servilmente o caminho, no qual então poderão trotar como broncos, diretamente para o reino do céu.

Na realidade, qualquer um devia reconhecer imediatamente e sem mais delongas tal vacuidade. Só pode ter surgido do mais indescritível comodismo e leviandade, a não ser que a astúcia a tenha criado como engodo para finalidades de vantagens terrenas!

A humanidade perdeu-se em milhares de labirintos, iludindo-se com sua crença tola. Que aviltamento de Deus há nisso! O que é o ser humano para ousar esperar que um Deus mandasse seu Filho Unigénito, isto é, uma parte de Sua própria vida inenteal, para que os seres humanos lhe pudessem atirar o lastro de seus pecados, somente para que eles próprios não precisassem se esforçar em lavar suas vestes sujas e remir o fardo escuro com que se sobrecarregaram.

Ai dos que tiverem que prestar contas um dia por tais pensamentos! É a mais atrevida conspurcação à sublime Divindade! A missão de Cristo não foi de modo assim banal, mas sim elevada, apontando de modo exigente para o Pai.

Já uma vez me referi à grande obra de salvação do Filho de Deus. (*) Sua grande obra de amor se difundiu no Aquém e no Além, tendo trazido frutos de toda a espécie. Nesse ínterim, porém, pessoas apenas com investidura humana procuravam muitas vezes passar por convocados de Deus, pegando com mãos profanas as doutrinas puras e, obscurecendo, arrastavam-nas em sua direção, para baixo.

A humanidade que neles confiava, sem examinar seriamente a palavra que ensinavam, tombou junto. O núcleo sublime da Verdade Divina foi envolvido pelas estreitezas terrenas, a ponto que a forma realmente se conservou, porém, todo o fulgor sucumbiu na ânsia pelo poder e vantagens terrenas. Apenas um pálido crepúsculo reina ali onde podia existir o mais claro resplendor de vida espiritual. Da humanidade suplicante fora roubada a joia que Cristo Jesus trouxe para todos quantos almejam por isso. Desfigurados pelos envoltórios de desejos egoísticos, aos que procuram é apontado um caminho errado, o qual não apenas faz com que eles percam tempo precioso, mas os impele muitas vezes até para as garras das trevas.

Rapidamente doutrinas erradas cresceram. Vicejaram por cima da singeleza, da Verdade, cobrindo-a com um manto cintilante de cuja pujança de cores, porém, emanam perigos como nas plantas venenosas, entorpecendo tudo que se lhes aproxime, pelo que a vigilância dos fiéis sobre si próprios enfraquece, acabando por apagar-se. Com isso morre, outrossim, cada possibilidade de ascensão para a verdadeira Luz!

Uma vez mais o grande brado da Verdade ressoará por todos os países. Então virá o ajuste de contas para cada um, pelo destino que teceu para si próprio. Os seres humanos finalmente receberão aquilo que até aí defenderam com persistência. Terão que vivenciar todos os erros que estabeleceram em seus desejos ou pensamentos atrevidos, ou aos quais procuraram seguir. Para muitos a consequência será um uivar selvagem e um bater de dentes causado pelo medo, pela raiva e pelo desespero.

Os atingidos pesadamente pelo mal e os condenados sentirão então de chofre intuitivamente como sendo injustiça e dureza, tão logo sejam empurrados para aquela realidade, a qual eles, em sua vida terrena, até agora queriam reconhecer como sendo a única verdadeira, com que também continuamente presenteavam seus semelhantes. Aí Deus, a Quem eles enfrentavam com ilimitada arrogância, ainda deve ajudar! Implorar-Lhe-ão, clamarão por Ele, esperando que Ele, em Sua Divindade, perdoe facilmente também as piores coisas aos homúnculos “ignorantes”. Ele, de repente, será demasiadamente “grande”, segundo sua suposição, para poder ter rancor de tal coisa. Ele a Quem até agora tanto aviltaram!

Contudo, Ele não lhes dará ouvidos, não mais os ajudará, porque antes não quiseram ouvir a Sua Palavra, que Ele lhes enviara! E nisso há Justiça, que nunca pode ser separada de Seu grande Amor.

Ressoar-lhes-á retumbantemente: “Não quisestes! Por isso sereis exterminados e riscados do Livro da Vida!”

Abdruschin

                        

Dissertação 24 “Lançai sobre Ele toda a culpa” da obra “Na Luz da Verdade - Mensagem do Graal”, volume II

O crime da hipnose

Novembro 04, 2015

Esquisito! Outrora combatia-se a afirmação de que a hipnose pudesse realmente existir, encontrando-se à frente desses muitos médicos. Chegavam ao ponto de chamar a hipnose de trapaça e fraude, conforme poucos antes já haviam feito com o magnetismo terapêutico, que hoje se tornou numa fonte de bênçãos para muitos. Os que o praticavam eram atacados violentamente, sendo chamados de charlatães e trapaceiros.

Hoje, por sua vez, são justamente os médicos que em grande parte se apropriaram da hipnose. Aquilo que outrora acusavam com as mais violentas expressões, hoje em dia defendem.

Isto pode ser julgado por dois lados. Quem examinar de modo objetivo a luta encarniçada daquele tempo, não poderá deixar hoje de reprimir naturalmente um sorriso, quando novamente tem de observar como os fervorosos adversários de outrora procuram, agora, com maior fervor ainda, aplicar a hipnose por eles tão desdenhada. Por outro lado, tem de ser reconhecido, por sua vez, que tal reviravolta, grotesca, ainda assim merece apreço. Necessária é certa coragem para se expor ao perigo do ridículo, que justamente neste caso está bem próximo.

Deve-se reconhecer nisso a sinceridade, que realmente deseja ser útil à humanidade e, por esse motivo, não recua assustada, mesmo se expondo a tal perigo.

Lamentável é apenas que não se aproveitasse a lição para o futuro, tornando-se todos mais precavidos no critério e - digamos tranquilamente - nas hostilizações, quando se trata de coisas que pertencem ao mesmo campo em que a hipnose se encontra. Infelizmente se procede novamente hoje, em muitos outros setores desse mesmo domínio, de modo idêntico, apesar de todas as experiências, e quase ainda pior.

Não obstante, o mesmo espetáculo terá por fim que se repetir, que sem transição e com fervor repentinamente se lute por algo que até então se procurava negar tão tenazmente. Mais ainda, que se procure ter somente nas próprias mãos, para execução, tantas coisas e por todos os meios, inescrupulosamente, cujas pesquisas e descobertas foram, inicialmente, de modo cauteloso e sob contínuo combate, deixadas para os outros, na maioria aos assim chamados “leigos”.

Se isso então ainda pode ser designado como um mérito ou uma ação corajosa, resta saber. É muito mais provável, pelo contrário, que essas eternas repetições também possam colocar sob um outro aspeto as ações já mencionadas como mérito. Até aí, o resultado de uma análise superficial.

Muito mais crítico, contudo, torna-se quando se conhecem direito os efeitos das aplicações da hipnose. Que a existência da hipnose, finalmente, tenha encontrado reconhecimento e confirmação, cessando assim os ataques cheios de loquacidade da ciência que, segundo a experiência atual, revelam apenas ignorância, é bom. Mas que, com isso, sob a proteção favorecedora dos adversários de até então, que se tornaram repentinamente cientes, também as aplicações tenham encontrado tão ampla propagação, prova que os tais entendidos se acham muito mais longe do legitimo reconhecimento, do que os tão difamados leigos, que inicialmente pesquisavam.

 […]

Cada atamento do espírito, seja qual for a finalidade de sua realização, constitui um embargo absoluto na possibilidade do progresso indispensável. Sem levar em consideração que um tal atamento acarreta muito mais perigos do que vantagens. Um espírito assim atado se acha não só acessível à influência do hipnotizador, mas sim, até certo ponto, não obstante uma eventual proibição por parte do hipnotizador, fica também exposto indefeso a outras influências da matéria fina, visto lhe faltar, devido ao atamento, a proteção tão necessária, a qual, unicamente, pode oferecer a liberdade absoluta de ação.

O facto dos seres humanos nada notarem dessas lutas contínuas, dos ataques e da própria defesa, eficientes ou vãs, não exclui a vitalidade do mundo da matéria fina e a cooperação deles mesmos.

Cada um que seja submetido a uma hipnose eficiente ficou, portanto, impedido mais ou menos fortemente no progresso real de seu núcleo mais profundo. As circunstâncias exteriores, tenham elas se apresentado mais desfavoráveis ainda, ou aparente e passageiramente benéficas, só representam um papel secundário, portanto, não devem também ser determinantes para um julgamento. Em todo caso o espírito tem que permanecer livre, porque afinal de contas se trata única e exclusivamente dele!

Supondo-se que sobreveio uma melhora exterior, reconhecível, no que se apoiam sobremaneira quantos praticam a hipnose, nem com isso a pessoa em questão lucrou algo realmente. Seu espírito atado não consegue agir com a mesma vitalidade criadora no mundo da matéria fina, como um espírito inteiramente livre. As criações de matéria fina originadas de sua vontade tolhida ou forçada são fracas, por serem formadas de segunda mão e logo murcham no mundo de matéria fina. Por essa razão sua vontade tornada melhor não lhe pode trazer aquele efeito na reciprocidade, que infalivelmente é de se esperar nos atos criadores do espírito livre.

De modo idêntico, naturalmente, também ocorre quando um espírito atado deseja e executa males a mando de seu hipnotizador. Estes, pela fragilidade das ações criadoras de matéria fina, desaparecerão logo, apesar das más ações de matéria grosseira, ou serão absorvidos por outras espécies iguais, de maneira que uma reciprocidade de matéria fina nem se pode dar, do que resulta, de facto, para a pessoa assim forçada, uma responsabilidade terrena, não porém uma responsabilidade espiritual. Identicamente é o processo, tratando-se de loucos.

Através disso vemos mais uma vez a Justiça sem lacunas do Criador, que se efetua no mundo da matéria fina através das leis vivas, inatingíveis em Sua perfeição. Uma pessoa assim forçada, apesar das más práticas à vontade alheia, não poderá ser atingida por nenhuma culpa, tampouco por qualquer bênção, porque seus melhores feitos foram executados mercê da vontade de outrem, nos quais ela não participa como “Eu” autónomo.

Acontece, porém, algo diferente: o atamento forçado do espírito por meio da hipnose prende, concomitantemente, o hipnotizador à sua vitima como que com cadeias fortíssimas. E não o libertam, enquanto não tiver auxiliado a pessoa, violentamente embargada em seu próprio desenvolvimento, a progredir ao ponto que devia ter alcançado, se ele não tivesse realizado aquele atamento. Terá de ir, depois de sua morte terrena, até lá onde for o espírito por ele atado, mesmo que seja até às profundezas mais baixas.

O que, portanto, espera tais seres humanos, que muito se ocupam com a prática da hipnose, é fácil de se imaginar. Quando após a morte terrena, despertando, chegam à lucidez, verificarão aterrorizados quantos atamentos os prendem a pessoas já falecidas anteriormente, bem como a outras que ainda peregrinam na Terra. Nenhum deles lhes poderá ser perdoado. Ele por elo, o ser humano terá de desfazer, mesmo que com isso perca até milénios.

É provável, porém, que com isso não chegue mais até o fim, mas acabe sendo arrastado à decomposição que destrói a sua personalidade, o próprio “Eu”, pois pecou gravemente contra o espírito!

Abdruschin

                        

Excerto da Dissertação 25 “O crime da hipnose” da obra “Na Luz da Verdade - Mensagem do Graal”, volume II

Astrologia

Novembro 04, 2015

Arte régia é ela chamada e não sem acerto. Não, porém, por ser a soberana de todas as artes, tampouco por ser reservada aos reis terrenos, mas quem pudesse praticá-la deveras, estaria apto a assumir espiritualmente uma situação régia, tornando-se assim dirigente de muitas coisas que acontecem e que deixam de acontecer.

Mas não existe um único ser humano terreno a quem sejam confiadas essas faculdades. Por isso todos os trabalhos nesse sentido permanecerão meras tentativas sem valia, duvidosas quando levadas a sério pelos que as praticam, criminosas quando a presunção e a fantasia doentia cooperam, substituindo a profunda seriedade.

O mero cálculo astrológico pouco pode, aliás, adiantar, porque às irradiações dos astros pertencem também as respetivas irradiações do solo da Terra, assim como também incondicionalmente a matéria fina viva, com todas as suas atividades, como por exemplo o mundo das formas de pensamentos, do carma, as correntes das trevas e da Luz na matéria, bem como outras coisas mais. Qual o ser humano que pode vangloriar-se de haver abrangido de modo nítido e claro tudo isso, desde os abismos mais profundos até às alturas mais elevadas da matéria?

As irradiações dos astros formam somente os caminhos e os canais através dos quais tudo o que é vivo na matéria fina pode chegar mais concentradamente a uma alma humana, a fim de ali se efetivar. Falando figuradamente, pode-se dizer: os astros assinalam as épocas em que os efeitos retroativos e outras influências através da condução das irradiações podem fluir sobre o ser humano mais concentrada e cerradamente. Às irradiações dos astros desfavoráveis ou hostis congregam-se na matéria fina as correntezas más pendentes destinadas ao respetivo ser humano; às irradiações favoráveis, por sua vez, apenas as boas, de acordo com a igual espécie.

Eis porque os cálculos em si não são de todo destituídos de valor. Mas é condição indispensável que para um determinado ser humano haja, na ocasião das irradiações desfavoráveis, também efeitos retroativos desfavoráveis ou, por ocasião das irradiações benéficas, efeitos retroativos também benéficos. Do contrário, impossível será qualquer efeito. Por outro lado, também, as irradiações dos astros não são por acaso fantasmagóricas, por si só ineficazes, sem ligação com outras forças, mas possuem também efeitos automáticos, dentro de certas restrições.

Se para determinada pessoa só houver no mundo da matéria fina ações de retorno maléficas, prontas para atuar, tais atividades todavia ficarão bloqueadas, reprimidas ou pelo menos bastante represadas nos dias ou horas de irradiações astrais benéficas, segundo a espécie das irradiações. De idêntico modo, evidentemente, também ocorre com o inverso, de maneira que por ocasião dos efeitos retroativos benéficos em atividade, o favorável será paralisado pela irradiação desfavorável, durante a época correspondente a essa irradiação.

Mesmo que, por conseguinte, os canais das irradiações siderais corram vazios pela falta de efeitos de igual espécie, funcionam ao menos como bloqueio temporário contra os eventuais efeitos recíprocos de espécie diferente em atividade, de modo que nunca permanecem de todo sem influência. Apenas não podem, justamente as irradiações de todo benéficas conduzirem sempre algo de bom ou as irradiações más sempre algo de mau, se para a respetiva pessoa tal coisa não existir.

A esse respeito os astrólogos não podem dizer: “Então, portanto temos razão”. Pois esse ter razão é apenas condicional e muito restrito. Não justifica as afirmações muitas vezes arrogantes e os apregoamentos comerciais. Os canais vazios das irradiações dos astros podem muito bem acarretar interrupções, porém nada mais, nem de bem nem de mal.

Deve-se admitir, por sua vez, que em certo sentido a interrupção temporária de maus efeitos retroativos já é em si algo de bom. Pois proporciona, a quem se encontra fortemente acuado pelo mal, um tempo para tomar alento e com isso forças para prosseguir suportando.

Além disso, devem justamente as irradiações frenadoras ocasionar ao espírito humano motivo para maior esforço, o que por sua vez acorda o espírito, fortalece-o e o deixa inflamar-se cada vez mais nos esforços para vencer esses obstáculos.

Os cálculos dos astrólogos, apesar de tudo, poderiam ser bem recebidos, se não se desse atenção às inúmeras fanfarronices e à propaganda de tantos. Contribui, porém, uma série de outros fatores importantes que tornam tais cálculos muito duvidosos, de modo que na realidade geralmente eles produzem mais danos do que proveitos.

Não entram em cogitação apenas os poucos astros que hoje estão à disposição dos astrólogos para os cálculos. Inúmeros outros astros, nem sequer conhecidos pelos astrólogos, diminuindo os efeitos, fortalecendo, cruzando ou deslocando-os, têm um papel tão grande, que o resultado final do cálculo muitas vezes pode ser totalmente oposto àquilo que ao melhor astrólogo é possível dizer hoje em dia.

Finalmente, existe mais um ponto decisivo, o maior e o mais difícil: é a alma de cada ser humano! Apenas aquele que, além de todas as outras exigências, é capaz de pesar com exatidão cada uma dessas almas, até o último degrau, com todas as suas capacidades, características, complicações cármicas e em todos os seus esforços, isto é, em sua verdadeira maturidade ou imaturidade no Além, poderia talvez ousar fazer cálculos!

Por mais que as irradiações astrais possam ser benéficas para um ser humano, nada poderá atingi-lo de luminoso, isto é, de bom, se ele tiver em volta de si muito de trevas, devido ao estado de sua alma. No caso oposto, porém, a pessoa cujo estado anímico só permite em volta de si a limpidez e o que é luminoso, a mais desfavorável de todas as correntezas astrais não poderá oprimir tanto que ela sofra sérios danos: por fim, tudo terá que se voltar sempre para o bem.

A Onipotência e a Sabedoria de Deus não são tão unilaterais como cuidam em seus cálculos os adeptos da astrologia. Ele não sincroniza o destino dos seres humanos, isto é, o seu bem e o seu mal somente com as irradiações astrais.

Estas, sim, cooperam vigorosamente não apenas em relação a cada ser humano isoladamente, mas em relação a todos os fenómenos mundiais. Contudo, também nisso elas são meros instrumentos, cuja atuação não só está em conexão com muitas outras, mas também com isso permanecem dependentes, em suas possibilidades, de todos os efeitos. Mesmo quando tantos astrólogos supõem trabalhar intuitivamente, sob inspiração, então isso não pode contribuir tanto para um aprofundamento, que se permita depositar muito maior confiança na aproximação de uma realidade dos cálculos.

Os cálculos permanecem fragmentos unilaterais, insuficientes, lacunosos, em suma: imperfeitos. Trazem inquietação entre os seres humanos. A inquietação, no entanto, é o inimigo mais perigoso da alma, pois abala a muralha de proteção natural, deixando entrar muitas vezes justamente assim o que é do mal, que do contrário não teria encontrado qualquer entrada.

Inquietos se tornam muitos seres humanos ao se dizer que estão expostos a irradiações maléficas, mas muitas vezes demasiadamente confiantes e com isso imprudentes, quando estão convictos de estarem justamente sujeitos a irradiações benéficas. Pela insuficiência de todos os cálculos, sobrecarregam-se eles com preocupações desnecessárias, ao invés de manter sempre o espírito livre e alegra, que reúne mais forças para a defesa, do que conseguem as mais fortes correntezas más para oprimir.

Os astrólogos deviam, se não conseguem proceder diferentemente, continuar calmamente com os seus trabalhos, procurando se aperfeiçoar nisso, mas somente em silêncio e para si próprios, conforme fazem os que entre eles realmente devem ser tomados a sério! Deveriam poupar aos demais seres humanos tais imperfeições, visto que estas apenas atuam maleficamente, trazendo como fruto abalo da autoconfiança, atamento nocivo dos espíritos livres que, incondicionalmente, tem de ser evitado.

 

Abdruschin

                        

Dissertação 26 “Astrologia” da obra “Na Luz da Verdade - Mensagem do Graal”, volume II

Simbolismo no destino humano

Novembro 04, 2015

Se os seres humanos não se deixassem empolgar de maneira tão absorvente pelas necessidades e pelas muitas ninharias quotidianas, mas quisessem prestar também alguma atenção aos pequenos e grandes acontecimentos que se passam à sua volta, devia em breve chegar-lhes um novo reconhecimento. Surpreender-se-iam consigo mesmos e mal acreditariam que até então pudessem ter passado impensadamente por coisas tão marcantes.

Existem, de facto, razões de sobra para que, cheios de compaixão de si mesmos, meneiem as cabeças. Com um pouco de observação apenas, descortinar-se-lhes-á de súbito todo um mundo de acontecimentos vivos, severamente coordenados, deixando perceber nitidamente uma direção firme de mão superior: o mundo do simbolismo!

Este se acha profundamente enraizado na parte de matéria fina da Criação, e apenas suas derradeiras extremidades, quais ramificações, entram na parte terrena visível. É como num mar, que aparenta estar absolutamente calmo e cujo movimento contínuo não se percebe, só podendo isso ser notado nas beiradas, em seus últimos efeitos.

Não pressente o ser humano que é capaz, mediante reduzido esforço através de um pouco de atenção, observar com clareza a atividade do carma para ele tão incisivo e por ele tão temido. Possível lhe é tornar-se mais familiarizado com isso, com o que, pouco a pouco, o medo, muitas vezes brotado dos seres humanos que pensam, se desfaz com o tempo, perdendo o carma seu terror.

Para muitos poderá isso ser um caminho pelo qual poderão seguir para a escalada, tão logo aprendam a sentir, através dos fenómenos terrenalmente visíveis, as ondulações mais profundas da vida da matéria fina, com o que surge com o tempo a convicção da existência de efeitos recíprocos absolutamente lógicos.

Tão logo atinja tal ponto, o ser humano se adaptará lentamente, passo a passo, até que por fim reconheça a força propulsora, lógica e sem falhas da consciente Vontade Divina consciente em toda a Criação, portanto no mundo de matéria grosseira e de matéria fina. Contará de então por diante com ela e se submeterá a ela deliberadamente. Isto significa para ele um flutuar na força, cujos efeitos somente lhe podem ser proveitosos. Ela lhe serve, porque sabe utilizá-la, ao mesmo tempo que ele próprio se adapta corretamente.

Dessa forma o efeito recíproco apenas pode desencadear-se como portador de felicidade para ele. Sorrindo, verá se concretizar literalmente cada palavra bíblica que, em sua simplicidade infantil, às vezes queria se tornar uma pedra de tropeço que, por essa razão, para o seu cumprimento, muitas vezes lhe parecia difícil, porque, segundo a sua opinião de até então, exigia mentalidade de escravo. A exigência de obedecer, por ele sentida intuitivamente de modo desagradável, transforma-se pouco a pouco, ante seus olhos tornados lúcidos, na distinção mais alta que possa acontecer a uma criatura; numa verdadeira dádiva Divina, que encerra a possibilidade dum desenvolvimento enorme de força espiritual, consentindo uma cooperação pessoal e consciente na maravilhosa Criação.

As expressões: “Somente aquele que se rebaixa a si próprio será elevado”, o ser humano deve “humildemente curvar-se diante de seu Deus”, a fim de poder ingressar em Seu Reino, ele deve “obedecer”, “servir” e o que ainda mais existe de conselhos bíblicos, chocam de início um pouco a pessoa moderna, por sua maneira de expressão singela, infantil e no entanto tão acertada, porque ofendem seu orgulho inerente à consciência do saber intelectual. Não quer mais ser conduzida tão às cegas, mas ela própria, reconhecendo, quer cooperar em tudo conscientemente, a fim de adquirir, por convicção, entusiasmo interior, indispensável para tudo quanto é grande. E isto não é nenhum erro!

[…]

Assim, pois, o mínimo favor prestado aos seus semelhantes, um sentimento sincero de compaixão ao próximo, uma única palavra amistosa, podem formar remissões simbólicas para um carma, desde que interiormente seja formada como base a vontade sincera para o bem.

Isso tem que preceder, evidentemente, pois do contrário não se poderia falar duma remissão simbólica, porque tudo o que estivesse em refluxo então efetuar-se-ia de modo total em todos os sentidos.

Mas tão logo se inicie na criatura humana realmente a vontade sincera para a escalada, muito em breve poderá observar como, pouco a pouco, se manifesta mais e mais vida em seu ambiente, como se lhe fossem colocadas no caminho toda a sorte de coisas, as quais, no entanto terminarão sempre bem. Dá-lhe na vista até. Advirá, do mesmo modo, por fim, um período visível de mais calma ou quando todos os acontecimentos, nitidamente reconhecíveis, servem também para progresso terreno. Então passou a época das remissões.

Com alegre agradecimento pode entregar-se à ideia de que muita culpa se lhe desprendeu, que doutro modo devia ter penitenciado pesadamente. Deve então estar vigilante, a fim de que todos os fios de destino, que pela sua vontade e pelo seu desejar de novo ata, sejam apenas bons, para que também lhe possa atingir apenas o que é bom!

 

Abdruschin

                        

Excerto da Dissertação 27 “Simbolismo no destino humano” da obra “Na Luz da Verdade - Mensagem do Graal”, volume II

Crença

Novembro 04, 2015

A crença não é conforme a maioria dos assim chamados fiéis a demonstra. A verdadeira crença somente surge quando se inteirou totalmente do conteúdo das Mensagens de Deus, e com isso as transformou em convicção viva e voluntária.

Mensagens de Deus provêm através da Palavra de Deus, bem como através de Sua Criação. Tudo dá testemunho Dele e de Sua Vontade. Tão logo uma pessoa possa vivenciar, conscientemente, todo o evoluir e todo o existir, seu interior intuitivo, pensar e atuar serão uma única e alegre confirmação de Deus.

Silenciará então, não falará muito sobre isso, tornou-se, porém, uma personalidade que com essa adoração silenciosa a Deus, a qual pode ser denominada como confiança em Deus, estará de modo firme e seguro na Criação inteira. Não se entregará a devaneios fantasiosos, não caiará em êxtases, tampouco viverá na Terra apenas no espiritual, mas cumprirá com bom senso e salutar coragem sua obra terrena, aplicando também aí habilmente o raciocínio frio como arma afiada na necessária defesa, em casos de agressão, sem naturalmente tornar-se injusto.

Não deve absolutamente tolerar, calado, quando lhe façam injustiças. Do contrário sustentaria e fortaleceria o mal com isso.

Existem, contudo, muitas criaturas humanas que apenas se imaginam fiéis! Apesar de toda a concordância interior sobre a existência de Deus e de Sua atuação, temem o sorriso dos céticos. É-lhes desagradável e penoso, passam nas conversações por cima disso silenciosamente com expressão diplomática na fisionomia, fazendo constantemente concessões aos céticos, mediante seu comportamento, por causa do embaraço. Isso não é crença, mas mero assentimento interior! Renegam dessa forma, na realidade, a seu Deus, a quem oram às escondidas, esperando Dele, por isso, tudo o que é bom.

A falsa consideração em relação aos céticos não pode ser desculpada com as palavras de que para os “fiéis” o assunto é “demasiadamente sagrado e sério”, para que eles possam querer expô-lo a eventual escárnio. A isso, igualmente, não se pode denominar modéstia, mas somente baixa covardia! Falai finalmente com toda a franqueza, mostrai quem sois! Sem medo diante de cada pessoa, com aquele orgulho que corresponde à filiação de Deus! Só então os céticos, por fim, se verão obrigados a reter seu sarcasmo, que apenas denuncia insegurança. Agora, no entanto, este só está sendo cultivado e nutrido pelo medroso comportamento de tantos “fiéis”.

Estas pessoas enganam-se a si mesmas, porque dão à palavra “crença” um sentido muito diferente do que essa palavra requer. A crença precisa ser viva, isto é, deve tornar-se mais do que convicção, tornar-se ação! Tornar-se-á ação logo que tenha traspassado tudo, todo o sentir intuitivo, o pensar e o atuar. Ela deve, partindo de dentro, de maneira discreta, tornar-se palpável e visível, isto é, evidente, em tudo o que faz parte do ser humano. Não se deve usá-la nem como ornamento, nem como escudo; ao contrário, tudo que se torna exteriormente sensível deve resultar exclusivamente da irradiação natural do núcleo interior espiritual.

Popularmente falando, a verdadeira crença deve ser, portanto, uma força que, irradiando do espírito do ser humano, penetra em sua carne e em seu sangue, tornando-se assim uma única evidência natural. Nada de artificial, nada de forçado, nada de aprendido, mas apenas vida.

Olhai para muitos fiéis; afirmam eles que creem firmemente na continuação da vida após a morte, aparentemente sintonizam também seus pensamentos nisso. Mas se lhes for dado ensejo de obter uma prova dessa vida do Além, fora da observação quotidiana mais simples, se aterrorizam ou ficam profundamente abalados! Com isso mostram justamente que no fundo não estavam assim tão convencidos da vida do Além, pois do contrário tal prova ocasional devia parecer-lhes absolutamente natural. Não deviam, por conseguinte, nem se assustar, nem se abalar com isso em especial.

Ao lado disso existe ainda inúmeros fenómenos que mostram nitidamente quão poucos crentes são, pois, os assim chamados fiéis. A crença não está viva neles.

 

Abdruschin

                        

Dissertação 28 “Crença” da obra “Na Luz da Verdade - Mensagem do Graal”, volume II

Bens terrenos

Novembro 04, 2015

Com muita frequência se levanta a questão de saber se o ser humano deve se separar dos bens terrenos ou desprezá-los, no seu esforço para proveitos espirituais.

Seria tolice estabelecer tal princípio! Quando se diz que as criaturas humanas não devem se prender a bens terrenos logo que se esforçam na direção do reino celeste, não se diz com isso que devam dar de presente ou jogar fora bens terrenos, para viver na pobreza. O ser humano pode e deve usufruir alegremente aquilo que Deus lhe torna acessível através de Sua Criação.

O “não dever se prender” a bens terrenos significa apenas que um ser humano não deve deixar-se arrebatar a tal ponto, de considerar o amontoamento de bens terrenos como finalidade máxima de sua vida terrena, de se “prender”, portanto, através disso predominantemente a esse pensamento.

Acabaria semelhante atitude por desviá-lo de modo totalmente natural de alvos mais elevados. Não teria mais tempo disponível para tal e penderia realmente com todas as fibras de seu ser apenas nessa única finalidade de aglomerar posses terrenas. Seja, pois, por causa dos próprios bens, ou por causa de prazeres que a posse possibilita ou, também, por causa de outras finalidades, não importa, no fundo permaneceria sempre o mesmo resultado. Com isso o ser humano pende e ata-se ao puramente terrenal, pelo que perde ele a visão para o alto e não pode mais subir.

Esta conceção falsa de que os bens terrenos são inconvenientes para o progresso espiritual provocou, na maioria dos seres humanos, o conceito absurdo de que todos os empreendimentos espirituais nada podem ter em comum com bens terrenos, se é que eles devam ser tomados a sério. É esquisito que a humanidade nunca ficasse ciente do dano que deste modo atraiu para si.

Com isso desvalorizam em si próprios os dons espirituais, isto é, os mais elevados que lhes podem ser outorgados, pois em virtude de todas as aspirações espirituais de até agora, devido a esta estranha conceituação, terem que depender de sacrifícios e doações, semelhante aos mendigos, assim se imiscuiu com isso, de modo impercetível, em relação às aspirações espirituais, a mesma atitude que se manifesta em relação aos mendigos. Razão porque essas nunca puderam obter aquele apreço que, aliás, em primeiro lugar merecem.

Essas aspirações tiveram, porém, pela mesma razão, que trazer em si de antemão o germe da morte, porque nunca puderam firmar-se nos próprios pés, mas sempre permanecer dependentes da boa vontade das criaturas humanas. Justamente para proteger e defender perante a humanidade aquilo que de mais sagrado possui, isto é, o espiritual, aquele que se esforça sinceramente não deve desprezar bens terrenos! Devem servir-lhe agora predominantemente como escudo no mundo de matéria grosseira, a fim de poder rechaçar igual com igual.

Viria a ser uma situação insana, se na época de materialistas os que se esforçam por progredir espiritualmente quisessem desdenhar a arma mais forte dos adversários inescrupulosos! Isso seria uma leviandade, que poderia vingar pesadamente.

Por isso, vós, fiéis legítimos, não menosprezeis bens terrenos, que também só puderam ser criados pela Vontade de Deus a quem procurais honrar! Contudo, não vos deixeis adormecer pelo conforto que a posse de bens terrenos pode originar, mas usai-os de modo sadio.

O mesmo se dá com os dons especiais de tais forças que servem para curar diversas doenças ou com capacitações semelhantes, ricas em bênçãos. Da maneira mais ingénua, ou, digamos mais acertadamente, da maneira mais inescrupulosa, pressupõem as criaturas humanas que essas capacitações lhes são postas gratuitamente à disposição, já que por sua vez foram outorgadas das esferas espirituais, como dádivas extraordinárias, para serem postas em prática. Chega a tal ponto, que certas pessoas esperam uma especial manifestação de alegria quando “condescendem” em aceitar auxílios desse teor por ocasião de grandes aflições. Tais pessoas deviam ser excluídas de todo auxílio, mesmo se fosse o único que ainda lhes pudesse auxiliar!

As pessoas assim dotadas, porém, deviam elas próprias, antes de tudo, aprender a dar apreço mais alto a esta sua dádiva de Deus, para que as pérolas não sejam sempre de novo atiradas aos porcos. Para uma assistência eficiente necessitam de muito mais forças físicas e de matéria fina, bem como de tempo, do que um advogado para sua melhor oração de defesa, ou um médico por ocasião de muitas visitas aos doentes, ou um pintor para a composição de um quadro. A pessoa alguma ocorreria a ideia de pretender de um advogado, de um médico ou de um pintor, um trabalho gratuito, embora uma boa capacitação seja também apenas uma “dádiva de Deus”, como qualquer outro dom, nada mais. Jogai fora, finalmente, essas roupas de mendigos e apresentai-vos com os trajes que mereceis.

 

Abdruschin

                        

Dissertação 29 “Bens terrenos” da obra “Na Luz da Verdade - Mensagem do Graal”, volume II

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