Os planos espírito-primordiais VI
Novembro 01, 2015
Evoco hoje novamente, perante a visão de vosso espírito, o quadro da Criação primordial, conforme vos dei até agora. Vedes após Parsival os primeiros quatro primordialmente criados, que ocupam o mais alto dos sete degraus existentes no espírito-primordial: Od-she-mat-no-ke, Leilak, o Leão e Merkur.
No degrau seguinte mencionei três primordialmente criadas femininas: Johanna. Cella, Josepha, e um pouco mais longe, no terceiro degrau ou plano, Vasitha, como guardiã vigorosa.
Com isso tornei conhecidos, em suas espécies básicas, três degraus ou planos da Criação primordial mais elevada. Mas antes de ampliar e alargar o quadro, quero mencionar basicamente ainda os outros quatro degraus, pois são sete degraus ou divisões principais no espiritual primordial, que denomino Criação primordial, como também existem mais adiante, nas matérias sete degraus ou partes do Universo.
Encontrareis em todos os lugares a divisão por sete, como facto natural, onde age a Vontade de Deus, a qual também tem no seu próprio nome o número sete: Imanuel.
Entremos agora no quarto degrau dos reinos do espírito-primordial.
Maravilhosa Luz, infinitamente benfazeja, perflui esse plano maravilhoso, que se estende em distâncias cintilantes, como um imenso mar, claro como cristal.
Semelhante a uma ilha surge nesse flutuante tecer um lugar luminoso das mais admiráveis rosas. Grato júbilo perpassa os terraços, que, formando uma colina radiosa de indizível beleza, concedem riqueza perfeita em cores, que força o olhar mais exigente para uma enlevada adoração. Irradiando bênção, as cores vibram em seu mais delicado resplendor, formando encantadores jardins, para servirem de fonte de toda a esperança e de toda a vida. No meio deles brincam inúmeras crianças rosadas, passeiam alegres e felizes figuras femininas adultas.
Todavia, não se trata dos espíritos, que mais tarde chegam à encarnação nas Criações. Trata-se, sim, de pontos de partida de irradiações, que na espécie determinada da Ilha das Rosas atuam sobre a feminilidade humana da Criação, como auxílio para o seu desenvolvimento em todas as peregrinações através das matérias; crianças atuam sobre crianças, de acordo com o tamanho, espécie e até cor; e adultos atuam sobre aqueles adultos que se assemelham às suas formas, de acordo com o tamanho dos espíritos que estão amadurecendo.
Os tamanhos dos corpos na Ilha das Rosas são, portanto, um equivalente à diversidade dos respetivos graus de amadurecimento também daqueles espíritos humanos que podem desenvolver-se pouco a pouco dos germes, nas peregrinações através das matérias, para uma plena consciência.
Por isso na Ilha das Rosas, no espírito-primordial, também existe tudo o que se repete mais tarde no espiritual e nas matérias, como uma cópia ou também como imitações.
Na realidade, em todas as partes do Universo é a repetição, de acordo com a lei, de tudo o que já existe no espiritual primordial, porque nunca pode ser diferente na simplicidade e clareza das leis Divinas, incompreensíveis para os seres humanos. Repete-se por isso, no espiritual, exatamente tudo quanto já se realizou no espiritual primordial.
Também no espiritual primordial tudo o que, na proximidade da pressão poderosa do núcleo inenteal, não pôde se formar imediatamente para a autoconsciência nem lá se manter, saiu, sim, da parte superior da Criação primordial, passou por Vasitha rumo a uma distância maior, a um plano seguinte, para se manter num maior esfriamento e com isso poder atingir a autoconsciência. No meio disso se encontram também germes do espiritual primordial, que já no quarto degrau de esfriamento se desenvolvem para o estado consciente, como, portanto, aqui na Ilha das Rosas.
Se eu falo em degraus da Criação ou planos, isso significa degraus de esfriamento, pois nenhuma outra coisa faz surgir degraus, os quais, ao invés de degraus de esfriamento, também podem ser chamados degraus de distância; na realidade, devido a isso, também segundo as noções terrenas, são degraus ou graduações.
Por causa disso encontramos, portanto, na Ilha das Rosas, pela primeira vez, descendo de cima para baixo, crianças e desenvolvimento no espiritual primordial! É importante para vós saber disso, porque significa um grande setor da Criação.
Primeiro encontram-se, pois, nos degraus superiores do espiritual primordial aqueles que puderam tornar-se autoconscientes imediatamente, portanto os mais fortes e com isso os mais poderosos, as colunas, depois seguem-se nos degraus mais distanciados aqueles que ainda podem desenvolver-se no espiritual primordial. Por isso encontramos aí, pela primeira vez, crianças espírito-primordiais.
No seguinte grande setor da Criação, no espiritual, que é um pouco mais fraco do que o espiritual primordial, por poder tornar-se consciente somente em distância ainda maior do núcleo inenteal de Parsival, repete-se o processo exatamente como se deu na Criação primordial.
Primeiro tornam-se imediatamente conscientes as partes mais fortes do espiritual, enquanto as outras têm de ser impelidas para distâncias ainda maiores, a fim de que possam amadurecer em desenvolvimento vagaroso para a autoconsciência.
Também aí existem, portanto, só nos degraus referentes aos germes espirituais, crianças espirituais, que podem crescer para maior maturidade espiritual ou também permanecer crianças, pois os germes espirituais que não atingem plena maturidade, isto é, não se tornam adultos espiritualmente, não são aniquilados nem rejeitados, enquanto permanecerem puros!
Este é um ponto que eu ainda não mencionara. Permanecem crianças espiritualmente e irradiam como tais sobre crianças, até que, pouco a pouco, amadurecem finalmente e se tornam adultos. Aquilo que é puro, nunca poderá cair na decomposição.
Ainda uma coisa quero mencionar aqui. O espiritual primordial nessa Criação não é acaso a parte mais forte e o espiritual a parte mais fraca de uma espécie totalmente igual, mas sim o espiritual é uma espécie completamente diferente do espiritual primordial!
Ambas as espécies têm em si uma parte mais forte e uma parte mais fraca. O espiritual é, sim, um sedimento do espiritual-primordial, unicamente por ser de espécie diferente, a qual, por essa razão, pode se desprender e só em distâncias maiores do núcleo luminoso inenteal de Parsival se formar.
Se fosse de espécie igual, o espiritual primordial não teria passado adiante essa espécie igual; pelo contrário, tê-la-ia segurado segundo a lei de atração da igual espécie, mesmo se devido a isso ela não pudesse formar-se conscientemente.
Quanto mais longe vou em meus esclarecimentos, tanto mais tenho de estender a estrutura da Criação. Com isso modifica-se uma ou outra imagem que tenhais formado até agora, mas elas só se dividem sempre em mais e mais imagens, sem que a verdadeira imagem básica tenha de ser mudada de alguma forma.
Isto é como na narração de uma grande viagem. Se primeiramente apenas são reproduzidas, uma após outra, as principais vivências, então se apresenta um quadro aparentemente bem diverso daquele em que se intercalam uma após outra todas as vivências intermediárias isoladas, muito embora a viagem em si permaneça inalterada.
Entretanto, voltemos novamente para a Ilha das Rosas.
No alto da Ilha brilha numa irradiação rosada um maravilhoso Templo. Todo aquele que o avista sente paz no coração e o peito quase rompe de felicidade!
E nessa paz, no melodioso tinir das cores, mistura-se o canto jubiloso de pássaros mansos, que cintilam em cada movimento, como se fossem cravejados de brilhantes, aumentando ainda mais a maravilha circunjacente.
A expressão humana bem-aventurança é demasiado fraca para comprimir apenas aproximadamente numa forma o enlevo de Luz ali reinante, a fim de que possa tornar-se compreensível ao espírito humano terreno. E por sobre tudo paira uma sagrada majestade.
Igual a taças de rubi, florescem rosas vermelhas amplamente abertas ao redor do Templo.
Ilha das Rosas! A ancoragem do Amor de Deus para a Criação. Nessa Ilha age e tece a estrutura básica do Amor que cura, que une, que equilibra, e que dali irradia para o Universo! A Ilha acha-se sob a proteção da Rainha primordial Elizabeth, como todo o feminino na Criação inteira.
Maria desce, muitas vezes, sob a proteção da Rainha primordial Elizabeth, para essa Ilha e visita o Templo, a fim de outorgar diretamente sempre forças novas às que servem na Ilha, como intermediárias, transformam tal força em sua espécie e depois a enviam para auxílio de todas as criaturas.
Em determinadas épocas a visão daquelas que servem na Ilha das Rosas se amplia ainda mais e elas enxergam Parsival no Supremo Templo do Graal. Recebendo diretamente de sua força, como sagrada realização de bem- aventuradas promessas.
Na mesma altura daquele plano surge ainda uma segunda Ilha, proveniente da tessitura da Luz. A Ilha dos Lírios!
Como na Ilha das Rosas, as rosas florescem em ardente esplendor, assim irradiam aqui predominantemente somente os lírios, em inenarrável pureza, por distâncias imensas. Também aqui sobe-se sob forma de terraços até uma elevação, onde existe um Templo.
Nesse Templo há um brilho fascinante, que se iguala ao delicado reluzir de pérolas, apresentando, porém, ao mesmo tempo, uma cintilação rosada, que se estende com rigorosa severidade sobre a Ilha, igual a um benfazejo frescor do mar.
A quem for permitido avistar esse Templo, a esse a contemplação sempre forçará a uma humildade devocional, pois brilha com rigorosa severidade, com luminoso frescor estende-se a soberba serenidade da pureza, que, refrescando, fortalecendo, penetra nos espíritos, impulsionando-os para a adoração libertadora da sublimidade Divina.
Também aqui tudo surgiu com uma beleza inconcebível para os seres humanos, também aqui vibra maravilhosa melodia, que se eleva para o Criador como uma oração viva de gratidão, ressoando eternamente em louvor a Ele!
Também aqui a soberana é a Rainha primordial Elizabeth, e Irmingard, o lírio puro, desce, em bem determinadas épocas, sob sua proteção, à Ilha, a fim de renovar a força da pureza para aquelas que lá servem e que, transformando-a, irradiam-na para fora, para conforto e elevação de todas as criaturas.
Os habitantes da Ilha dos Lírios, pertencem também, com os da Ilha das Rosas, exclusivamente, à feminilidade. E aqui novamente estão representados todos os tamanhos.
Também aqui reina somente o que é construtivo, de acordo com a Vontade de Deus, exatamente como na Ilha das Rosas; contudo, na Ilha dos Lírios, o construtivo é de outra espécie, é exigente devido à Pureza e à Justiça, requerendo severamente, de modo inflexível.
Como na Ilha das Rosas, aquelas que servem na Ilha dos Lírios também avistam em determinadas épocas Parsival e recebem sua força.
E mais uma terceira Ilha eleva-se do plano de Luz do quarto degrau do espiritual primordial. É a Ilha dos Cisnes! Fica um pouco mais abaixo, entre as duas já citadas Ilhas.
Produz frutas deliciosas, que são consumidas pelas virgens dos cisnes que aí vivem. Aqui se concentram as irradiações das Ilhas das Rosas e dos Lírios, e são retransmitidas para as Criações, inalteradamente, num servir exemplar.
Por essa razão, a Ilha dos Cisnes poderia ser chamada também Ilha ou entroncamento do servir exemplar, do servir altruístico. Aqui o servir é difundido e elevado com o mais puro amor! Os moradores da Ilha dos Cisnes não são espíritos, mas seres executantes, que atuam unindo as irradiações da Ilha das Rosas e da Ilha dos Lírios.
Conforme sua espécie encantadora, tais seres vibram bem-aventuradamente nas irradiações imediatas da Ilha das Rosas e da Ilha dos Lírios e, com sua maneira particular de servirem exemplarmente com o mais puro amor, dão às irradiações do Amor e da Pureza uma ligação íntima e, embora ligadas, retransmitem-nas inalteradamente.
Guardiã responsável pela Ilha dos Cisnes é Schwanhild! Schwanhild é responsável perante a Rainha primordial Elisabeth, a qual também é a protetora e a soberana da Ilha dos Cisnes. Essa responsabilidade outorga a Schwanhild força redobrada e uma existência mais elevada.
Do mesmo modo como as virgens dos cisnes, ela usa um vestido flutuante que se ajusta, como penugem de cisne, de modo refulgente ao corpo, que em suas proporções harmoniosas supera a imaginação de todos os artistas terrenos.
As virgens dos cisnes têm, como particularidade, olhos somente azuis e como ornamento de cabeça usam uma estrela azul brilhante. Distinguem-se especialmente por seu canto maravilhoso e comovedor, para todas as partes da Criação.
A adoração das virgens dos cisnes expressa-se no Templo dos Cisnes por meio de seu canto cativante, acompanhado suavemente por acordes maravilhosos de harpa. Por isso a harmonia dos sons constitui também uma parte do elemento da vida de cada virgem da Ilha dos Cisnes. Elas vivem nisso, vibram alegremente nas ondas dos sons puros, sorvendo-os como bebida vital, que lhes proporciona uma atividade cheia de alegria.
Desse canto especialmente comovedor das virgens dos cisnes a notícia já penetrou até em baixo, na matéria. Por causa disso ainda hoje se fala, aqui e acolá, de um canto de cisne, que, devido a sua particularidade, atua de modo comovente. Como sempre, também aqui ficou conservada apenas uma parte das antigas mensagens, tendo sido torcidas pelo raciocínio e materializadas.
Agora também se tornará compreensível a muitos dentre vós, por que motivo, na época das realizações mais sagradas na Terra, quando a rosa e o lírio agem na Terra, torna-se necessária, como elo de ligação, a fim de não deixar nenhuma lacuna no vibrar, uma virgem da Ilha dos Cisnes num corpo terreno para isso preparado.
Tão grande é graça de Deus, que Ele deixa surgir milagre após milagre, para que o auxílio à humanidade no Reino do Milénio seja inteiramente perfeito!
Inclinai-vos humildemente perante a Sua grande bondade.
Abdruschin
Dissertação 61 “Os planos espírito-primordiais VI” da obra “Na Luz da Verdade - Mensagem do Graal”, volume III.